Convidado da Comissão -

CPI do SETUT: “Licitação foi uma adequação para as empresas”, diz empresário do ramo

Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

- Veja também: "somos escravos dos patrões", diz trabalhador

 

_ Empresário proprietário da Timon City (Foto: Jailson Soares)
_ Empresário proprietário da Timon City durante depoimento à CPI do SETUT City (Foto: Jailson Soares) 

O empresário Ramon Alves de Sousa, proprietário da empresa Timon City, disse à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga os motivos que levaram ao colapso do transporte público de Teresina que “houve uma blindagem” na licitação e que essa blindagem é de “30 anos”. O empresário falou à CPI como convidado.

“A prova é tanto que não teve uma empresa de fora que participou. Eu acho que a licitação foi uma adequação para que as empresas ficassem mais próximas das suas garagens, para não haver tanto quilômetro morto. Você pode olhar que eles mapearam e dividiram a cidade em quatro bacias e quatro consórcios foram contemplados. Todos de Teresina, nenhuma empresa de fora”, disse. 

“A empresa que tem de fora hoje foi por acordo fechado, particularmente, sem anuência nem da própria prefeitura. Não existe nenhuma empresa de fora, a não ser uma que foi recriada, separada do sistema lá que era de Timon, foi colocada em Teresina. E uma outra que veio de São Luís, mas acordos feitos dentro do próprio consórcio. Não sei se houve autorização por parte do poder público ou não”, complementou.

BLINDAGEM POR 30 ANOS

Ainda segundo Ramon Alves de Sousa, ele disse que se surpreendeu com o que encontrou previsto na licitação do transporte público.

“Quando eu cheguei na STRANS eu me deparei que a licitação foi feita de 15 anos prorrogada por mais 15 [anos] e que qualquer bairro que surgisse posteriormente quem era detentor da linha são as empresas operadoras na região. Ou seja, aqui está blindado por 30 anos”, falou.

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"SOMOS ESCRAVOS DOS PATRÕES"

Na última terça-feira (22) depoimentos de trabalhadores do sistema de transporte público à CPI ganharam relevância devido às fortes declarações relacionadas a eventuais desrespeitos a direitos trabalhistas. 

A própria Câmara de Vereadores, em sua página institucional, destacou trechos de dois desses depoimentos. 

Um deles foi o do motorista da empresa Transcol, Renato Pacheco, que falou como convidado.

“A relação entre funcionários e empresários está muito desgastada. Somos escravos dos patrões, trabalhamos por diária e muitas vezes não recebemos o pagamento. A Justiça do Trabalho, que deveria nos proteger, está sendo omissa. Peço que investiguem tudo a fundo, inclusive o sistema de bilhetagem eletrônica, pois estou certo de que há irregularidades”.

Um outro depoimento foi o do motorista Cláudio Gomes, da empresa Taguatur, que compareceu à CPI também como convidado. 

Estamos com FGTS atrasado há sete anos e férias vencidas. Dizem que a prefeitura tem um débito com o SETUT e estamos com medo de que a dívida seja paga e logo depois o empresário alegue que quebrou e o trabalhador fique sem seus direitos, como aconteceu com a empresa Dois Irmãos. Vimos que a Casa [Câmara de Vereadores] está com intenção de resolver o problema e estamos contando com a CPI para que dê uma solução para a problemática”.

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