CENÁRIO HOMOSSEXUAL NO PI -

Gays dominam Centro de THE: conheça um pouco; veja rotina

Quem acha que a noite de Teresina se concentra praticamente na zona Leste está enganado. O Centro, da grande movimentação comercial de segunda a sábado, surpreende à noite. E quem domina a região é o público LGBT.

Os homossexuais de Teresina escolheram o Centro da capital para badalar à noite. Fazem suas festas por lá e agitam bares e boates. É uma situação bem diferente do que se via na Teresina de anos atrás, em que os gays viviam em guetos e afastados da sociedade.

É claro que o preconceito ainda existe. Mas diminuiu muito. O público LGBT até que frequenta bons bares, restaurantes e boates da zona Leste, mas uma boa parte prefere 'dar vida' e curtir a noite do Centro de Teresina. É lá que os gays de Teresina mais aproveitam para se divertir.

Para eles, o Centro de Teresina não é um refúgio. Gostam dali. "É um direito meu de amar. Posso amar quem quer que seja. Seja homem, seja mulher. E não existe hora e nem local para amar", disse o ator, bailarino e precursor do movimento Drag Queen em Teresina, Fernado Freitas. A equipe de reportagem do 180graus foi conhecer de perto a realidade do público gay.

A ideia é mostrar um pouco de como é a noite dos homossexuais na cidade. Perigo, medo, preconceito... tudo isso misturado à irreverência, glamour e bom humor. Essas pessoas que, por terem uma orientação sexual diferenciada do, digamos, 'convencional', sofrem agressões não só físicas, mas também psicológicas. Elas precisam lidar com aqueles que não concordam com o comportamento homossexual. Nos últimos dias, casos de agressões a homossexuais em São Paulo, por exemplo, assustaram o País.


Travestis se exibem no Centro de Teresina

BINE IUBITA
O que antes era proibido, feito de certa forma 'escondido', hoje já é bem mais aberto. O surgimento da festa 'Bine Iubita', em meados dos anos 90, foi importante para a diminuição do preconceito. Organizada pelo produtor Jorginho Medeiros a 'Bne Iubita' passou a ser escancarada pela sociedade como um evento festivo como qualquer outro. Ser ou admitir que é homossexual era um absurdo. “A festa começou com um público basicamente gay, e com o passar dos anos esse público aumentou e ainda hoje sendo realizado, reúne várias tribos, inclusive heteros. A festa hoje acontece no mês de julho e agora em dezembro, perto do Natal. Durante todo esse tempo de divulgação, 14 anos de realização desta festa, quebrou-se tabus”, disse o bailarino Fernando Freitas.

BAR PRECURSOR: PRIDE
Outro fator que impulsionou uma vida noturna homossexual mais aberta no Centro de Teresina foi o aparecimento de um espaço físico destinado exclusivamente para esse público. No final da década de 90 surgiu o bar Pride. “Até 1997 era muito velada a questão de festas para homossexuais. Geralmente os eventos eram realizados em lugares discretos. O Pride surgiu e mostrou que o público gay existe em Teresina. Durou mais ou menos 10 anos e deu um grande avanço no que diz respeitos a ambientes destinados exclusivamente a homossexuais. Funcionou na rua 24 de Janeiro e era aberto a todos. No início muitos gays diziam que não iriam ao bar, que seria exposição demais, mas com o passar do tempo essa barreira foi quebrada e passaram a freqüentar. O Pride teve essa responsabilidade de quebrar as barreiras. Os heteros simplesmente aceitaram. Foi algo natural", comentou Fernando Freitas.

BOITES & BARES
Geralmente Teresina não passa de uma ou duas boites voltadas exclusivamente ara o público gay. Nos anos 90 as casas de shows que existiam eram bem fechadas, os conhecidos 'guetos', (hoje esse termo até caiu em desuso). Não identificava o local para que nada fosse divulgado. Era medo do preconceito. Pouca gente sabia que existia festas e boates voltadas para os gays. Nesses locais fazem shows de transformistas, apresentações de stripers e DJs tocando músicas eletrônicas. Atualmente existem dois bares e uma boate na cidade para o público LGBT. Estão localizadas, é claro, no Centro. São eles: 'Lâmbida', 'Estacionamento' e 'Mercearia'. Ainda funcionam em locais discretos, sem muita divulgação ou alarde, mas hoje são casas de shows que boa parte da sociedade teresinense conhece. Tanto é que heterossexuais também frequentem o local.


Samantha Menina precursora do movimento Drag Queen em Teresina

SAMANTHA MENINA E SHAYANNE VERSATI
Precursora do movimento drag queen em Teresina, Fernando Freitas virou Samantha Menina e começou a destacar-se quando foi convidada para recepcionar a festa Bine Iubita. Desde então se tornou uma figura conhecida do enário gay na capital. Já participou de programas, fez apresentações e já foi até 'vitrine viva' da loja de Gisela Falcão na inauguração do Teresina Shopping. Tem- se diminuído muito, haja vista que quando comecei a freqüentar bares foi na década de 80. O quê se percebe é uma maior visibilidade em questão de informação, divulgação em sites, jornais e TV’s, antigamente não existia isso. Já viajei por quase todo o Brasil e a impressão eu tenho é que Teresina é uma das capitais mais abertas e que respeita a diversidade”. Outra figura conhecida: Shayanne Versati. É travesti e profissional do sexo há 11 anos. Ela se caracteriza como polêmica. “Eu não deixo ninguém me fazer de palhaço. Olha travesti adora polêmica. Nem todas, mas a maioria sim. E eu sou uma delas. Quando um cliente não quer pagar o combinado digo logo que vou chamar a polícia, a reportagem e até mesmo ligar para a mulher do cara", disse Shayanne Versati. A noite para travestis que se prostituem envolve uma mistura de risco e prazer. Ao se expor, estão suscetíveis a agressões. “Alguns meses atrás sai com uma cara de moto. Ao terminar o programa ele só tinha metade do preço combinado. Eu fui pra luta. Brigamos e ele chegou a me agredir com o capacete. Mas eu também não deixei barato", comentou Shayanne sobre os riscos que corre na noite teresinense. Ao ser indagado por qual motivo quis trabalhar, como ela chama 'profissional do sexo', é categórica: “Eu faço porque gosto. Trabalhar a noite me atrai. Sempre gostei da noite e nunca gostei de depender dos meus pais. Ganho dinheiro e vivo as minhas custas fazendo o que gosto".


Shayanne Versate se diz uma 'profissional do sexo'

FIQUE POR DENTRO DAS DIFERENÇAS
Dentro do grupo dos homossexuais existem classificações. Muitas pessoas não sabem que existem as diferenças, por exemplo, entre transformistas e transexuais. Fernando Freitas, que é na verdade Samanth Menina, explicou a que grupo de homossexuais se refere algumas denominações.
-TRANS: é um artista que se veste de mulher pra fazer shows e que durante o dia são pessoas comuns. Eles se inspiram em grandes divas como Marylin Monroe. Procuram estar sempre muito bem vestidas e elegantes. Eles buscam estar o mais próximo possível da aparência feminina.
-Transexual: são aqueles que por pensarem como mulheres, e agirem como elas passam por uma intervenção cirúrgica para mudar de sexo. Essa cirurgia é um problema de saúde publica por isso o SUS disponibiliza a cirurgia, isso porque muitos homossexuais, não conseguem conviver harmoniosamente com seu órgão genital, muitos tem nojo e chegam a decepar ou partem para o extremo: o suicídio, por não aceitar seu órgão genital.
-Travesti: estes se diferenciam dos transexuais por não terem problemas com o órgão genital. Eles são ‘mulheres com órgão genital masculino’. Se vestem, agem, transformam o corpo para se sentirem mulheres, porém continuam com seu órgão genital.
-Drag Queen: estes prezam pelo exagero, seja na forma de se vestir, maquiar e se comportar. Para eles existe o ‘montar’, usam seios pórticos, perucas, cílios grandes, muitas cores enfim, tudo muito chamativo.

Fonte: None

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