Treinar ao invés de reclamar
O mercado piauiense se ressente de profissionais qualificados. É muito comum nos depararmos com empreendedores desfiando um rosário de reclamações pela falta de gente treinada.
Por que os empresários não treinam? Primeiro, porque acham difícil. Não sabem por onde começar, ou mesmo porque a missão de treinar nem lhe passa pela cabeça. É como se isso fosse algo muito além do seu alcance. Segundo, por acharem que tal tarefa cabe ao poder público e, terceiro, por receio de treinar e depois perder o profissional, já que o conhecimento e as habilidades adquiridas não podem ser sacados do colaborador assim que este deixe a empresa. Esquecem que não são as empresas que fazem negócios com os clientes e, sim, as pessoas é que fazem negócios com as pessoas.
Por experiência própria, posso afirmar que treinar é bem mais fácil do que a maioria dos empresários pensam, mas é necessário decisão, atitude e perseverança.
Há várias maneiras para fazer treinamento. Podemos enviar os colaboradores para fora do estado, ou aproveitar os cursos e palestras, que aqui chegam periodicamente, ou, ainda, fazer nossas próprias capacitações. Faço no 180 das três maneiras, com ênfase para o treinamento in company. Para isso, existe no mercado uma infinidade de conteúdos disponíveis, como os vídeos, por exemplo.
Possuímos um confortável auditório com 50 lugares. Para se ter uma ideia, temos aulas de Português, com especialistas, às terças, quartas, quintas e sextas-feiras, sendo inglês, das 6h40 às 8h10, às segundas-feiras. Os sábados reservamos para os treinamentos sobre vendas e negociação, como usar melhor o dinheiro do salário, como fazer intercâmbio pago pelo poder público, e, para as mulheres, sobre cabelo, maquiagem, como se vestir melhor gastando menos... Além disso, organizamos muitas palestras ministradas pelo nosso pessoal mais experiente.
Gosto de treinar pessoas. Minha empresa é, reconhecidamente, a que mais treina no Piauí. Muitos profissionais que por aqui passaram são disputados, no mercado, tanto pelo conhecimento adquirido, como por terem se tornado mais disciplinados e multitarefas.
O que ganhamos com isso supera, exponencialmente, as perdas. Estamos construindo uma forte cultura. Esse é um processo interessante, pois, no começo, parecia algo complicado e quase impossível de se obter êxito. Treinar gente e perder parece inaceitável. No entanto, temos um ambiente de cultura corporativa que eleva a nossa produtividade a níveis cada vez mais satisfatórios.
Aqueles mais antigos vão passando conhecimento aos novos e tudo vai fluindo melhor. Investimos muito em novos profissionais com idade entre 18 e 23 anos. Adotamos o job rotation. Assim, eles trabalham em vários setores, adquirindo habilidades múltiplas, além de conhecerem a fundo toda a empresa, os processos internos, aderindo à cultura. Tudo isso cria uma fantástica sinergia entre as equipes, conseguindo excelentes resultados, com lucros cada dia melhores.
Desse modo, invisto, constantemente, em treinamento sem medo de errar. Mesmo que um profissional se vá, boa parte de seu conhecimento é compartilhado, contribuindo para a construção da nossa cultura, tornando-a mais consistente e fortalecendo a empresa.
Por Helder Eugênio
HELDER EUGÊNIO é diretor geral do maior portal do Piauí, 180graus. Natural da cidade de Campo Maior, é advogado, formado pela Universidade Federal do Piauí (UFPI) e pós-graduado em Marketing Político. Possui vasta experiência no jornalismo e no empreendedorismo local. Sua maior paixão é treinar pessoas.
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