Crise brasileira · 21/04/2017 - 14h26 | Última atualização em 21/04/2017 - 14h26

É preciso mais que a greve de 28 de abril, que prejuízos daremos aos parlamentares usurpadores?

É preciso mais que a greve de 28 de abril, que prejuízos daremos aos parlamentares usurpadores?


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É preciso mais que a greve de 28 de abril.

O estágio em que se encontra o Brasil é extremamente preocupante e perigoso.

A democracia precisa ser reestabelecida e as instituições têm que voltar à normalidade.

O Congresso brasileiro quase todo teve sua eleição financiada por empreiteiras e outras grandes empresas.

O ex-presidente da Câmara Eduardo Campos foi um dos responsáveis por arrecadar recursos e destiná-los a diversos candidatos pelo Brasil, que após eleito, votaram conforme determinação do agora presidiário Cunha. Informações dão conta que aproximadamente 200 deputados deviam favores à Cunha.

Agora, Temer confessa o golpe dado em Dilma que contrariou Eduardo Cunha.

Mas a mídia brasileira (um clássico caso de concentração econômica) não dá ao escândalo confessado por Temer o destaque devido. Ao contrário, seu personagem preferido é Lula e o triplex e o sítio. Para esses batidos temas são intermináveis minutos de telejornal.

Enquanto um usurpador confessa um golpe de Estado, o Supremo Tribunal Federal decide sobre quem é o campeão brasileiro de 1987. É um escárnio.

A democracia no Brasil não será restaurada apenas pela via institucional. Aliás o cenário de 2018 é sombrio, talvez nem haja eleições.

O cenário de ruptura da democracia exige reações fora da institucionalidade. O economista Márcio Pochmann, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pensa assim.

Para ele, "Não tem saída institucional e nem tradicional. Os que deram o golpe não entregarão pela via democrática. A democracia no Brasil é uma exceção, a regra é o autoritarismo. Em mais de 500 anos de história, temos 50 de democracia".

Sendo assim, então, o que fazer?

Pochmann aponta a necessidade de ir além de denunciar e reagir. "Se quisermos uma eleição democrática em 2018, precisamos radicalizar. O que nós vamos impor de prejuízo a eles? Se nós não impusermos prejuízo a eles, nós não avançamos. Não estou defendendo a ruptura democrática, porque ela já houve. [...] Quanto mais você se abaixa, menos você se levanta".

Somente de passeata em passeata são praticamente nulas as chances dos democratas e da esquerda virarem o jogo.

A greve geral marcada para o dia 28 deste mês é bem vinda. Mas ainda é pouco.

É preciso testar novas modalidades de enfrentamento.

É preciso tirar deputados e senadores do conforto em que se encontram.

Alvejados por toda sorte de acusações de desvio de dinheiro público, um sem número de parlamentares da base do governo insiste em votar sobre pau e pedra as reformas que liquidam direitos e conquistas sociais.

A questão é clara : esse Congresso não tem legitimidade para impor sacrifícios ao povo.

Duvido que os deputados passariam o rolo compressor para acelerar a tunga de direitos se o Congresso fosse cercado permanentemente por uma multidão de insatisfeitos com o que se passa ali dentro e com dezenas de milhares de acampados a pressioná-los dia e noite.

Deputados, presidentes não são 'representantes' do povo. Por isso, uma verdadeira democracia deveria ter, ao lado dos Poderes Executivo e Legislativo, a figura da assembleia popular a ratificar leis e apor seu aceite ou sua recusa. O povo deve ter as estruturas institucionais que lhe permitam continuamente se defender de quem procura lhe roubar o poder.