
Flávio é retrocesso, diz mãe de Paulo Gustavo, que viu Bolsonaro rir
A sete dias do segundo turno das eleições presidenciais, Déa Lúcia Amaral, conhecida como dona Déa e mãe do ator Paulo Gustavo, morto em decorrência da Covid-19 em 2021, manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e criticou o senador Flávio Bolsonaro. Em um vídeo divulgado neste domingo (18/10), ela afirmou que considera o parlamentar um retrocesso e relembrou as dificuldades enfrentadas durante a pandemia. As informações são do Metrópoles.
“Flávio é retrocesso. Se eu olhar o sobrenome, me dá arrepio”, declarou. Na ocasião, dona Déa associou o nome da família Bolsonaro às lembranças do filho, que morreu aos 42 anos, em 4 de maio de 2021, após complicações da Covid-19.

Segundo ela, Paulo Gustavo demonstrava preocupação com a doença e acreditava que poderia não sobreviver caso fosse infectado. A mãe também lamentou a demora na disponibilização das vacinas no Brasil. Dias antes de ser internado, em março de 2021, o ator publicou nas redes sociais a frase “Cadê a vacina, meu Deus?”.
Dona Déa ainda criticou a postura do então presidente Jair Bolsonaro durante a crise sanitária. “E o governo ria. O nosso presidente ria. Isso eu falo com ódio”, afirmou. Em manifestações públicas durante a pandemia, Bolsonaro minimizou a gravidade da doença e chegou a imitar uma pessoa com falta de ar.
Ao defender Lula, a mãe do ator disse que não quer que situações semelhantes voltem a acontecer. “Isso não pode voltar. Vamos com o Lula, pelo amor de Deus”, declarou.
Naquele momento da disputa eleitoral, os dados apresentados no texto apontavam Flávio Bolsonaro com 47% dos votos no primeiro turno, contra 45% de Lula, indicando uma diferença estreita entre os candidatos.
Documentário aborda decisões durante a pandemia
O documentário Anatomia do Caos, dirigido por Dandara Ferreira, responsável também pelo filme Meu Nome é Gal, reúne registros e relatos sobre as decisões tomadas durante a pandemia da Covid-19 no Brasil. A produção aborda episódios como a discussão sobre o uso da cloroquina, a demora na aquisição de vacinas e a crise de oxigênio registrada em Manaus.
O filme estreou nos cinemas em julho e, desde sexta-feira (16/10), estava disponível gratuitamente no YouTube até o dia da eleição. A diretora acompanhou os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid e reuniu informações sobre a condução da crise sanitária.
Entre os episódios abordados está a negociação de vacinas. Em agosto de 2020, a farmacêutica Pfizer apresentou uma oferta de 70 milhões de doses, com previsão de entregas a partir de dezembro daquele ano. Segundo o texto original, a empresa enviou diversas mensagens ao governo sem receber resposta. O Instituto Butantan também tentou negociar a compra da CoronaVac.
O Brasil ultrapassou a marca de 700 mil mortes por Covid-19. Ao final dos trabalhos, a CPI pediu o indiciamento de Jair Bolsonaro e de outras 79 pessoas. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou o arquivamento das investigações contra o ex-presidente.
Cortes e mudanças nos programas de medicamentos
As políticas de fornecimento de medicamentos também são apontadas como parte do debate sobre a gestão da saúde pública. Em 2019, o Ministério da Saúde suspendeu contratos com sete laboratórios públicos para a produção nacional de 19 medicamentos destinados ao Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os laboratórios citados estavam o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Os medicamentos abrangiam tratamentos para diferentes condições, incluindo diabetes e câncer. Em 2020, durante a pandemia, o então ministro da Economia, Paulo Guedes, chegou a avaliar a possibilidade de encerrar o programa Farmácia Popular. A iniciativa foi mantida, mas, conforme os dados apresentados no texto, registrou redução no número de pessoas atendidas e chegou ao menor número de farmácias credenciadas desde 2013.
Em 2022, a proposta orçamentária encaminhada pelo governo Bolsonaro ao Congresso previa reduzir em 59% os recursos destinados aos medicamentos gratuitos, de R$ 2 bilhões para R$ 842 milhões. A redução gerou críticas e levantou preocupações sobre a continuidade do programa. Após a repercussão negativa durante a campanha eleitoral, Bolsonaro recuou da proposta.
Governo Lula amplia recursos para a saúde
Com a mudança de governo, a área da saúde recebeu novos recursos por meio da chamada PEC da Transição, que autorizou R$ 16,6 bilhões adicionais para o setor antes da posse de Lula. Posteriormente, a regra de financiamento da saúde voltou a vincular o orçamento a uma parcela da arrecadação federal.
Em 2024, o orçamento da área chegou a R$ 218 bilhões, valor R$ 48 bilhões superior ao que seria previsto pela regra anterior, segundo os números apresentados no texto. A ampliação dos gastos, porém, também alimenta críticas da oposição, que aponta os impactos do aumento das despesas sobre a dívida pública.
O Farmácia Popular passou por mudanças durante a atual gestão. Inicialmente, beneficiários do Bolsa Família passaram a ter acesso gratuito a todos os medicamentos disponíveis no programa. Em fevereiro de 2025, a gratuidade foi ampliada para toda a população atendida pela iniciativa, abrangendo os 41 itens oferecidos, incluindo medicamentos para hipertensão e outros tratamentos, além de fraldas geriátricas.
O orçamento do programa aumentou de R$ 2,5 bilhões, em 2022, para R$ 4,2 bilhões, em 2025. O número de beneficiários chegou a 27,3 milhões de pessoas, mais de 6 milhões acima do registrado no último ano do governo Bolsonaro. Os idosos representavam quase 70% do público atendido, conforme os dados citados.
A atual gestão também retomou iniciativas para ampliar a produção nacional de medicamentos de maior custo, com 31 novas parcerias e previsão de R$ 15 bilhões em investimentos.
Flávio Bolsonaro promete reduzir gastos públicos
Durante a campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro apresentou uma proposta de redução de aproximadamente R$ 200 bilhões nas despesas públicas. Entretanto, o plano entregue à Justiça Eleitoral, conforme o texto original, não detalha se o Farmácia Popular seria afetado por eventuais cortes.
Com a disputa presidencial marcada por uma diferença estreita entre os candidatos no primeiro turno, as políticas de saúde, os gastos públicos e as decisões tomadas durante a pandemia passaram a ocupar espaço no debate eleitoral.











