Sem a mínima transparência -

Elmano tenta esconder emendas de bancada, mas elas vazam; veja aqui

Por Rômulo Rocha - De Brasília

DESRESPEITO PARA COM O POVO
Feio. Muito Feio. Em Brasília, o 180 apurou que o coordenador da bancada federal do Piauí, o senador Elmano Férrer (PTB), resolveu esconder informações sobre as 15 emendas de bancada alocadas pelos seus membros e ainda pelo governador Wellington Dias (PT) e pelo prefeito Firmino Filho (PSDB) junto ao Orçamento Geral da União de 2016.

E o que é pior, aconselhou seus assessores a orientarem os demais assessores parlamentares a não divulgarem informações para não exporem seus respectivos deputados e senadores. Houve assessor de um outro parlamentar que também deu a ideia. Ora, ora, em poucas ocasiões na história da bancada federal do Piauí se viu tamanho descaso para com o contribuinte.

Elmano Férrer, após esse ato, deveria ou entregar a coordenadoria da bancada ou ser deposto por seus pares. Em uma época em que está em vigência a Lei de Acesso à Informação (LAI), para que o cidadão possa exercer o chamado accountability, o Piauí não pode se dar ao luxo de ter à frente da bancada federal um parlamentar deste naipe, com uma visão arcaica.

Enquanto uns chamam o povo para participar da confecção da peça orçamentária, Elmano procura afastar ele e a imprensa - os olhos e os ouvidos da sociedade. Já não bastam as reuniões dos parlamentares destinadas à escolha das emendas serem fechadas e em Brasília, em gabinetes com ar-condicionado ou restaurantes luxuosos, longe daqueles que os elegeram?

Uma das justificativas absurdas para não repassarem informações à imprensa era a de que a tal da imprensa iria de uma forma ou outra atacar a bancada, que essas emendas fantasiosas ainda iriam passar pelo crivo das relatorias setoriais da Comissão Mista de Orçamento e que, portanto, ainda iriam sofrer cortes.

Como se vê, mais uma oportunidade então para que a bancada do Piauí aproveitasse e explicasse como funciona o orçamento, em detrimento do ostracismo popular.

E tome justificativas pérolas vindas do gabinete de Férrer. Diz outra delas que o melhor seria divulgar os valores somente depois desses cortes para que as críticas sobre os membros da bancada não fossem tão contundentes. Feio, Elmano. Feio.

Essas orientações foram repassadas através de um grupo no WhatsApp composto de assessores da bancada federal do Piauí. Muitos concordaram.

ASSESSORES DE ELMANO NÃO GOSTAM DE PASSAR INFORMAÇÕES
Em uma certa oportunidade, durante uma entrevista no gabinete do senador Elmano Férrer (PTB), o 180 solicitou informações sobre sua atuação no Senado, dados que ele já teria levantado, para que justificasse o salário e as regalias que recebe, além de justificar os salários pagos aos seus assessores com dinheiro do erário.

Imaginava-se após a solicitação, que seus assessores possuíam até algum tique nervoso que se manifestasse de forma grupal e instantânea, devido às intensas piscadas de olho para o senador, que acabou demovido da já estabelecida vontade de apresentar informações sobre a sua atuação.

Estranho é saber que um homem que se beneficiou do voto do povo do Piauí, dançado forró e por conta de uma imagem de "Véim Trabalhador", não queira agora, depois de eleito, dar a esse mesmo povo, que acreditou em suas promessas, o direito de acompanhar como é feito o orçamento público da União. E isso na primeira oportunidade que lhe é dada.

Quer dizer, o voto do povo serve, dar satisfação a ele, não...

ELMANO É O PRINCIPAL RESPONSÁVEL: MAIS DE R$ 1,3 BILHÃO
A bancada do Piauí apresentou junto ao Orçamento Geral da União emendas que somam R$ 1.381.000.000,00. Ou seja, mais R$ 1,3 bilhão. São 15 ao todo. Ocorre que elas ainda vão ser analisadas nas relatorias setoriais, onde acontecem os cortes. Depois são aprovadas na Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional, e em seguida, pelo Plenário das duas Casas legislativas federais.

É esperado que nesse valor existam inúmeros cortes. Aqui, caberá ao nada transparente coordenador da bancada do Piauí - juntamente com seus ‘brilhantes’ assessores - lutar para que permaneçam esses valores iniciais.

Não será nada promissor, caso venha a se candidatar prefeito de Teresina, que Elmano seja visto como um homem que odeia a transparência pública e que, porventura, possa vir a ser um dos piores coordenadores de bancada da história do Piauí, ao não conseguir canalizar recursos para o estado.

OS DADOS DAS EMENDAS
Frustrando a ingenuidade de Elmano, de que não se conseguiria essas informações, abaixo as emendas apresentadas pela bancada federal, seus respectivos valores, o órgão onde foram alocadas e o autor, além, claro, do destino.
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1 – Reforma do Hospital Tibério Nunes (Floriano): R$ 56 milhões.
Autor: Assis Carvalho (PT).
Órgão: Ministério da Saúde.

2 – Estruturação de Unidade de Atenção Especializada em Saúde – Reforma, aquisição de equipamentos e material permanente. (Macroregião Litoral): R$ 90 milhões.
Autor: Átila Lira (PSB).
Órgão: Ministério da Saúde.

3 – Estruturação de Unidades de Atenção Especializada em Saúde (Teresina): R$ 80 milhões.
Autor: Ciro Nogueira (PP).
Órgão: Ministério da Saúde.

4 – Apoio a projetos de infraestrutura turística – Reestruturação e reabilitação do Mercado São José – 2ª Etapa (Teresina): R$ 100 milhões.
Autor: Elmano Férrer (PTB).
Órgão: Ministério do Turismo.

5 – Implantação da 2ª Etapa da Via Marginal Poti Sul (Teresina): R$ 105 milhões.
Autor: Bancada Federal.
Órgão: Ministério das Cidades.

6 – Tabuleiros Litorâneos – 2ª Etapa (Parnaíba): R$ 180 milhões.
Autor: Bancada Federal (Emenda Impositiva – com obrigação de pagar).
Órgão: DNOCS.

7 – Hospital do Dirceu (Teresina): R$ 120 milhões
Autor: Fábio Abreu (PTB).
Órgão: FNS

8 – Implementações de Projetos de Cidades Digitais no Estado do Piauí: R$ 150 milhões.
Autor: Flávio Nogueira (PDT).
Órgão: Ministério das Comunicações.

9 – Apoio à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (Parnaíba): R$ 100 milhões.
Autor: Heráclito Fortes (PSB).
Órgão: Ministério das Cidades.

10 – Construção do Complexo Materno Infantil (Teresina): R$ 80 milhões.
Autor: Iracema Portella (PP).
Órgão: FNS

11 – Apoio Nacional ao Desenvolvimento Urbano (Piauí): R$ 60 milhões.
Autor: Júlio César.
Órgão: Ministério das Cidades.

12 – Reestruturação e Expansão de Instituições Federais de Ensino Superior (Parnaíba): R$ 30 milhões.
Autor: Paes Landim (PTB).
Órgão: Ministério da Educação.

13 – Construção de Adutoras no Estado do Piauí: R$ 100 milhões.
Autor: Regina Sousa (PT).
Órgão: Ministério da Integração Nacional.

14 – Apoio à Rede Pública não Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica no Município de Picos: R$ 30 milhões.
Autor: Rejane Dias (PT)/Mainha (SD).
Órgão: Ministério da Educação.

15 - Apoio à Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (Teresina): R$ 100 milhões.
Autor: Rodrigo Martins (PSB).
Órgão: Ministério do Desenvolvimento Urbano.

Total: R$ 1.381.000.000,00__________

Fonte: None

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