
Veja cartas deixadas em ONG de BH por mulher que fingia ter 12 anos
Cartas escritas à mão, desenhos coloridos e mensagens repletas de carinho fazem parte do material guardado por Delma Soares, diretora do Projeto ComPaixão, em Belo Horizonte. Os documentos foram deixados por Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que ganhou repercussão nacional após ser descoberta fingindo ser uma adolescente de 12 anos para conseguir acolhimento em instituições sociais. As informações são do Metrópoles.
Amanda permaneceu vinculada ao projeto entre 2017 e 2018, período em que se apresentava como “Karol”. Na época, ela afirmava ser uma adolescente vítima de abandono familiar e violência sexual. Em diversas cartas, chamava a diretora da instituição de “Tia Delma” e demonstrava gratidão pelo acolhimento recebido.
Em uma das mensagens, Amanda descreve Delma como uma pessoa especial em sua vida. “Você para mim é uma heroína. Mesmo eu tendo ainda medo, sei que é boa e eu já te amo muito”, escreveu.
Os bilhetes também registram agradecimentos pelos presentes recebidos durante o Natal. Em um dos trechos, ela afirma que nunca havia vivido uma experiência semelhante. “Foi um conto de fadas para mim. Nunca tive uma cestinha de Natal. Nunca ninguém fez por mim o que você fez por mim”, relatou.
Nas correspondências, Amanda reforçava a história que contava às pessoas que a acolhiam. Ela dizia ter sido vítima de abusos e abandono familiar e, em uma das cartas, chegou a mencionar um suposto filho que teria ficado com o pai, relatando sentimentos de culpa por estar recebendo ajuda enquanto a criança permanecia distante.
O caso ganhou repercussão nacional após Amanda ser presa em Santa Catarina, onde novamente teria se passado por uma adolescente para obter acolhimento. Segundo Delma Soares, ela chegou ao Projeto ComPaixão por indicação de uma voluntária e apresentava relatos detalhados sobre situações de exploração, violência e abandono.
A diretora afirma que nunca desconfiou da verdadeira idade de Amanda. De acordo com ela, a linguagem utilizada era compatível com a de uma adolescente, além de demonstrar forte carência emocional e medo constante de ser abandonada.
Apesar da descoberta da fraude, Delma avalia que o caso envolve questões que vão além da esfera criminal. Para ela, embora eventuais crimes devam ser apurados pela Justiça, a situação também levanta discussões sobre saúde mental e vulnerabilidade social.
“Se ela cometeu crimes, precisa responder por eles. Mas eu também enxergo uma questão séria de saúde mental. As pessoas transformaram tudo em meme, mas não conhecem toda a história”, afirmou.










