Política

Dois Cargos · 16/02/2017 - 17h53

Ex-prefeito que emitiu 100 cheques sem fundo é secretário

Atual prefeita e filha do ex-gestor lhe deu não só um, mas dois cargos em seu governo


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Por Rômulo Rocha - De Brasília

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_Alvo de uma ação do Ministério Público Estadual, que pede a devolução de mais de R$ 1 milhão, Mazim tem dois cargos na prefeitura de São Lourenço, um deles seria “voluntário”. Presentes da filha prefeita.
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TÔ NEM AÍ
O ex-prefeito de São Lourenço do Piauí, Manoel Ildemar Damasceno Cruz, o Mazim, foi nomeado pela atual prefeita, Michelle de Oliveira Cruz, para ser o secretário de Agricultura e Recursos Hídricos do município. É a filha nomeando o pai para um cargo político. A nomeação ocorreu nos primeiros cinco dias do seu mandato, após publicação no Diário Oficial.

Como se não bastasse, vinte dias depois ela nomeou novamente o pai para “exercer a função voluntária de Coordenador Municipal de Defesa Civil”.

Como se vê, Mazim, que já é tido como o verdadeiro mandatário do governo municipal, arremata nacos administrativos através de nomeações oficiais e segue mandando.

UM SHOW DE HORRORES ADMINISTRATIVOS
Ocorre que Mazim é acusado de emitir cem cheques sem fundos quando era prefeito, isso em 2008, num ano eleitoral.

O valor dos cheques sem recursos para cobri-los foi da ordem de R$ 839 mil, segundo o Ministério Público.

_O primeiro presente da filha prefeita

Também é acusado de realizar despesas sem licitação, além de fracionamento de despesas.

O MP pede junto à Justiça, em uma ação civil pública, que o ex-prefeito perca seus direitos políticos pelo prazo de cinco a oito anos e que ressarça o erário com a quantia de R$ 1.057.888,34.

Para propor a ação o Ministério Público tomou por base o relatório da Diretoria de Fiscalização da Administração Municipal (DFAM) do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI).

Nele a DFAM esquadrinha a assustadora prestação de contas do ano de 2008, um ano eleitoral, frise-se.

Tanto a prestação de contas quanto a ação civil pública trazem o rol daquilo que um gestor público não deve sequer imaginar em praticar e evidenciam o quão despreparado e prejudicial se mostrou ser Mazim no trato com a coisa pública.

A ação é datada de 27 de janeiro de 2017 e o ex-prefeito ainda será notificado.

Há irregularidades nas contas de governo, nas contas de gestão, do FUNDEB, do FMS e do FMAS.

O prêmio até agora foram cargos. E dois, não só um. Além de ter a filha prefeita e poder mandar através dela.

E DÁ-LHE MAZIM...
* VEJA todas as inúmeras irregularidades extraídas da ação do Ministério Público

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