Origem misteriosa -
MPF da Bahia pede à Polícia Federal que investigue a origem do dinheiro
O Ministério Público Federal da Bahia encaminhou o inquérito que apura a origem dos R$ 180 mil apreendidos no carro do motorista do candidato ao governo do Piauí, Wellington Dias (PT), para a Polícia Federal investigar de onde realmente saiu o dinheiro transportado por José Martinho, que é lotado no gabinete do senador em Brasília.
A Polícia Federal terá a partir de agora o prazo de 90 dias prorrogáveis por mais 90 dias para descobrir de quem era o dinheiro e qual o destino do valor, que se suspeita, serviria para caixa dois de campanha do candidato petista. Ao todo a fase de inquérito e investigação pode durar até seis meses.
O inquérito já se encontra nas dependências da Polícia Federal na Bahia, que deverá iniciar as investigações depois dos procedimentos formais e legais internos para a formação da equipe que deverá conduzir o processo investigatório.
A partir de agora haverá sigilo em torno do que está sendo feito para “não atrapalhar as investigações”, diz uma fonte que participa do processo de coleta e busca da verdade. O Ministério Público Federal também evita falar sobre o assunto para que não haja vazamentos.
CADÊ AS EXPLICAÇÕES?
Última semana, por telefone, o assessor de Wellington Dias disse ao 180 que essa semana seus “advogados” apresentariam as informações que comprovariam que o dinheiro seria dele. Mas até agora nenhuma explicação foi dada.
O 180 tornou público que José Martinho ganha pouco mais de R$ 3 mil no Senado e mostrou o que seria a distribuidora de bebidas de sua propriedade e de sua mulher, um simples estabelecimento comercial localizado em Samambaia, cidade satélite de Brasília, com o nome “Distribuidora Martins”.
Também semana passada, em entrevista à TV Clube, o candidato Wellington Dias foi categórico em dizer que o seu funcionário já tinha comprovado a origem do dinheiro, porém, não tinha dito a ele. Um absurdo.
Um motorista subordinado que ferra a imagem de um senador da República, candidato ao governo de um estado, e não se apressa em consertar a lambança, muito menos contar ao superior hierárquico o que aconteceu depois de ‘explicado’ o caso é estranho.
Mais estranho ainda é o candidato petista. Sendo o maior interessado, sequer se apressou em tomar nota da situação, passando a ideia de desleixo, além da ideia de descompromisso para com a opinião pública.
Em contato com o delegado da Polícia Civil que cuidou do caso, Francisco de Sá disse que no Complexo da Polícia de Barreiras, município da Bahia onde ocorreu a apreensão, nunca houve a comprovação da origem do dinheiro. Os R$ 180 mil foram depositados em uma conta judicial da Caixa Econômica Federal e só serão liberados depois de comprovada sua origem.
A MELHOR FORMA PARA DESMENTIR A INFORMAÇÃO
Num caso como esses, onde um candidato é acusado de se utilizar de caixa dois, o ideal para diminuir os estragos de uma informação inverídica, seria o mais rápido possível apresentar explicações convincentes para dirimir qualquer tipo de dúvida. Ou quando de posse de documentos reais e palpáveis realizar uma coletiva para por um ponto final no caso.
Mas o expediente que o PT e o candidato fizeram uso não contemplou essas alternativas e deu margem a dezenas de novos questionamentos. O PT e Wellington Dias preferiram anunciar que processaria a jornalista Denise Freitas, responsável por noticiar a informação vinda da Rede Globo da Bahia, além de anunciar processo contra a emissora de TV.
Alegaram para tanto que o carro estava no nome de José Martinho e não do senador. Único erro até agora na veiculação do material exibido pela TV Clube. E ao que se sabe já foi desmentido de forma convincente e aceito pela opinião pública, ao contrário da origem do dinheiro que nunca foi explicada. Esse mesmo erro jornalístico, no entanto, não aconteceu quando da exibição da nota lida no Jornal Nacional, que ficou a cargo do editor chefe William Bonner.
José Martinho, que no início disse que o dinheiro era dele e que iria comprovar a origem de forma rápida e célere, conforme declarações dadas no dia da apreensão e logo depois em um contato estabelecido pelo 180, até o momento não explicou de onde veio um real sequer.
Já Wellington Dias, candidato e alvo das denúncias de caixa dois, vai empurrando o caso com a barriga e preferiu o silêncio à encarar o fato de frente. Algo que deverá ocorrer nos quatro debates televisivos finais.
O DINHEIRO TERIA PARTIDO DE UMA EMPRESA CONTRATADA PELO BNB
Nesta segunda-feira (22), o jornalista Cláudio Humberto divulgou que o Ministério Público Federal da Bahia já suspeitava da real origem do dinheiro. Uma empresa de informática que tem contrato com o Banco do Nordeste, um reduto petista aparelhado pela sigla.
Se comprovado realmente nas investigações da Polícia Federal essa origem, o assessor de Wellington Dias mentiu quando disse que o dinheiro era seu, originário da labuta no comércio de cervejas, de carvão, aluguel de mesas e churrasqueiras.
E se mentiu, mentiu para proteger alguém. Quem seria?
ESPORRO EM SÃO PAULO E EM BRASÍLIA
O candidato Wellington Dias viajou após o acontecimento para São Paulo e em seguida para Brasília. Na capital federal pegou um esporro da presidente Dilma Rousseff (PT), que ao saber do acontecimento disse palavras impublicáveis, e em São Paulo foi o ex-presidente Lula quem descarregou as baterias no candidato pelo PT.
Numa disputada eleição presidencial, uma nota lida no Jornal Nacional informando a apreensão de R$ 180 mil no banco traseiro de um carro pertencente a um motorista do Senado Federal, funcionário de um candidato do PT ao governo de um estado, é combustível para os oposicionistas e para os meios de comunicação. E isso foi acontecer logo com um expoente do partido da Presidente da República, sigla que já tem fama de transportar dinheiro na cueca.
Coincidentemente, depois do retorno de Wellington Dias de São Paulo e de Brasília, as imagens da presidente e de Lula saíram do programa eleitoral do candidato.
Fonte: None







