Paradas de ônibus no meio da Frei Serafim: vem debate aí sobre a avenida mais charmosa da cidade!
A prefeitura de Teresina pretende mexer na estrutura da Avenida Frei Serafim para contemplar o transporte de ônibus da cidade. A prefeitura pretende criar sete “paradas” de ônibus no canteiro central da Avenida.
Debate à vista! Há leis que protegem a Avenida e a prefeitura não terá caminho fácil. Embora o Poder Executivo não tenha exposto ainda o projeto de mudanças na Avenida, as reações contrárias já começam a pipocar nas redes sociais.
A Frei Serafim é a cara de Teresina. Mudar aquela avenida, é mudar a cara da capital.
Hoje, não entrarei no mérito da questão. Como a Avenida voltou à temática política da cidade resolvi reavivar um artigo publicado por mim em agosto de 2011, quando escrevia noutro portal.
Quando a Prefeitura tornar público seu projeto de mudança do canteiro central da Frei Serafim opinarei a respeito. Hoje, ficaremos com minhas lembranças da principal avenida da cidade:
Eu e a Frei Serafim
Um de meus prazeres é assistir ao pôr do sol teresinense de qualquer de um dos barzinhos da Frei Serafim.
A avenida Frei Serafim é a minha Avenida Paulista - artéria de São Paulo que resume o charme e a grandeza daquela metrópole. Assim, a Frei Serafim é com Teresina.
Centralizando a capital piauiense, tornou-se o principal corredor para escoar o tráfego da cidade. Depois de intenso dia de trabalho, estudo, afazeres ou compras, o teresinense volta para sua casa e, invariavelmente, precisa da Frei Serafim para fazê-lo, em carros, motos ou ônibus, em pleno frenesi.
Tomar uma cerveja gelada (como só se encontra em Teresina) e contemplar este movimento é como eu disse, um prazer.
A avenida tem lindos casarões. Alguns ainda preservados. Remontam outro tempo, de uma outra Teresina, mas guardam profunda beleza mostrando, que já no passado, o teresinense tinha bom gosto. Um sonho de consumo seria possuir um desses casarões. Já pensou, fim de tarde na sacada vendo o pôr do sol?
O passeio da avenida foi reformado pelo então prefeito Silvio Mendes. Na ocasião, ele foi muito criticado, inclusive, por personalidades altamente conceituadas, como o humorista João Claudio Moreno. Apesar de opositor que sou do PSDB, mas dei crédito às argumentações do então prefeito e, com a realização da reforma, o apoio total a ação de Silvio Mendes. Os jardins dispersos ao longo da avenida, os bancos de madeira, a iluminação, o piso do passeio, enfim, tudo de muito bom gosto. Se a Frei Serafim era bonita, ficou muito mais bonita ainda.
Em dezembro, a minha Paulista ganha as luzes de Natal. Como é bonito ver as árvores de Natal, o Colégio das Irmãs, as luzes nos troncos das velhas arvores e sentir o espírito natalino.
É o endereço do velho e criticado Hospital Getúlio Vargas. Velho e criticado, mas responsável pela alegria de muitos que ali chegam desesperançados e saem com a saúde recuperada.
No final dos anos 80, os carnavais de Teresina aconteciam em sua principal avenida. As escolas de samba tinham a rua Primeiro de Maio como local de concentração. Dali, partiam em desfile rumo à Igreja de São Benedito, onde na Praça da Liberdade acontecia a dispersão. Cobri carnavais pela TV/Rádio Clube de Teresina. Não posso esquecer aquelas coberturas. Minhas lembranças são das bonitas camisetas que a Clube mandava fazer e de uma parafernália de rádios portáteis, microfones, fones de ouvidos e fios que eu carregava embaralhados ao corpo. Mas a lembrança registra também que ao final do trabalho nas noites carnavalescas eu nunca ia embora direto para casa. Afinal, acabava a cobertura, mas não o carnaval, e a Frei Serafim estava cheia de colombinas.
De toda a Frei Serafim, a esquina com a Coelho de Resende é o local de onde guardo caras recordações de minha militância política. Ali, quando a lei permitia, participei de comícios onde propagandeávamos nossos candidatos. Ali, participei de bandeiraços e panfletagens.
Em 2002, a campanha ao governo de Wellington Dias começava a ganhar corpo. O jornalista Rodrigo Ferraz havia ido ao programa do Amadeu Campos, deitado críticas aos tucanos e declarado voto em Wellington Dias. No comando da campanha petista decidimos publicar um jornal com a íntegra da fala de Rodrigo Ferraz. Como ponto de distribuição marcamos a esquina da Frei Serafim com a Coelho de Resende. Direto da gráfica, fui para lá com fardos dos impressos no carro. Na esquina a militância petista já estava à espera. Em questão de minutos, o jornal foi todo distribuído aos motoristas e transeuntes do local.
No mesmo local, mas já com a eleição de Wellington Dias assegurada, esperei pela caminhada da vitória. O eleito governador, e um mar de gente haviam saído das proximidades da Assembleia Legislativa para percorrer toda a Frei Serafim no sentido Leste-Centro. Na esquina com a Coelho de Resende, eu olhava para a direção de onde vinha a multidão, era uma imensidão de vermelho com Wellington Dias e Osmar Júnior à frente. Abracei quem pude abraçar, fui ficando e vendo o povo passar. Como que fechando a caminhada um último casal: Mão Santa e Adalgisa. Ali, na ocasião funcionava a Pizzaria Brasil, e eu fiquei por lá com João Claudio Moreno para um chope e um bate papo. João Claudio, como sempre, me deliciando com seu humor e tiradas inteligentes. Naquela tarde, de tudo que conversamos, uma frase nunca saiu da minha cabeça. Ele, olhando a multidão que se ia, me disse:
- Oscar, o Piauí precisava disso. Agora, não podemos errar! Não podemos deixar o PFL voltar ao comando deste estado, nunca mais.
De outro ponto, que eu não sei bem se é Frei Serafim, mas, se não for, é muito próximo que é o adro da Igreja de São Benedito, outro importante evento político.
1989, eleição presidencial. O comando nacional da campanha de Lula avisa que ele vem a Teresina, mas que o horário disponível para a capital do Piauí, era das 14 horas às 17 horas. Já pensou? Que atividade política, de rua e de massa, fazer num horário desses? Decidimos, então, que Lula faria um mini-comício na Praça Rio Branco e sairia em caminhada pelo calçadão de Teresina. E, assim foi. Só que o número de presentes à Rio Branco já superou as expectativas e quando Lula desceu o calçadão a quantidade de pessoas que o acompanhavam multiplicava-se. A caminhada terminou no adro da Igreja de São Benedito. Lá, sem estrutura de palanque e de som, Lula subiu alguns degraus, pediu silencio a todos, orientou que ia falar algumas palavras e que os próximos a ele deveriam repeti-las, para que quem tivesse mais distante, pudesse ouvir. E, assim foi. Todos estavam queimados pelo escaldante sol de Teresina e cheios de esperança pela fala de Lula. Este, meses depois, reconheceu que este ato em Teresina lhe dera a certeza de que era um dos candidatos presentes no segundo turno daquelas eleições.
Para terminar, mais uma história de fato político ocorrido na Frei Serafim.
Ali, num pensionato de estudantes, Wellington Dias traçou as primeiras linhas de seu plano de governo. Certo dia de 2002 estava eu, ele, e Roberto John cuidando das coisas de campanha, quando o Wellington disse que precisávamos sentar para começar a escrever o Plano de Governo. Mas onde sentar? A campanha ainda não tinha comitê e a sede do PT não era apropriada pelo assedio que Wellington teria. Como estávamos nas proximidades da Frei Serafim disse ao futuro governador para encostarmos à casa da minha irmã, ali na avenida - um pensionato. E assim foi. Entrei em casa, falei com minha irmã, que foi cumprimentada por Wellington e Roberto. Sentamos à mesa e ele esboçou seu plano de governo.
Moro no bairro São João há 21 anos e sempre tenho pontos de trabalhos no Centro de Teresina. Por isso, para mim, a Frei Serafim é companheira de todas as horas. Com seu trânsito livre ou com seus engarrafamentos, convivemos diariamente. E, eu adoro a Frei Serafim.
Como as atividades políticas estão escassas, então vou lá... num de seus barzinhos!











