O colorido de Nonato Oliveira
O artista sempre quis que suas obras fossem vistas pelo povo
Autor: Vanessa Mendonça
O colorido dos murais do artista plástico Nonato Oliveira são marca registrada de Teresina. Porém, estão ficando cada vez mais raros. Com a necessidade de espaço e modificações arquitetônicas, painéis feitos em prédios públicos e privados estão sendo derrubados, deixando a paisagem da capital com mais concreto e menos arte.
Órgãos públicos, igrejas, moteis; por toda a cidade de Teresina é possível ver as cores fortes de Nonato,que refletem o folclore, a religiosidade, os hábitos e o cotidiano nordestino, especialmente do piauiense. Cidades como Fortaleza (CE), São Luís (MA), Belém (PA), Goiânia (GO), Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ), Madri (Espanha) e Lisboa (Portugal) também tem murais do artista.
Aos 63 anos de idade e 40 de carreira, Nonato Oliveira sempre se preocupou em fazer com que suas obras fossem vistas pelo povo. “Faço muitos trabalhos para o povo, além dos ricos, museus, casas de cultura, gosto de meus quadros nas ruas para o povo ter acesso”, afirma Nonato Oliveira.
Dois painéis do artista na Avenida Frei Serafim foram destruídos - um deles foi “azulejado”. Nas proximidades do Troca-troca, tradicional ponto turístico de Teresina, um mural de Nonato foi destruído quando da construção do Shopping da Cidade. O painel do Centro de Convenções de Teresina, hoje com obras de reforma paralisadas, já teve de ser restaurado pelo artista por três vezes.
“Quando vejo um quadro destruído, vou lá e restauro. Quando derrubam, sinto uma perda, especialmente quando é uma obra dirigida para o povo ver”, relata.
Nonato Oliveira já tem o próximo mural em mente. Será construído juntamente com alunos do Centro Municipal de Educação Infantil Vila Pantanal II. O artista fará os desenhos e as crianças farão a pintura. “Esse será uma doação. Vou recortar os desenhos e marcar as cores, e as crianças vão pintá-lo”, conta Nonato Oliveira.
Nonato: talento e dedicação à arte
Natural de São Miguel do Tapuio, Nonato Oliveira estudou arte na França. Quando menino, usava restos do material de trabalho do pai, que era pedreiro, para pintar e criava tintas a partir da extração de pigmentos de urucum e casca de angico.
O passaporte para Paris veio com uma série de 17 telas produzidas sobre a Guerra de Canudos, levadas para uma exposição no Rio de Janeiro. Com a série, veio uma bolsa de estudos na França. Hoje, o artista já soma mais de 80 exposições, individuais ou coletivas, no Brasil e no exterior.
Incluindo quadros, painéis e esculturas, Nonato Oliveira estima já ter executado mais de quatro mil trabalhos, que estão espalhados por todo o Brasil, Europa e Estados Unidos. “O último trabalho que faço é sempre especial”, ressalta o artista, que ainda mantém a pintura em sua rotina. “Todo dia eu pinto. Há dias que pinto até a noite. Chega o Programa do Jô (da Rede Globo, que tem início por volta da meia noite) e eu estou pintando”, acrescenta.
Fonte: None











