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Ataques racistas · 15/09/2021 - 09h41

Roteirista de God of War: Ragnarok responde aos ataques contra Angrboda

Matt Sophos respondeu acusações de não ser fiel à mitologia e de que teria se “curvado” à opinião externa


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O anúncio dos primeiros detalhes de God of War: Ragnarok foi recebido com felicidade pelos fãs. Porém, uma parcela de internautas se revoltou com o fato de que o jogo terá Angrboda como uma mulher negra.

Após vários ataques racistas, o roteirista Matt Sophos usou o Twitter para rebater as principais reclamações dessas pessoas. Em primeiro lugar, ele fez questão de afirmar que “a vasta maioria dos jogadores está empolgada e acha o visual dela incrível”, mas que gostaria de responder aos principais “argumentos” dos detratores.

Confira abaixo a resposta do escritor:

“Você cedeu à pressão externa.”

Posso contar com dois dedos o número de observações que recebi para mudar histórias, contando o de 2018 e God of War: Ragnarok juntos. Essa questão não estava em nenhuma delas. Sou grato pela confiança que nos dão para contar a melhor história possível sem interferência. Então é, isso não tem sentido.

“Você tornou político”

Como escritor, seu trabalho é contar histórias que são atraentes e identificáveis. Você traz pedaços de si mesmo para as histórias e suas opiniões surgem. Então escrever é sempre político — é que geralmente só falam disso se abordam uma política da qual não concordam.

“Não é fiel à mitologia nórdica/não respeita a cultura”

Ah cara. O grande assunto. Deixe-me começar com isso: God of War é nossa interpretação de mitologia, não de história – nórdica ou grega. Nós contamos uma história pessoal com um pano de fundo de deuses, gigantes e etcs através de nossa perspectiva. E essa perspectiva não é 100% fiel. Por exemplo, aqui está um review rápido de algumas das inspirações mitológicas por trás dos protagonistas de God of War (2018):

Brok: Um lendário ferreiro dos Anões que tornamos azuis e fala como um minerador boca-suja vindo do Texas.

Sindri: Outro lendário ferreiro dos Anões que tornamos cinzento, germofóbico e sabe muito sobre bactérias (“pequenas bestas”).

Mimir: Enraizado na mitologia nórdica, em God of War ele é escocês. Mimir é o nome que ele assumiu quando chegou a Midgard, e o ligamos a um personagem do folclore Inglês (e especialmente das peças de Shakespeare)

Baldur: O deus da luz e da pureza nas lendas, nós chacoalhamos o básico de sua invulnerabilidade para (quase) todas as coisas, e o tornamos incapaz de sentir qualquer coisa por causa disso.

Loki: O fizemos meio gigante, um quarto humano e um quarto semideus grego. Preciso dizer mais?

O pai de Loki: Nos apoiamos na tradução de “Farbauti”– o “artilheiro cruel” — para ligá-lo a Kratos… Um semi deus grego rude com uma história como assassino de deuses. Ele também foi dublado duas vezes consecutivas por dois atores negros incríveis. Mas estou divagando…

Acho que o que eu quero dizer é que… Nós consistentemente pegamos personagens mitológicos e criamos nossa própria versão. Então se a cor da pele de Angrboda é o seu limite para o quão respeitosos nós fomos, provavelmente vale fazer uma autoavaliação. Obrigado por ouvirem.

O roteirista recebeu apoio de Cory Barlog, diretor do God of War de 2018. Também no Twitter, o desenvolvedor afirmou:

“Não nos curvamos a pressão externa. Não criamos o que os outros nos mandam. Contamos as histórias que queremos, com personagens que vemos. Fazemos isso porque gastamos anos à serviço da jornada. Fazemos jogos para vocês. Nós criamos porque não conseguimos nos imaginar fazendo outra coisa.”

 

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