Foi um longo caminho · 13/09/2008 - 08h06

Batuque Elétrico fala tudo sobre o lançamento de seu primeiro CD

'O mundo é um chip' será lançado nesta quinta, e a Batuque conta um pouco de sua história


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40 dias e 40 noites trabalhando para o show da próxima quinta no Theatro 4 de Setembro. Produção, divulgação, idéias. Som, iluminação, projeção. instrumentos, músicas, performances no palco. Tudo tem que está perfeito para o lançamento do 1º CD da banda Batuque Elétrico, batizado de 'O mundo é um chip'. 9 artistas convidados, família, amigos, gente que participou ou acompanhou de perto a tragetória de uma banda que, definitivamente, não faz um batuque qualquer. E, nada pode dá errado, afinal, não se trata apenas do lançamento de um cd, mas sim da reunião de toda uma história, e que é apenas a primeira parte dela.

A Batuque é o tipo da banda que, embora você não conheça, quando ouvi-la tocando vai saber que é o seu som. Afinal, características únicas da banda é o que não faltam. De batucadas entre amigos realizadas na casa de Ricardo Totte, vocalista, a banda ganhou nome e forma no ano de 2001. 'O projeto inicial era fazer um curta, mas aí acabamos decidindo montar uma banda', conta. A banda surgiu na verdade, lembra Totte, pra participar do Festival de Música da Vila Operária, onde concorreram e ganharam com a primeira música autoral da Batuque que mais tarde daria nome ao CD - 'O mundo é um chip', de George Paes, primeiro vocalista da Batuque.

Dá reunião de amigos no famoso Bar do Churu, surgiu o desejo de expandir o cenário da música autoral na cidade. O bar, que já era ponto de encontro dos músicos da cidade, passou a ser casa de show e abriu espaço para muitas outras bandas que a partir de então surgiriam. 'A gente sempre se reunia lá, pra tocar com os amigos, conversar, mas daí a pensar em fechar o Churu para shows foi um progresso.', explica Totte. Logo depois, surgiriam outros bares interessados em botar a música piauiense pra aparecer. E desde então, o negócio não parou mais.

Com uma batucada percussiva e letras-poesias, a banda tem conquistado o público teresinene de uns anos pra cá. 2006: 'É, podemos dizer que foi O ANO da Batuque', lembra Ricardo Totte. A Batuque resolveu gravar uma demo, que passou a ser divulgada entre amigos. Mas só isso não era o bastante. 'Toda vez que a gente ia tocar em algum lugar eu levava umas 50 demos e destribuia pro público e pros caras da mesa de som. As pessoas iam ouvir de maneira ou de outra a nossa música', conta Totte. Marlon, da Marlon e os Brandos, fez com que a demo dos amigos caisse nas mãos do empresário Marcus Peixoto. Já tinham quase perdido as esperanças, quando, um dia antes das classificatórias Piauí Pop, a Batuque foi escalada. Lá mesmo receberam a notícia, que, a primeira vista, pareceu-lhes uma bomba: iam abrir o Piauí Pop daquele ano!

'Fizemos o show para 1 pessoa.', lembra Totte em meio a gargalhadas. 'Além de ser muito cedo, deu problema nas catracas da entrada do evento, e quando eu consegui avistar um grupo de pessoas chegando próximo ao palco, eu já tava dizendo 'Obrigado pessoal, boa noite!'. Mais risos na redação. 'Fiquei um pouco deprimido, achando que tinha dado tudo errado naquela que teria de ser nossa melhor apresentação.', continua. Mas Totte estava enganado. Todos os veículos de comunicação deram ênfase a banda que abriu o Piauí Pop 2006, e de repente, a Batuque estava em todos os jornais e portais da cidade. 'Parecia até banda vindo de fora da cidade!', lembra Totte com entusiasmo. Ligações e convites apareceram de todos os lados para a Batuque. A rádio FM Cultura, que até então só tocava a música Batuque Song, ligou para a banda atrás de mais material. Em pouco tempo, outras rádios também começaram a colocar o som da Batuque pra rolar. E, pronto, todo mundo na cidade já sabia o que era e como se fazia um Batuque Elétrico.

Em sua 10ª formação, além de Ricardo Totte no vocal, a banda conta com Kilson Nunes no baixo, Társio Martins na guitarra, Alê Pinheiro na percussão e o recém chegado, Del Braga, na bateria. Todo mundo, contribuindo um pouquinho com suas influências de ritimos, constrói o que hoje é a sonoridade inconfundível da Batuque. Alê Pinheiro, por exemplo, 'a menininha da banda', como é carinhosamente chamada pelo público, foi responsável por uma mudança sonora na banda, quando entrou na formação com sua batida percussiva. 'Eu fazia pequenas participações em várias bandas, mas na Batuque eu me encontrei, e resolvi ficar', confessa sorridente.

Com esse salto nos últimos 3 anos, a Batuque começou a colecionar grandes festivais e eventos nas costas: Piauí Pop, Salão de Humor, Teresina É Pop, Festival de Oeiras, e o Amostra Cumbuca Cultural, da qual é também idealizadora. 'A gente queria mostrar que tinha outras coisas acontecendo também na cidade, e que o movimento de música autoral em Teresina continua', explica Totte. E Alê anuncia: vem parte dois por aí! 'A gente tá querendo reunir essa galera de novo, fazer algo maior, mais bandas, mais gente. Esse fim de ano a gente tá focado no lançamento do cd, mas pro próximo ano, podem esperar: tem Cumbuca 2!'

Não tão difícil de perceber, quem for para o 4 de Setembro na quinta-feira(18) conferir o lançamento do CD da Batuque, pode ir esperando bem mais que um show. O que vaia contecer na verdade, é uma reunião de amigos e gente que lutou pela produção de música na nossa cidade. 'Na verdade, esse show foi a forma que encontramos de reunir todo mundo pra dá o nosso muito obrigado', diz Totte.

Então, vale anotar pra não esquecer: Quinta-feira, dia 18, as 20h no Theatro 4 de Setembro. Os ingressos estão sendo vendidos na Toccata discos e Loja Joel da Praça Pedro II pelo preço de 5 reais. E, pra quem já quiser, o CD vai está sendo vendido na hora com direito a autógrafo e tudo o mais! 'Fala das projeções, Totte!', lembra Alê, ao que ele responde brincalhão: 'A Alê quer estragar as surpresas...'. (Risos). Que nada, com sorte, ninguém nem vai lembrar disso. Aliás, se essa galera tem contado com sorte ou uma ajudinha divina, pouco importa. Porque, se o mundo é realmente um chip, a Batuque vai continuar fazendo acontecer até mesmo aquilo que, a vista de qualquer um, parece ser o mais improvável ou impossível por muito e muito tempo.