SABATINA 180: 'Vamos legalizar e controlar qualquer droga'
O candidato Daniel Solon (PSTU), foi o quarto entrevistado na Sabatina 180. Solon esteve na sede do 180, onde durante mais de uma hora falou sobre diversos temas polêmicos e criticou seus adversários.
Um dos pontos fortes da entrevista diz respeito a legalização das drogas. O candidato afirma que uma das melhores formas de combater o tráfico e acabar com o monopólio da droga que está concentrado nas mãos de vários traficantes, é legalizar o uso de qualquer droga, mas que o estado deverá manter um controle sobre a qualidade da produção.
Por outro lado, o candidato atacou ferozmente, os adversários Zé Filho (PMDB), Wellington Dias (PT) e Mão Santa (PSC). Segundo ele, todos fazem parte do mesmo grupo político e governam para os ricos. Solon atacou a maneira com é gerida a saúde, a educação, a segurança, e as demais áreas. Entre as diversas acusações, o candidato acusa ainda o ex-governador Wilson Martins (PSB), de ter comprado uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) e dado para a esposa, a ex primeira-dama Lílian Martins. Firmino também foi alvo do candidato. De acordo com Daniel Solon, o prefeito contratou empresas sem licitação após ter recebido doações para sua campanha vitoriosa de 2012.
ASSISTA COMO FOI A ‘SABATINA 180’
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180 - Quem é o senhor? Como pessoa e como político? O senhor é piauiense?
Solon - Meu nome é Daniel Solon, sou militante do PSTU desde 1997, antes disso eu militei no PT, dois anos antes, comecei na política ainda na adolescência, participando de lutas como o ‘Fora Collor’, em Sobral no Ceará, onde eu nasci. Lá também participei da luta estudantil contribuindo no processo de criação da União Municipal dos Estudantes Secundaristas, e em 94 vim à Teresina para estudar Comunicação Social e a partir daí, do curso da UFPI, ingressei no movimento estudantil da universidade, fui diretor do DCE, e me formei em Jornalismo, depois fiz especialização em Comunicação, mestrado, trabalhei em alguns jornais aqui de Teresina, como o Meio Norte, o Diário do Povo, Jornal Agora, em algumas assessorias de imprensa de sindicatos, e minha história é praticamente a mesma que de muitos militantes do PSTU. São trabalhadores, jovens e estudantes, que se dedicam a uma causa, que é a construção do socialismo, e fazem isso com muito afinco, então nós dedicamos nossas vidas a esse projeto.
180 - O senhor é casado? Tem filhos?
Solon - Sou casado, tenho dois filhos do primeiro casamento, e pretendo ter mais alguns filhos.
180 - O senhor torce para quais times, aqui no Piauí e em nível nacional?
Solon - Costumo sofrer muito em relação ao futebol. No nível nacional sou botafoguense, sou Guarany de Sobral, campeão da série D, em 2010, e aqui no Piauí, meu coração se divide entre River e Piauí. Quando os dois jogam eu torço para que dê empate. Não gosto de assistir futebol pela Televisão porque dar sono, mas no estádio é muito interessante.
180 - Qual seu filme e Livro preferido?
Solon - Gosto muito de ler e assistir filmes, não saberia te dizer qual o melhor filme e qual o melhor livro. Depende do momento, para a gente dizer qual filme gosta mais. Mas, leio de tudo, desde o romance até a teoria política, filosofia. Último livro que li e que recomendo bastante éuma biografia do Marx, de Franz Mehring, que é uma obra belíssima recentemente lançada pela editora Sundermann, é uma obra que mostra o lado filósofo e familiar do Marx, os dramas e dificuldades que ele tinha, por ser filósofo e ao mesmo tempo militante, e sobreviver duramente para construir, por exemplo, uma Internacional dos Trabalhadores e um projeto do Socialismo. Filmes eu tenho vários, mas de imediato indicaria um que é belíssimo, Pão e Rosas, de um cineasta inglês, ele é um dos melhores nomes do cinema mundial.
180 - O senhor é vaidoso? Qual perfume usa?
Solon - Não sou vaidoso, raramente uso perfume. Quando uso é alguém que me lembra, geralmente minha esposa. Não sei qual perfume, mas hoje estou usando.
180 - Qual a marca do seu carro?
Solon - É um carro popular, 1.0, de quatro portas, bastante simples. Meus amigos até brigam comigo, porque dizem que eu devia pelo menos instalar o sensor automático de abertura de portas, que até hoje ainda não tive de instalar.
180 - O senhor e contra ou a favor do aborto?
Solon - A questão do aborto deve ser encarada como um tema de saúde pública. Ele já existe hoje. Existe a previsão legal de aborto, quando a gestação implica em perigo para a mãe, ou em caso de estupro, esses dois mesmo sendo previstos legalmente, as mulheres são altamente constrangidas na hora de exercer esse direito, são inclusive desestimuladas quando chegam ao hospital ou quando chegam a uma delegacia para fazer B.O após um estupro, e elas sofrem bastante com o machismo, e aí que eu decido romper com uma gravidez, mesmo com essa previsão legal. Nós do PSTU acreditamos e defendemos que a decisão sobre a questão do aborto, cabe a mulher, independentemente do motivo que ela tenha para querer romper a gravidez esse motivo deve ser respeitado e essa vontade deve ser respeitada. O que acontece hoje é que existe um grande número no país de mulheres que fazer abortos mal feitos, sem qualquer assistência médica adequada. Sobretudo as mulheres pobres, trabalhadores, negras, que sofrem todo tipo de preconceito, que vivem problemas sociais gravíssimos e que sem o amparo do estado tentam fazer isso clandestinamente, e acabam morrendo por conta disso. O que nós defendemos é que essa mulher seja descriminalizada e tenha o mesmo direito que as mulheres ricas têm hoje. Elas têm clínicas especializadas para isso e fazem o aborto com toda segurança, com acompanhamento e que não vai ter provocar nenhum problema de saúde para ela. Então o que nós defendemos é que a mulher que decida por qualquer motivo fazer um aborto, que ela tenha o direito de fazer isso gratuitamente, com toda assistência médica, psicológica, através do SUS.
180 - Então se o senhor for eleito, vai disponibilizar esses espaços para realização de abortos gratuitos?
Solon - É o que nós defendemos. Se tiver que mudar a lei, que fazer uma mobilização nacional para fazer isso, nós vamos fazer. Mas, de imediato temos que garantir total assistência para as mulheres. Claro, a mulher fazer um aborto como método contraceptivo não é prazeroso para ninguém. Não defendemos também o aborto como um método contraceptivo. Ninguém defende isso, o que nós defendemos é que em caso da mulher ter que fazer um aborto, por qualquer motivo que seja, o estado possa garantir isso de forma gratuita e segura, para que ela não morra e sofra as consequências.
180 - O senhor e a favor ou contra o uso da maconha?
Solon - Política proibicionista do uso de drogas não tem dado efeito em lugar nenhum. O simples fato de proibir ou não, independente da droga que seja as pessoas vão usar. Não é pelo fato de que seja proibida que vá dificultar o acesso a droga. Nós sabemos dos efeitos do uso, principalmente do uso abusivo, mas nós temos que combater o tráfico. Como tirar das mãos dos traficantes o monopólio das drogas? Legalizando todas elas, independente de qual seja ela, e que o estado tenha um controle da produção e da qualidade da droga. Porque um dos maiores riscos que os usuários sofrem hoje é o fato de estarem dependentes dos traficantes, as vezes se submetem a prostituição, a realizar crimes, e consomem drogas com qualidade perigosíssima, com produtos misturados a outros nocivos, desde o uso da maconha até o uso de qualquer outra droga e que causa um risco muito grande para saúde dessas pessoas. Defendemos que droga não deve ser tratado como um caso de polícia, mas sim de política pública, e de saúde, e que as pessoas que se tornem dependentes químicos e que abusem do uso possam ter direito ao tratamento, se quiserem, porque a gente não defende o direito da reclusão involuntária das pessoas, como acontece em outros centros, onde muitas pessoas são retiradas a força para fazerem o tratamento. Existem estudos que mostram que apenas 3% das pessoas que são retiradas a força para fazerem tratamento para sair das drogas eles conseguem sair, 97% não tem nenhum sucesso quando não parte dele a vontade de sair daquela situação.
180- O senhor é a favor do beijo gay?
Solon - Acho que falta mais isso na televisão. Creio que deveria ser em todos os momentos, em todas as programações da televisão, nos comerciais. Porque aparecem nos comerciais um homem e uma mulher dando beijo e não podem aparecer dois homens ou duas mulheres manifestando carinho? Então, eu acho que algumas coisas foram naturalizadas em nossa mídia que poderiam ter sido. Às vezes a gente se choca com a imagem dois homens ou duas mulheres se beijando, dando selinho, e a gente se choca ao ver nas novelas, mas acha completamente natural que dois homens em um ringue se matem ao vivo, espirrando sague na tela da televisão, isso a gente ver naturalmente. Porque é natural vermos duas pessoas se agredindo, inclusive levando até o risco de morte, tudo em nome do dinheiro e uma demonstração de carinho não pode acontecer? É uma situação que se você for analisar é completamente irracional, então o que nós defendemos é que a livre orientação sexual das pessoas deva ser respeitado e que o estado criminalize com mais força, com rigor, os atos, praticados sem tolerância, contra a livre orientação sexual. Por isso defendemos aprovação do PLC 122, no teor original que criminaliza a homofobia.
180 - O senhor é a favor da criação do estado do Gurguéia?
Solon - O estado já e dividido, desde que foi criado dividiram entre os ricos e pobres, são os que detém os meios de produção, as terras, as fábricas, o domínio sobre a água, e sobre tudo que existe no estado do Piauí, enquanto tem outros que não tem nada, não tem acesso a educação pública de qualidade, a saúde pública de qualidade, ao lazer, a cultura, ou seja, o Piauí está dividido a muito tempo, o que nós precisamos é construir um estado para classe trabalhadora, onde os direitos que foram historicamente negados ao povo pobre do Piauí sejam garantidos. Se fossemos fazer uma divisão por conta da insatisfação das pessoas do Sul do estado, e essas insatisfações são justas realmente, porque não tem saúde pública de qualidade, não tem educação pública de qualidade, nem reforma agrária, nem condições de desenvolvimento social que as pessoas precisam, se fossemos levar tudo isso em consideração para dividirmos o estado, o Piauí seria dividido em cinco pedaços, porque esses problemas existem em todas as regiões, no Norte por exemplo reclamam muito da falta de água, de energia, falta de perspectiva de crescimento social das pessoas, enfim, a reforma agrária, saúde, educação, então, para resolver todos os problemas sócias do Piauí, não é dividindo ou criando vários estados ou municípios, é exatamente garantindo que as riquezas aqui existentes sejam investidos na melhoria de vida da maioria da população que é desprovida desses direitos.
180 - Qual a bandeira defendida pelo PSTU?
Solon - São várias, mas o que a gente tem acompanhado nas ruas é a insatisfação por conta da precariedade da saúde pública. A gente tem feito algumas caminhadas em postos de saúde e hospitais, muito cedo, por volta das 5, 6h, agente ver o mesmo cenário dos outros hospitais. E qual o cenário? Pessoas dormindo nas portas dos hospitais, para receberem um atendimento. Eles dormem na porta do hospital para o clínico geral, que são atendidas com uma semana depois, pra depois ele dizer qual a especialidade que ele deve procurar. Então essa é a realidade do povo pobre, que procura a saúde pública. Esse é um tema que a gente bate bastante. O estado do Piauí é obrigado a investir pelo menos 12% do orçamento na saúde pública, isso é que tá regulamentado através da emenda constitucional número 29, só que é muito pouco e parte dos 12% não vai nem para saúde pública, acaba indo para grupos filantrópicos e entidades privadas. Ou seja, dinheiro público incentivando a privatização de um direito. O que nós defendemos é a ampliação do orçamento, de 12 para 30%, e a construção de prontos-socorros para aumentar a cobertura que hoje as pessoas estão morrendo por falta de leito de UTI, é desumano a gente ver que cinco pessoas morrem por dia em Teresina por falta de leito em UTI, enquanto que existem hospitais privados especulando com leito de UTI, então, não dar pra conceber isso. O que nós defendemos também é que hospitais privados como o São Marcos e outros, eles sejam estatizados, mas aí as pessoas perguntam: Mais vai ser igual o atendimento que é hoje, eu vou ter que dormir na fila para receber atendimento no São Marcos? Não, nós vamos garantir os recursos e lutar por um aumento de 10% do PIB, em nível Nacional, como defende nosso candidato Zé Maria, nós vamos garantir e ampliar os atendimentos na ponta, como por exemplo nos hospitais, nos leitos, estatizando alguns hospitais e garantindo boa qualidade nos serviços, acabando com filas de espera e com a demora na fila de atendimentos para marcar consultas, exames, e até cirurgias, mas ao mesmo tempo temos que atender a questão básica, o atendimento bem lá no início, nos municípios, evitando que as pessoas venham para Teresina, garantindo que os hospitais regionais funcionem, que os postos de saúde funcionem, que a UBS funcionem e garantir o saneamento básico. Apenas 4,5% dos domicílios piauienses tem acesso a uma rede de tratamento de esgoto, é o pior índice nacional. As ameaças a saúde que as pessoas são acometidas por conta da falta de saneamento básico é enorme, então se a gente investe em saneamento nós também estamos investindo em saúde. Para cada real que nós investimos em saneamento, nós estamos economizando quatro reais que seriam usados no tratamento de doenças, segundo a Organização Mundial de Saúde. Alguns governantes afirmam que é muito caro fazer obra de saneamento, mas, caro é tratar doença por falta de saneamento básico.
180 - Qual a diferença de Daniel Solon para os demais candidatos?
Solon - Nossa candidatura não representa um indivíduo. O Daniel que tirou da cabeça a ideia de ser candidato e defender determinadas propostas, não foi. Nossa candidatura foi uma decisão coletiva, pensada dentro do PSTU, que se reuniu democraticamente e decidiu que neste momento eu seria o nome para representar o partido nessa tarefa importante, que é de ser candidato a governador. Tenho convicção de que o nosso programa, o nosso projeto de governo é o melhor para classe trabalhadora, não que necessite de ajustes, mas é o que a gente compreende que ataca os problemas radicalmente no sentido que de temos que combater as coisas pela raiz. Portanto não vamos melhorar a saúde pública sem garantir investimentos na saúde pública e também sem atacar os privilégios da saúde privada. Nós não vamos garantir educação de qualidade se não investirmos e tirar dinheiro que está sendo investido na expansão do ensino privado. E assim vai, para construirmos moradias, fazer saneamento, para garantir creches, escolas e hospitais, nós vamos precisar de uma empresa para fazer essas obras e não vamos fazê-las com empreiteiras, nós defendemos a criação de uma empresa pública de obras, para tocar essas obras, fazendo inclusive com que as obras sejam mais baratas, porque a maioria das que a gente ver hoje é superfaturada, e tem a história dos 20% de comissão da corrupção, enfim, criando uma empresa pública nós garantimos mais empregos na construção civil, e barateamos a obra. Para resolver o problema da falta de comida, e hoje nos nossos supermercados, praticamente 90% do que consumimos vem de fora, temos que fazer a reforma agrária, tirando a terra de grandes latifundiários e distribuir entre os trabalhadores camponeses, que precisam da terra para produzir. Nós não podemos nos orgulhar de sermos o segundo maior exportador de grãos do Nordeste para a Europa, a gente tem que se orgulhar é que essa terra pode gerar milhares de emprego, gerar renda para milhões de piauienses, que eles possam produzir o alimento bom e barato que garanta o sustento dessas famílias e de milhares de piauienses.
180 - Entre seus adversários, qual a pior opção para o eleitorado piauiense e por quê?
Solon - Qual a diferença da candidatura do PSTU, por exemplo, para as candidaturas do PSDB, PMDB e do PT? Primeiro de tudo é a escolha que fazemos sobre qual setor vamos atender. Os candidatos que dizem que vão governar para todos estão mentindo, eles vão continuar a governar para os ricos. Não dá para governar para todos. Então o que é que o PSTU diz: Nós vamos governar para a classe trabalhadora, com a classe trabalhadora. Isso quer dizer que para garantir a melhoria de vida da população, trabalhadores, o povo pobre e a juventude, nós temos claramente um lado, e é o lado que podemos cortar na carne o que pode ser cortado, das grandes empresas, dos latifúndios, cortar os benefícios, as regalias, dos políticos, dos deputados, dos próprios membros do governo do TCE, da Justiça, e fazer com que os recursos sejam gerenciados no sentido de melhorar a vida do povo pobre. Para isso, precisamos ter independência política e financeira frente aos governos e aos patrões. O PSTU é o único partido do Brasil que entrou com a OAB naquela ação direta de inconstitucionalidade no STF, questionando a doação de campanha, a doação privada de empresas em campanhas eleitorais, porque isso? Porque nós acreditamos a corrupção já começa nessa fase, a fase da campanha eleitoral. Uma empresa que doa dinheiro para um partido, para um candidato, ela não faz isso por gostar do candidato, ela faz isso para que o candidato governe para essa empresa. Na eleição de 2012, o candidato a Prefeito de Teresina, Firmino Filho, recebeu R$ 500 mil de doação de campanha de uma empresa coletora de lixo, do Rio Grande do Sul, se não engano era Companhia Riograndense de Resíduos Sólidos. E o que ele fez após ser eleito? Ele rompeu o contrato com a Sustentare, que coletava o lixo em Teresina, e contratou em regime de urgência e usando esse artifício sem licitação, uma empresa sócia da que fez a doação na campanha, e não foi R$ 500 mil o contrato com essa empresa, foi de R$ 3,5 milhões por mês para fazer um péssimo serviço em Teresina. Então é assim que funcionam, as empresas veem as candidaturas como investimento para depois faturarem. Outras empresas não precisam nem ganhar contrato elas se beneficiam através da política de isenção fiscal. Nós sabemos também que vários doadores de campanha tem isenção fiscal aqui no estado do Piauí, e é uma realidade gritante. O estado que diz não ter dinheiro para investir na saúde pública, na educação, na segurança, no saneamento, o estado que nega direitos ao povo pobre, aos estudantes, a classe trabalhadora, é o estado que por exemplo isenta as grandes empresa de pagar impostos. Eu, você, todos nós pagamos diariamente nossos impostos, comprando feijão, pão, o açúcar, enfim, a gente não está livre dos impostos, mas o que as grandes empresas deixaram de pagar de impostos nos últimos anos é uma quantia absurda. Em 2012, a isenção de impostos chegou a R$ 182 milhões, em 2013, esse número saltou para R$ 292 milhões, e em 2014 a previsão é que o estado deixe de cobrar das grandes empresas R$ 310 milhões. Para quem nossos governantes governam? Para as grandes empresas, isso é claro com essa política de isenção fiscal. Qual seria a pior para nós do PSTU? É manter o atual governante ou reeleger quem já passou pelo Karnak, já demonstrou que governou e governa para os ricos.
180 - O senhor incluiria os nomes de Zé Filho, Mão Santa e Wellington Dias?
Solon - Incluiria os três, e fizemos até uma comparação sobre a situação que é colocada hoje para a juventude, que a gente tem falado que é a história do ‘Nem Nem’, do jovem que nem estuda, nem trabalha. É um problema social gravíssimo e que para combater seria necessário abordamos a história do ‘Nem Nem Nem’. Nem Zé Filho, Nem Mão Santa, Nem Wellington Dias, votando no 16 para governador.
180 - O senhor acha que reduzir cursos seria uma boa maneira de melhorar a situação da UESPI?
Solon - A única forma de melhorar a UESPI é garantir investimentos necessários para que ela se mantenha. Começaríamos cumprindo a lei. É um absurdo, a constituição estadual diz que tem que ser investidos pelo menos 30% dos recursos do estado na educação. Todo governador no ato de assumir o posto ele jura defender a constituição estadual, mas nenhum deles cumpriu até hoje, eles investem até 25% da receita em educação, e isso sobre os olhos do TCE, do Ministério Público, da Assembleia Legislativa, que não cobram do governo o cumprimento da legislação estadual. É importante também considerar que grande parte desses recursos destinados a educação estadual não vão para educação pública, vão para as escolas privadas, para instituições filantrópicas, como o Instituto Ayrton Senna, entre vários outros. Você visita uma escola, como o Liceu Piauiense, que é tido como a menina dos olhos do governo, a principal escola e a mais conhecida do estado do Piauí. Se você vai ao Liceu hoje, você encontra problemas desde o mais elementar, que é a falta de acessibilidade, até problemas na cobertura, no teto, que tem goteira, risco de desabamento, imagine essa situação mais concreta em relação ao estudante, falta professor efetivo, não tem laboratório suficiente, não tem livros na biblioteca, os professores recebem péssimos salários, então essa é a realidade da principal escola pública, e a mais vista na capital e no Piauí como um todo. Se essa é a realidade no Liceu, imagine como será nas demais escolas espalhadas pelo interior do estado. Voltando para a UESPI, a luta é de garantir a autonomia financeira e administrativa da Universidade. Há uma luta todo ano por orçamento, o melhor orçamento na Universidade e esse orçamento nem é executado. Basta ver que ano passado o previsto era de cerca de R$ 180 milhões para UESPI, e não chegou a ser aplicado nem R$ 130 milhões, ou seja os recursos que estavam previstos para UESPI foram desviados para outros setores. Nós defendemos que seja garantido um repasse decente, que a Universidade tenha liberdade de a partir desse recurso ela possa investir onde achar melhor, criando cursos se for necessário, para garantir as condições de funcionamento e realizar um sonho da Universidade que é o de ter uma política decente de acesso estudantil. Os estudantes não tem nem o mínimo, como por exemplo um restaurante universitário, um consultório, dormitórios, bolsas de trabalho, não tem passe livre para chegar até a Universidade, e o que a gente ver diariamente é as pessoas desistindo do sonho e direito de estudar na Universidade porque quando chegam lá não tem condições e nem dinheiro para comprar uma xerox que o professor pede, até mesmo porque não existe uma biblioteca decente. Em vez de biblioteca chama-se ‘xeroteca’. Para garantir a melhoria da Universidade, precisamos garantir repasse decente, contratar professores efetivos, existe uma carência de pelo menos 300 professores efetivos, melhorar salários dos técnicos, melhorar estrutura, e de repente a partir de uma discussão com a comunidade universitária ver como expandir em alguns setores. Uma carência vista é a questão de médicos no interior. Como ter mais médicos nas regiões em que precisam? Estimulando que essas regiões tenham o curso de medicina. Se a UESPI apresentar um projeto discutido coletivamente sobre a criação do curso de medicina em Corrente, Picos, São Raimundo Nonato, e em diversos grandes polos, é possível levar não só medicina, mas diversos outros da área da saúde, interiorizando a oferta da formação de pessoas na região, e eles com certeza se manteriam em sua cidade, porque ninguém sai de sua cidade por querer, mas sim por obrigação, por necessidade. Mas também não dá para esperar, tem a questão emergencial, pois seriam necessários cerca de 10 anos para termos os primeiros médicos formados, os enfermeiros. Deve existir também uma melhoria dos hospitais regionais, melhorias no salário dos trabalhadores de saúde, para que os profissionais possam de fato ficar nesses locais. Nós visitamos Floriano, Parnaíba, as pessoas reclama exatamente disso, os hospitais não tem condições mínima de funcionamento e atendimento.
180 - De quem é a culpa dos altos índices de violência no Piauí?
Solon - As pessoas querem segurança de forma emergencial. Mas o que nós vemos na prática é que o relatório de execução fiscal de 2013,mostra a seguinte realidade, o que se gasta com a Assembleia Legislativa é três ou quatro vezes mais do que se gasta com a segurança pública, olha o disparate que é isso. Uma casa com 30 deputados, que funciona apenas em Teresina, é quatro vezes mais cara que o que se gasta com segurança pública no Piauí. Com a questão do pagamento de policiais, manutenção de delegacias, viaturas, enfim, tem muita coisa errada. No fim da polícia militar que nós defendemos, não nos moldes do que está esta aí, queremos uma polícia única. Queremos uma polícia civil que seja controlada pela população, onde os delegados sejam escolhidos democraticamente pela comunidade, que terá controle se esta tenho ou não o serviço de qualidade na comunidade. Hoje temos um aparato totalmente ligado as práticas da ditadura militar, eles guardam esse ranço do autoritarismo, que não sabem lhe dar com os movimentos sociais, portanto é altamente repressivo contra as lutas do povo por moradia, educação, direitos, uma polícia que atira primeiro para depois perguntar quem é a pessoa, essa é a nossa realidade. Hoje ela mata muitos jovens, às vezes inocentes. Temos uma polícia muito truculenta, que ao invés de garantir segurança, ela amedronta as pessoas, e que serve apenas para os interesses dos grandes empresários, basta ver que a população da periferia, quando precisa da polícia que liga para o 190, demora horas para ser atendido, mas um empresário nem liga para o 190, liga é direto para o comandante e em questão de minutos estar lá todo o aparato repressivo para proteger a propriedade dele. Para resolver a questão da falta de segurança, nós temos que também combater os problemas que geram a violência, é a falta de perspectiva da juventude, é a falta de emprego, de saúde, de educação, de lazer, de cultura, é isso que gera violência, que causa a dizimação da população jovem negra da periferia.
180 - O senhor defende o loteamento de cargos públicos no governo?
Solon - De forma alguma, defendemos que o governo seja controlado pelos trabalhadores. Isso quer dizer que a saúde será controlada pelos trabalhadores da saúde junto com a população. Os cargos na saúde devem ser ocupados através de eleição, não indicação pessoal ou de alguém do partido, mas escolhido democraticamente através de eleições, isso será em todas as pastas. Hoje nós temos vários conselhos que nada refletem e nada discutem com qualidade. Basicamente as discussões que são feitas não são levadas em conta pelo executivo e não são democráticas. Defendemos conselhos populares, representativos e com poder de mando. A relação com assembleia deve totalmente diferente do que acontece hoje. Hoje existe uma relação de promiscuidade entre o executivo e o legislativo. A eleição da Lílian Martins para o Tribunal de Contas do Estado, que teve a participação direta do então governador Wilson Martins, e assembleia legislativa. Aquele cargo não foi conquistado pela competência da ex primeira-dama Lílian Martins, aquele cargo foi comprado através de promessa de cargos, de liberação de verbas para deputados e negociações futuras e políticas envolvendo inclusive os cargos que surgirão no TCE. Nós defendemos que a Assembleia deve custar bem menos do que hoje, isso representa o corte de regalias, de números de DAS, de cargos comissionados, de cortes das regalias de auxílio palitó, e outros, e porque não fazer como fazem nossos parlamentares do PSTU? Nós temos dois vereadores que são exemplo para nós. Temos a Vereadora Amanda Gurgel, em Natal, e o Cleber, operário da construção civil em Belém, e esses trabalhadores que se colocaram a disposição para concorrer esses cargos foram eleitos recentemente, eles não recebem os salários milionários que seus pares recebem. Eles continuam recebendo o que recebiam enquanto trabalhadores e o restante do salário é destinado para as lutas, para pagar um panfleto, um carro de som, enfim, mas não estão alí para terem enriquecimento pessoal ou melhorarem o padrão de vida através do parlamento. Estão lá para representar o partido, defender os trabalhadores e levar propostas, como foi conseguido o passe livre para estudantes em Natal, um proposta da Amanda Gurgel, e não estão alí por questões individuais.
180 - Pergunta feita por Luana de Oliveira e Lana Shell, via Facebook. O que o senhor já fez por Teresina e pelo Piauí que lhe façam ser eleito governador?
Solon - Não é uma questão pessoal, mas tenho uma trajetória de luta, de dedicação, em defesa de uma educação pública de qualidade, em defesa da UESPI, e do ensino público como um todo, uma luta com o PSTU em defesa dos trabalhadores em defesa das greves, das mobilizações sociais, em busca de melhores salários, a luta constantes em defesa da saúde pública, do transporte público, contra aumento das passagens, luta pelo repasse para cultura, em defesa do povo pobre das periferias, contra o racismo, o machismo, a homofobia e as lutas constantes do nosso dia-a-dia. Somos um partido que não se apresenta apenas de dois em dois anos, um partido eleitoreiro, mas sim, um partido que prega mudança radical e está nas lutas do povo. Damos apoio e visibilidade as mobilizações sociais, e apoio as classes trabalhadoras, e as lutas que estão em torno da sociedade. Uma delas é a questão da ameaça de privatização da saúde da capital e o fim do concurso público para profissionais de saúde em Teresina. Basta ver um projeto que tramita na Câmara, onde a prefeitura tenta habilitar uma organização social, como uma entidade que vai gerenciar os recursos humanos em saúde. Se isso passar em segunda votação, as milhares de pessoas que trabalham na saúde em Teresina e que foram concursadas, não terão direito de assumir seus cargos e futuramente o que vai acontecer com o ingressos dos profissionais de saúde, não se dará através de concurso público, mas sim de indicação política. Isso é uma forma direta de terceirização ilegal, porque os atendimentos desses profissionais não podem ser terceirizados. É um processo a passos largos para a privatização da saúde. Nesse momento estamos nos colocando de corpo e alma com os trabalhadores que combatem essa medida. Qual a postura do Firmino contra o SINDSERM? Ele tenta enfraquecer o sindicato e deixa de repassar a contribuição dos filiados, e tenta estagnar financeiramente o sindicato, e fica mais fácil passar a privatização da saúde e os interesses dos grandes empresários em Teresina.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Solon - Quero agradecer a oportunidade de estar aqui conversando com vocês e com o eleitor, para apresentarmos nossas propostas. Vivemos um processo eleitoral que não é democrático, que temos o menor tempo deTV e no rádio, são apenas 57 segundos, enquanto outros como o Zé Filho tem mais de oito minutos de tempo na TV e no rádio. Nossa campanha é financiada exclusivamente por trabalhadores, militantes, simpatizantes, sem nenhum dinheiro de empresa, e que compete com campanha milionárias, Zé Filho tem R$ 20 milhões para gastar nesta campanha, certamente não é de seu bolso que sai esse dinheiro, mas sim dos grandes empresários, do agronegócio, dos bancos, das empreiteiras, enfim, das empresas e grupos econômicos que sempre governaram o Piauí. Também esses investidores não investirão apenas no Zé Filho, mas investem também no Wellington Dias, infelizmente, que o PT abandonou a sua opção de governar para os trabalhadores e está governando para os ricos também, e parte desse dinheiro vai para o Mão Santa que é a terceira via das elites. Nós pretendemos continuar dialogando com a população sobre os problemas e soluções. Não queremos vender ilusão de que é o processo eleitoral que vai resolver sua vida, a da população e sabemos que eleição não muda a vida do povo. Quantas eleições já fizemos parte, já votamos, e a vida do povo não muda? O que vai fazer de fato mudarmos nossa vida é nos mobilizarmos e nos organizarmos, e buscar mudanças radicais, eu poderia ir além. Para mudarmos nossa realidade temos que ir além e fazermos uma revolução social neste estado e neste país. Essa revolução não tem condições para acontecer hoje, mas amanhã a gente sabe que aumentando nosso grau de consciência, dos trabalhadores, quando eles verem que podem governar com as próprias mãos, eles não vão nem participar de eleições, mas sim buscar uma mudança nas ruas, uma mudança radical, porque as eleições são limitadas e servem apenas para justificar a ordem estabelecida. Queremos seu voto porque acreditamos que elegendo os candidatos do PSTU, estamos fortalecendo as lutas do povo pobre, dos estudantes, dos trabalhadores na construção de uma sociedade diferente, onde os trabalhadores governem e que o sacrifício que vivemos hoje em ter acesso aos serviços públicos de qualidade, todo ele seja suplantado na construção de uma sociedade diferente, e esperamos sermos dignos de conquistar seu voto no 16. Obrigado!
REPÓRTERES: Manoel José, Apoliana Oliveira, Fábio Carvalho e Karine Santana
Fonte: None
















