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"Um grande mal entendido" · 19/08/2020 - 16h53

Advogado afirma que Tony Trindade prestava assessoria para gerenciamento de crise

Segundo ele, uma atividade de consultoria prestada por Tony foi "confundida" com o monitoramento de investigação da Polícia Federal


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Por Apoliana Oliveira

O advogado Lucas Villa, que faz a defesa do jornalista Tony Trindade, afirmou em entrevista ao programa Tribuna Piauí, da Band, que a prisão do comunicador se deu em razão de "um grande mal entendido". Segundo ele, uma atividade de consultoria prestada por Tony foi "confundida" com o monitoramento de investigação da Polícia Federal, no âmbito da Operação Delivery, deflagrada em maio para apurar suspeita de desvio de recursos da educação no município de União.

"O que ocorreu com Tony não passou de um grande mal entendido, que já foi esclarecido com o depoimento que ele prestou junto à Polícia. Uma atividade do Tony, de consultoria de marketing e de assessoria numa gestão de crise de imagem, com monitoramento de notícias na imprensa, acabou sendo confundida com o monitoramento de ações policiais", explica.

Segundo o advogado, esse "mal entendido" foi esclarecido durante depoimento colhido no dia de ontem, após a prisão do jornalista na Operação Acesso Negado.

"Infelizmente nós não podemos entrar em mais detalhes em razão da investigação correr em segredo de Justiça, mas nós estamos muito confiantes na nossa Justiça Federal, entendendo que uma vez esclarecida toda essa situação, muito em breve o Tony estará de volta conosco no convívio social, e vocês poderão ouvir dele mesmo as palavras de conforto com relação a essa situação", completou.

Sobre a Operação Acesso Negado

A ação deflagrada no dia de ontem é um desdobramento da Operação Delivery, iniciada em maio, que investiga desvio de recursos públicos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB), destinado ao município de União (PI). Em entrevista coletiva virtual, a delegada Mariana Paranhos, superintendente da Polícia Federal no Piauí, explicou os desdobramentos que levaram à operação.

"A investigação mostrou que cada etapa da Operação Delivery foi monitorada pelo grupo criminoso, que conseguia acessar com antecedência informações sigilosas no processo judicial e compartilhava com os interessados, antecipando-se às medidas judiciais a serem executadas. Eles também manipulavam as testemunhas para haver a convergência de versões a serem apresentadas à Justiça. Se envolviam em estratégias para intimidar os atores da investigação", disse.

"Esse jornalista estava monitorando a investigação e obtendo informações de caráter sigiloso, tendo acesso ao processo, orientando um dos investigados para que se reunisse com testemunhas e outros investigados para que apresentassem depoimentos convergentes, o que demonstra claramente a intenção de manipular possíveis provas a serem juntadas no inquéritos. Ele [jornalista] fala, durante material arrecadado, em atos intimidatórios. É uma palavra forte de você falar, que vai realizar atos intimidatórios, no intuito de minimizar a repercussão das investigações. A investigação ainda vai tentar identificar que atos intimidatórios eram esses, se eram atos para intimidar a polícia, a população, isso deve ser esclarecido ainda", narra o chefe da Delegacia de Repressão a Corrupção e Crimes Financeiros, delegado Allan Reis de Almeida, que coordenou a operação de ontem.


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