Blog do Zózimo Tavares · 20/01/2012 - 07h00

O fechamento de escola é uma péssima lição

O fechamento de escola é uma péssima lição


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Com 30 anos de exercício diário e ininterrupto do jornalismo, mal comparando, já sou praticamente uma "testemunha ocular da história", como autoproclamava o slogan do "Repórter Esso", aquele antigo noticiário que tanto sucesso fez na época de ouro do rádio. Outro dia, por exemplo, eu ouvia na sessão semanal da Academia Piauiense de Letras os depoimentos de dois acadêmicos, ambos educadores, sobre a criação de uma escola pública que viria a marcar época em Teresina. O prefeito queria uma escola modelo, que atendesse às futuras gerações.

Os personagens dessa história: Petrônio Portella, Pedro da Silva Ribeiro e Paulo Nunes. A escola é a Eurípides de Aguiar, no bairro Marquês. O primeiro era prefeito de Teresina, o segundo foi o primeiro diretor da escola e o terceiro era o diretor de Inspeção do Ministério da Educação no Piauí.

Pois bem! Lembrei dessa história, contada na sessão da Academia, em outro contexto, a propósito do anúncio do fechamento, confirmado ontem, da Escola Eurípides de Aguiar, que será transformada em sede administrativa da Secretaria Municipal de Educação. Ontem, depois que publiquei artigo sobre o fechamento da Escola Eurípides de Aguiar, recebi muitas críticas à iniciativa da Prefeitura.

Entre elas, destaco esta: "Fico muito triste com esta notícia! estudei no Eurípedes de Aguiar de 1995-1998. Era em tempo integral, pela manhã assistíamos aulas, e à tarde, cursos de profissionalização! Era muito bom! Se você perguntar a qualquer pessoa que estudou lá, vão dizer a mesma coisa! Era maravilhoso! Esta escola me ensinou a ser cidadão e a chegar onde cheguei: Fazer Doutorado e ser professor da Universidade Federal do Piauí! Devo muito a esta escola! #TRISTE. Lauro César Soares Feitosa - Universidade Federal do Piauí (UFPI)"

Concluo: o jovem prefeito Petrônio Portella, com sua visão larga de administração, de política e do mundo, entrou para a história como governador, senador e presidente do Congresso Nacional. Ele morreu prematuramente aos 54 anos, como ministro da Justiça.

Eis aí o que diferencia um estadista: já naquela Teresina acanhada de 50 anos atrás, Petrônio antevia que a cidade precisava de uma escola pública mais arrojada. Ele construiu essa escola. E abriu as suas portas para o futuro. Nossa geração, que o sucede, não é capaz nem de mantê-la aberta.


Fonte: (fonte: Diário Do Povo)