Política -

Suzano abandona Estado e bancada é reduzida no DF: PI colhe o que plantou

Além da elucidação do assassinato do ex-vereador Emídio Reis (PMDB), de São Julião, crime de encomenda, mais três fatos mexeram com o noticiário político ao longo desta semana no Piauí, pela repercussão que provocaram. Aparentemente, esses três fatos são isolados, mas, no fundo, têm estreita relação um com o outro.

Uma reportagem do site Uol abriu a semana informando que, no município de Assunção do Piauí, a população come rato rabudo. No meio da semana, a Suzano comunicou a suspensão do bilionário investimento para implantação de sua fábrica no Piauí. Já no fim da semana, o noticiário dava conta de que o Piauí corre o risco de perder até duas cadeiras na Câmara Federal e até seis de deputado estadual.

Que haja piauienses se alimentando de rabudos como hábito alimentar da região, tudo bem. É compreensível. Esse discurso protege e reforça o outro de que já não há miseráveis no Piauí, pois os que existiam foram abraçados e amparados carinhosamente pelos programas de distribuição de renda, como o Bolsa Família.

Mas esse tipo de desculpa não se sustenta quando se reflete sobre as condições de vida no sertão, no terceiro ano consecutivo da mais devastadora seca deste século no Nordeste. Os agricultores, grandes e pequenos, perderam tudo - plantios, rebanhos e esperança. Não há safra. Nesse caso, comer rabudo já não seria uma opção, mas uma necessidade.

Mal comunicou a sua desistência de montar uma fábrica no Piauí, a Suzano bateu em retirada, inclusive desativando o viveiro de mudas de eucalipto instalado no município de Monsenhor Gil. As autoridades governamentais passaram os últimos anos garganteando que essa indústria elevaria o PIB (Produto Interno Produto) do Piauí em 15%.

Por fim, o risco de o Piauí perder cadeiras parlamentares, já nas próximas eleições, é iminente. A distribuição das cadeiras se dá conforme a população. O Estado tem perdido anualmente cerca de 35 mil pessoas que vão para outras regiões em busca de sobrevivência, pois lhes faltam oportunidades na terra-berço.

Resumo da ópera: se o Piauí tivesse uma preocupação efetiva com sua produção, se tivesse criando as condições mínimas e necessárias para a instalação de uma fábrica do porte da que a Suzano queria montar aqui e se os parlamentares estivessem brigando pela geração de emprego e renda para os piauienses, esses três fatos que marcaram o noticiário político ao longo da semana não teriam acontecido.

"Quem planta vento, colhe tempestade".

Fonte: (Diário do Povo)

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