Teens

Confira! · 18/11/2019 - 10h04

Robert Pattinson surpreende no inquietante O Farol

As múltiplas faces de um homem louco (ou não)


Compartilhar Tweet 1



Dois homens confinados em um farol no meio do oceano. Um jovem iniciante, ávido e inocente e um velho carrancudo, obsceno e teimoso. No topo da construção, o esmagador feixe de luz carrega mistérios que tanto o jovem quanto o espectador anseiam por conhecer. Até que a rotina pacata da dupla é interrompida por ambiguidades, desconfianças e segredos revelados que levantam o questionamento: quem está louco? O jovem, o velho, ou nós, os espectadores? As informações são do IGN Brasil.

Dirigido por Robert Eggers, conhecido pelo trabalho no excelente A Bruxa, O Farol apresenta uma atmosfera desconfortável na qual nos vemos imersos durante os 110 minutos de filme. Willem Dafoe interpreta um velho e caricato marinheiro, personagem digno de um desenho animado dos anos 1950. Responsável por muitos monólogos com um linguajar chulo e afiado, Dafoe transita entre o engraçado e o amedrontador, dividindo o palco com a atuação surpreendente de Robert Pattinson.

Pattinson, o jovem marinheiro, se transforma ao longo do filme. Compramos seus receios e abraçamos sua sanidade (e, principalmente, a falta dela) compartilhando as mesmas angústias que atormentam o rapaz preso na ilha. É admirável o quanto o ator parece amadurecer a cada cena e, se você ainda guarda algum preconceito com a figura marcada pela saga Crepúsculo, talvez seja uma boa oportunidade para se surpreender com as diversas faces que Pattinson é capaz de apresentar.

“Nada é difícil quando é um prazer fazer o que se faz, quando se dá a oportunidade de ser transformado”, afirma Willem Dafoe, durante a coletiva de imprensa realizada em São Paulo. Na presença de Eggers, o diretor, e do produtor brasileiro Rodrigo Teixeira (Ad Astra, Me Chame Pelo Seu Nome e Frances Ha), Dafoe alivia as dúvidas da plateia, curiosa por saber como foi para o ator viver cenas marcadas pelo sentimento de aflição. O filme é tão inquietante que é natural que o público passe dias pensando na trama...

 

Toda a atmosfera preto e branca criada em O Farol contribui para o espetáculo que Dafoe e Pattinson protagonizam. De acordo com Eggers, tudo o que aparece no filme, incluindo a mobília, foi construído do zero. “Eu procurei por um farol que já existisse para poder usá-lo, mas felizmente eu acabei não achando. A gente encontrou uma pedra perturbadora no meio do oceano Atlântico para construir o farol. Foi difícil, mas valeu a pena!”

Misturando mitologia e contos de fadas, O Farol levanta questionamentos, contemplações e a sensação de perigo iminente, tudo ao mesmo tempo. Chega a ser confuso enquadrá-lo em um único gênero, fato que o próprio diretor reconhece. “Não me importo com como as pessoas nomeiam meus filmes. Para mim a Bruxa é um filme de terror, já O Farol não consigo definir. Mas sei que as pessoas precisam definir, categorizar as coisas para vendê-las e conversar sobre elas.”

Bem, há muito o que se pensar e conversar a respeito de O Farol, e eu espero ansiosa para ver as reações e teorias do público após a estreia do filme, marcada para 2 de janeiro de 2020.


Comentários