Queda de Braço -
Antes de se licenciar Fábio tira mais verbas de Silas na Câmara Federal
A matéria que se segue é para sentar, ler, cobrar e acompanhar os desdobramentos futuros. Bem, em uma entrevista ao apresentador Amadeu Campos (que nos bastidores já estava sendo articulada desde a semana passada), o também apresentador Silas Freire disse que ainda não havia conversado com Fábio Abreu sobre as questões envolvendo o gabinete sem banheiro em Brasília, sendo que em um dos momentos da mesma entrevista, falou sobre a divisão de uma emenda milionária de bancada, deixando escapar que neste ponto, ao contrário do que minutos antes disse, havia sim conversado com o hoje secretário de Segurança - ou alguém ligado a ele. Há até uma disputa por parte da emenda do parlamentar titular. Um quer alocá-la no combate à violência e o outro, no caso o suplente, para a prevenção da criminalidade. Nem nisso se entendem.
Silas Freire disse ainda que três cargos ficarão facultados em seu gabinete a Fábio Abreu, para que seus ocupantes ajudem o secretário em suas demandas em Brasília. Só que ao se licenciar para assumir a sua nova função, o petebista deixou mais um nomeado na Câmara, perfazendo quatro cargos com funcionários ligados ao titular. Trata-se de Clemilton Pereira Viana, que oficialmente assumiu o posto no último dia cinco de março. Portanto, antes da reveladora entrevista na TV Cidade Verde. Antes, no dia 2 de março, o capitão da reserva já havia nomeado Cláudio de Sousa Ribeiro, Eliana Batista Almeida e Samuelson Stiven Soares.
OS QUATRO COMEM R$ 51.760,00 DE SILAS FREIRE
Esses quatro consumem no máximo R$ 51.760,00 dos R$ 92.053,20 da verba que Silas Freire tem para contratação de pessoal, sobrando a ‘migalha’ de R$ 40.293, 20 mensais. E o apresentador, embora negue, queria ficar com todos os cargos. A informação é de uma mulher que trabalha para o petebista, contatada última semana no momento em que ela estava no gabinete. Ela, inclusive foi quem atendeu ao fone fixo do recinto em Brasília.
Quanto a uma emenda milionária, huuum... embora tenha dito que a coisa não é bem assim na entrevista, o suplente também vai ter que lutar muito para ter uma parte dela.
Fatos são, na verdade, feitos difíceis de serem dirimidos. Daí, para escamotear a verdade, se apresenta as versões. No entanto, as versões agradam a si e a uns poucos, até ludibriam em muitos dos casos, mas são incapazes de se sobrepor aos fatos, principalmente quando eles são perseguidos a fundo.
TODOS OS FUNCIONÁRIOS QUE SILAS TERÁ QUE ENGOLIR
Todos os nomeado por Fábio Abreu são do grupo de cargos a que se chama de SP-25, o maior de todos para secretário parlamentar existente dentro da estrutura administrativa da Câmara dos Deputados, equivalente a R$ 12.940,00 cada um. É possível que o militar da reserva tenha nomeado o cargo ‘não cheio’? É possível. Mas um pouco provável. Esse termo ‘não cheio’ quer dizer que o SP em questão não teria “gratificação”. Ou seja, o valor a ser pago aos funcionários de Fábio cairia assim pela metade em cada contracheque. Mas isso o 180 só terá acesso no final do mês, após sair o primeiro pagamento da turma, nomeada início de fevereiro. O pagamento da Casa sai no segundo dia útil depois do dia 20 de todo mês.
O GABINETE SEM BANHEIRO DO ANEXO III
Quem conhece o Congresso Nacional e a rotina de Brasília, sabe que algo ai não se fecha. E é bom o contribuinte saber como ambos - Silas Freire e Fábio Abreu - estão levando a coisa pública até o momento. Um até já acusou o 180 de ser assessor do outro; e o outro, junto com árduos defensores, e sob o aconselhamento de alguns, acusou o 180 de o estar perseguindo a serviço desse um. Nadinha. A história aqui é outra, até porque não foi o 180 que articulou montar uma empresa de aluguel de carro para alugá-los à Secretaria de Segurança Pública. Sugestão de um ‘amigo’. O mesmo informante, disse que isso foi rechaçado pelo homem público. Um ‘amigo’ desses, ao que se vê, pode arrastar o mais novo secretário para o buraco.
A ÚLTIMA NOMEAÇÃO: SP 25
Bom, mas o que está se defendendo aqui é o zelo para com o dinheiro público de ambas as partes - inclusive do terceiro, o tal do ‘amigo’. Um por ser um apresentador que cobrava a ética e fazia pregações religiosas na TV. O outro por ser chefe de duas polícias num dos Estados da República Federativa Brasileira e ter tido sua imagem de bom moço cultuada por uma imprensa pacífica, afável e melosa. Sendo assim, precisa dar o exemplo.
E de volta a um detalhe que remete a uma questão maior... mais precisamente ao gabinete sem banheiro, é fácil entender publicações anteriores desse portal. Só com aqueles nomeados por Fábio Abreu (quatro pessoas), somando-se a Silas Freire, já dá para encher os minúsculos gabinetes do Anexo III. Quem conhece a Câmara sabe. Então onde ficariam os assessores do apresentador Silas Freire, a serem contratados ainda? Disponível só tem 5 computadores por gabinete e um notebook, que a Câmara fornece, mediante solicitação assinada pelo parlamentar.
ASSESSORES DE FÁBIO PODEM VIR A GANHAR SEM TRABALHAR
É justo? Não. Mas é simples o processo e isso pode vir a acontecer. Na Câmara dos Deputados existe um sistema de pontos para marcação de horas extras. O que significa que, se passar das 19h, exemplo, 19h01, e tiver ocorrendo sessão plenária, o assessor parlamentar pode assinar seu ponto com um crachá magnético e sua digital. Pronto. Ele já ganhou uma cifra sobre o seu salário, a chamada hora extra, mesmo que a sessão termine logo depois, 19h02, o assessor é premiado com a tal da hora extra. E aqui independente do SP 25 ser ou não com gratificação.
QUADRO REMUNERATÓRIO DA CÂMARA FEDERAL
O servidor sem vínculo não precisa nem ter ido trabalhar durante todo dia, mas se aparecer de noite e fizer isso, moedas tilintarão em seu cofre. Sendo assim, cada um dos nomeados por Fábio Abreu, só por dia de sessão que ultrapassar às 19h00, ganhará com esses cargos, a quantia de R$ 215,00. Os quatro juntos por dia que a sessão ultrapassar esse horário recebem, portanto, mais do que um salário mínimo, mais do que a cota de gasolina mensal de muitas delegacias no Piauí.
Frequentemente na Câmara, quem assume os gabinetes de deputados titulares - a não ser que sejam muito amigos, o que não é o caso de Silas e Fábio Abreu - não querem que assessores do deputado licenciado deem expediente, ainda mais num gabinete tão minúsculo quanto o que o apresentador irá ocupar. Aqui a importância de dias atrás o 180 ter abordado em uma matéria que teve recordes de acesso a informação de que o gabinete que o suplente iria ocupar não tinha banheiro e era minúsculo, apertado, sem atrativos.
Dessa forma, é provável que os funcionários de Fábio sejam dispensados. E... de posse do crachá, com sua digital, possam vir a continuar a assinar ponto. O que isso significa? Que os assessores de Abreu podem vir a ganhar sem trabalhar. O Secretário de Segurança não precisa disso no seu currículo, que está sendo moldado diariamente, mas ao não exonerar seus funcionários quando se licenciou, acenou para tanto.
UM PRATO CHEIO PARA A GRANDE IMPRENSA
Toda essa situação de manter funcionários num gabinete que não é ‘seu’ – deixou de ser quando se licenciou -, embora seja o titular da vaga, pode vir a atrair a atenção da grande imprensa, caso Silas Freire não chame os funcionários de Fábio para trabalhar todos os dias. Por essa ótica, o próprio suplente, - tão combativo com as falcatruas envolvendo o erário público, ou pelo menos passando a ideia de assim o ser - será alvo fácil, fácil dos bons jornalistas brasilienses. É só esperar.
Neste caso o deputado terá duas escolhas. A primeira delas é trabalhar apertadinho no gabinete sem banheiro para não ser alvo da grande imprensa - aqui sim, uma outra vertente de jornalistas que veem os políticos de forma impessoal, sem conchavos e acordos noturnos de bastidores em jantares tendo como fim extrair benesses. Nesse caso Silas Freire teria uma espécie de bode (os quatro assessores) para ornar seu já minúsculo gabinete.
E a segunda delas é... de posse da caneta, demitir a todos e não sofrer desgaste. Afinal de contas, o que está em jogo é um bem maior, o Estado do Piauí. Alvo para o qual todos precisam estar voltados, com trabalho, dedicação e sem distorções outras. Ou não?
O RISCO...
Mais: se esses assessores não trabalharem e só ganharem, ambos, tanto Silas como Fábio Abreu, estarão compactuados com esse descalabro para com o dinheiro público. Só que o responsabilizado será o apresentador, e não o secretário, distante 1.750 quilômetros de Brasília e afastado de fato do cargo.
APERITIVO: SÓ UM DOS ESCORREGÕES DO APRESENTADOR
Mas mesmo os fazendo trabalhar, Silas Freire está envolto em uma outra questão e não afasta o risco de ser alvo da grande imprensa. Que história é essa de que um Secretário de Estado, no caso Fábio Abreu, tem direito a ter no gabinete de um parlamentar no Congresso Nacional, assessores pagos pela Câmara dos Deputados, para servi-lo, como afirmou Silas Freire na entrevista a Amadeu Campos - jornalista apresentador exímio em retirar de seus entrevistados aquilo que realmente é de importante? ‘Tá errado’.
A pergunta foi enviada para Corregedoria da Câmara Federal e a situação já compartilhada com alguns jornalistas da imprensa nacional.
CHAMEM A POLÍCIA... MAS FÁBIO ABREU É A POLÍCIA...
Portanto, é assim que o dinheiro público não deveria ser tratado. Ainda mais por um Secretário de Segurança. E por Silas, que terá dois caminhos, frise-se. O errado, que é compactuar e sofrer um desgaste e até um procedimento administrativo interno logo de cara. Ou, o certo. Já que tem a caneta na mão... Ora, há uma entrevista concedida à TV Cidade Verde, de fácil acessibilidade, sugerindo esse nebuloso acordo.
MAS SE CONSELHO FOSSE BOM, CIRO NOGUEIRA VENDIA...
Que o diga o atual presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, que até hoje é lembrado em um livro chamado “A Ética da Malandragem - o Submundo do Congresso Nacional”.
Ciro ao menos, em recente entrevista à Revista 180graus, disse que recusou a proposta e o jornalista não publicou sua recusa, quando o recém chegado parlamentar recebeu um convite de um outro deputado para a prática de nepotismo cruzado com as esposas. Um empregava a mulher do outro em seu próprio gabinete e vice-versa.
O BOM COMEÇO
Silas tem a chance de dar a esses jornalistas a oportunidade de escrever sua história na Câmara Federal de forma diferente. Mas, em insistir nessa situação, é desgaste certo para os dois.
Fonte: None










