Prenúncio de declínio nas Assembleias da CMSB
- Por José Narciso do Monte,
- Presidente do Seminário de Secretário de
- Relações Exteriores, da XXXI CMSB
A Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil - CMSB tem como principais finalidades estatutárias:
I- fomentar a difusão, pelas Associadas, da doutrina e dos postulados da Maçonaria Universal e do ideal maçônico;
II- promover a educação na formação de lideranças maçônicas e na geração de valores sociais;
III- fortalecer a integração e o intercâmbio de experiências entre as Associadas e com outras Instituições;
IV- sugerir e estimular a gestão da informação e do conhecimento, bem como instruções maçônicas, entre as Associadas;
V- desenvolver e incentivar programas de responsabilidade social e ambiental;
VI- estimular a inovação nos processos de gestão maçônica entre as Associadas;
VII- incrementar, de forma permanente, a comunicação em âmbito interno e externo;
VIII- estudar e coordenar medidas que possam interessar às Associadas, no sentido da ação maçônica conjunta.
Há algum tempo a CMSB já não trata destes temas, com maior profundidade, em suas Assembleias Gerais Anuais, passando a dedicar-se aos assuntos meramente de cunho administrativo e a priorizar temáticas mais festivas, como outorgas e troca de honrarias entre os membros do colegiado e de entidades para maçônicas, fatores que não deixam de merecer aplausos.
Tendo em vista tratar-se de um fórum multilateral, de abrangência nacional e significativa importância para a Maçonaria, seria oportuno que fossem abordadas e aprovadas teses de grande impacto, de modo a fazer face aos desafios que a Instituição enfrenta, especialmente neste momento das inovações vivenciadas pela sociedade no campo tecnológico e social.
O renomado Mestre Maçom Kurt Prober, 33º, (12.03.1909 - 22.03.2009), alemão naturalizado brasileiro, escritor e jornalista, residente no Rio de Janeiro, fundador do Boletim Noticioso e Documentado “A Bigorna”, em 1999 classificou a CMSB como um Clube de Turismo, no sentido jocoso.
O experiente e combativo ex-Grão-Mestre da Grande Loja do Rio de Janeiro, Luís Zveiter, em sessão pretérita, vaticinou a respeito da necessidade de que o modelo das Assembleias seja modernizado, no sentido de torná-las mais objetivas, sob pena de virem a se esvaziar.
A previsão de Zveiter começa a se delinear. Na Assembleia deste ano de 2026, em Brasília, um grupo de 11 associadas votou pela transformação da periodicidade do evento em bianual, no que foi rejeitada pela maioria.
No entanto, foi aprovado um substitutivo mantendo a periodicidade anual, porém com formatos alternados: um ano festivo e outro administrativo. Este com a participação reduzida, ou seja, apenas com a cúpula diretiva e as representações formais das confederadas, sem os costumeiros “eventos paralelos”, tais como palestras abertas aos participantes, noites de festas temáticas e o tradicional “chá das cunhadas”, episódios que despertam grande interesse dos maçons e familiares convidados.
A ausência desses conteúdos programáticos complementários constitui retrocesso na trajetória da CMSB e contribui para o declínio gradual na integração das consagradas Assembleias, tidas como um dos maiores eventos maçônicos da América Latina.
O ideal seria que as teses aprovadas nas Assembleias, com propostas de mudanças, fossem compartilhadas, por cada confederada às suas jurisdicionadas, para surtir os efeitos colimados.
Ao término da 55ª Assembleia Geral Ordinária da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB), a Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo (GLESP) anunciou oficialmente a sua saída da confederação.
Toda e qualquer Grande Loja que integra a CMSB é totalmente soberana e independente.
Portanto a retirada da GLESP constitui um ato de vontade unilateral, fato que não altera a estrutura da Confederação e nem a regularidade da Obediência paulista.
Todavia não deixa de ser um ato inusitado de grande repercussão simbólica, por ser a GLESP uma forte coluna da maçonaria brasileira, detentora de 787 Lojas jurisdicionadas, com um universo de mais de 23.000 obreiros, pulverizados em 207 cidades.
Além disso, a Confederada de São Paulo foi a Grande Loja protagonista da fundação da CMSB, em 27.07.1966, por ocasião da XIV e Última Mesa Redonda.
Espera-se que haja uma reversão.
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