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Liberdade de Expressão · 13/07/2021 - 11h43 | Última atualização em 13/07/2021 - 12h19

Jornalista diz a site da ABRAJI que assessoria de promotor de Justiça pediu retirada de matéria

"A assessoria de comunicação dele entrou em contato comigo por diversas vezes pedindo que a gente excluísse o conteúdo. Diante da recusa..."


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Do Portal 180graus.com

 

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_ No processo que figura Jaqueliny Siqueira, do G1, também figura o repórter da TV Clube, Edigar Neto, que é assessor do Ministério Público e não fez qualquer publicação sobre o promotor de justiça envolvendo esse caso

Em entrevista à Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) a jornalista gerente de conteúdo do G1, da Globo, Jaqueliny Siqueira, disse que a “assessoria de comunicação” do promotor de Justiça Francisco de Jesus entrou em contato por “diversas vezes” pedindo a exclusão de conteúdo. O Portal havia publicado a matéria “Promotor do núcleo de violência doméstica é denunciado por ex e deve cumprir medida protetiva”, assinada por outra jornalista, Catarina Costa.

Na publicação da ABRAJI é dito que “Jaqueliny Siqueira afirmou que não havia motivo para a exclusão da reportagem. ‘Ele [Francisco de Jesus] me processou porque sou gerente de conteúdo do site. A assessoria de comunicação dele entrou em contato comigo por diversas vezes pedindo que a gente excluísse o conteúdo [...]. Diante da recusa, ele acabou me processando’, conta Siqueira.

A informação repassada pela jornalista vai ao encontro de publicação do jornalista Rômulo Rocha, desse portal 180graus.com, que já informou aos leitores existir uma assessora de imprensa do promotor de Justiça Francisco de Jesus pedindo para jornalistas retirarem do ar matérias que desagradam a autoridade.

_Jornalista Rômulo Rocha (Foto: Divulgação)
_Jornalista Rômulo Rocha (Foto: Divulgação) 

Rômulo defende inclusive que nos processos criminais que o promotor diz existir, todos os envolvidos, inclusive essa assessora de imprensa, venha a ser chamada para testemunhar em juízo compromissada em dizer a verdade, sob as penas da lei.

Em recente manifestação em rede social, o promotor de Justiça Francisco de Jesus cita intenção em prender o profissional de imprensa do 180graus.com por mais de 8 anos. 

O criminalista Gilberto Ferreira é o advogado do jornalista, que espera o momento certo para se pronunciar.

A publicação em rede social contra o jornalista Rômulo Rocha, destacado para cobrir os processos movidos por Francisco de Jesus contra outros jornalistas, foi o estopim para que a ABRAJI passasse a apurar o que estava a ocorrer. 

_Publicação de Francisco de Jesus em rede social (Imagem: Reprodução)
_Publicação de Francisco de Jesus em rede social (Imagem: Reprodução) 

PROCESSADO POR PROMOTOR, OITOMEIA RETIROU MATÉRIA DO AR

Um dos portais processados pelo promotor é o OitoMeia, do jornalista Allisson Paixão.

À ABRAJI Paixão tentou explicar o que ocorreu e o que lhe levou a retirar matéria do ar que repercutia medida protetiva proferida pela justiça contra o promotor, revogada somente tempos depois. 

“Tem coisas que fogem do nosso controle como jornalistas. Foi uma orientação do advogado, e assim fizemos”, disse.

_Jornalista Allisson Paixão:
_Jornalista Allisson Paixão: "foi uma orientação do advogado" , disse, sem dizer qual advogado (Imagem: Reprodução) 

O promotor de Justiça Francisco de Jesus aproveitou essa deixa e acordo feito também com a Cidade Verde para dizer que “com exceção do 180graus e do G1, ‘os outros portais, ao tomarem conhecimento do erro, procuraram o autor, retirando a matéria do ar e, conjuntamente, formularam desistência da ação’”.

O Código de Ética do Jornalista diz que é dever do profissional de imprensa "lutar pela liberdade de pensamento e de expressão", "defender o livre exercício da profissão" e "valorizar, honrar e dignificar a profissão".

VEJA MATÉRIA RELACIONADA AO CASO E LEIA PUBLICAÇÃO DA ABRAJI

- ABRAJI repercute intenção de promotor de Justiça em prender jornalista do portal 180graus

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