Defenderá regulação da mídia -

Em 1º discurso no Senado, Regina provoca a imprensa e Aécio Neves

Em seu primeiro discurso no Senado Federal, a senadora Regina Sousa, do PT, tratou logo do assunto imprensa, dizendo abertamente que vai sim defender a regulação da mídia e dos que dela “escamoteiam, usando como escudo a assustadora palavra censura”, e ainda provocou o líder da oposição, senador Aécio Neves (PSDB), ao mencionar palavras já ditas pelo tucano ao anunciar uma posição vigorosa ao Palácio do Planalto no Congresso Nacional.

Foi assim que a mais nova senadora, que não recebeu um voto, avisou que é preciso ter “coragem” para tratar da “regulação da mídia, [dos] grandes meios de comunicação e [dos] que deles se beneficiam e escamoteiam, usando como escudo a assustadora palavra ‘censura’. E ainda há o tema da participação social; os que temem a democracia participativa inventam motivos para rechaçá-la, sem nem mesmo ter lido a proposta [de regulação da imprensa]”, provocou.

“ESTOU AQUI PARA O QUE DER E VIER, COMO QUEBRADEIRA DE COCO”
Também foi assim que mandou um aviso direto à oposição e ao ex-candidato a presidente da República, Aécio Neves, sem citar seu nome. “Ouvi aqui, na semana passada, que vamos enfrentar uma oposição qualificada e com conteúdo. Quero dizer que posso não ser tão sabida – é assim que, na minha terra, na minha cidade, na zona rural, se chamam as pessoas que detêm o saber, mas há outro significado de sabida também –, mas estou aqui com a força, com a garra e com a coragem da quebradeira de coco que virou Senadora da República, pronta para combater o bom combate”, falou.

Porém, na sua visão, “sem arrogância, mas também sem nenhum medo”. E tascou: “bancada do PT, estou aqui para o que der e vier! Não uso maquiagem, mas, se eu precisar me pintar para a guerra, eu me pinto”.

Entre os assuntos a que vai se dedicar à frente do seu mandato tampão no Senado Federal, além de querer enquadrar a imprensa e desancar a oposição, a petista disse que atuará em temas como direitos humanos, meio ambiente e educação.

ESQUEMA NA PETROBRAS PARA BENEFICIAR O PT SERIA "ARMAÇÃO"
Regina Sousa fez ainda uma saudação ao PT, sigla que na sua interpretação está sofrendo um vigoroso complô para destruí-la. Quero, por fim, render homenagem ao meu partido, que completou (...) 35 anos: o Partido dos Trabalhadores, único da minha vida. É um Partido que hoje é massacrado, vítima de uma armação para destruí-lo. Cometeu erros, sim, os mesmos erros que muitos cometeram e cometem e ficam posando de vestais”, bradou.

No entanto, deixou claro que não vai deixar ninguém destruir o seu partido, “porque o PT tem um capital social muito forte, tem raízes fincadas no meio do povo pobre, que era invisível e que o Governo do PT descobriu e tirou da margem. Agora, essas pessoas se mostram, exibem-se, e isso incomoda muita gente. Tenho orgulho de ser petista ao ouvir uma declaração de voto de uma pessoa do povo: ‘Voto no PT, porque foi no governo do Lula que o Brasil olhou pra mim’. Vida longa ao PT!”

ELA AVISA QUE DISCUTIRÁ CAIXA DOIS
Um outro tema a que Regina Sousa disse não se furtará a debater é o Caixa Dois, aquilo que na última década e na atual, seu partido costumeiramente fez (Mensalão) e é acusado de fazer (Petrolão) - até mesmo o governador do Estado, Wellington Dias, em volta com denúncias apresentadas à Justiça Eleitoral pelo Ministério Público.

“Isso não significa que recusarei debater outros temas, como a reforma política, que todo mundo quer fazer desde que seja a sua reforma [inclusive o PT], ou como a reforma tributária, que todo mundo apregoa desde que não se toque nas grandes fortunas. Todo mundo debate o “impostômetro”, mas ninguém quer debater o ‘sonegômetro’, alimento do caixa dois das empresas”, comprometeu-se.

“NÃO PROCUREM O WELLINGTON DIAS EM MIM”
Em outro trecho da sua fala pediu ainda que não procurassem o atual governador do Estado Wellington Dias nela, porque ela era bem diferente. “Não vão achá-lo. Ele é único”, classificou.

Regina Sousa tem 64 anos de idade, é filha “de camponês, sem terra”, a quinta de 14 irmãos e irmãs e aos dez anos, segundo ela própria, “já sabia plantar e colher feijão, milho, fava. Não guardo nenhuma marca ou trauma por causa disso. Também aprendi a ser quebradeira de coco babaçu”. Regina Sousa também foi professora e funcionária do Banco do Brasil.

É... pelo discurso... corajosa. Que venha o projeto da senadora para enquadrar a imprensa então, ou o adendo que pretende implementar à proposta defendida pelo PT e agora pela própria presidente Dilma Rousseff.

Fonte: None

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