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Veja · 04/07/2020 - 21h13

Jogos vão mesmo ficar mais caros no Brasil?

Alguns lançamentos estão muito acima dos R$ 250 esperados para games AAA +


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Comprar jogos no lançamento parece estar cada vez mais caro para o público brasileiro. Por enquanto, pelo menos duas empresas reajustaram valores de alguns dos próprios games, mas nada impede que outras distribuidoras sigam o mesmo caminho. As informações são do IGN Brasil.

Até o primeiro semestre de 2020, jogadores brasileiros estavam acostumados a pagar R$ 250 por jogos AAA no lançamento. Games AAA equivalem, de certa forma, aos blockbusters do cinema: produções com orçamentos milionários, que acabam recebendo mais atenção e divulgação no mercado.

Contudo, alguns jogos anunciados e lançados recentemente fugiram deste padrão de preço. A edição básica de The Last of Us Part II, por exemplo, está disponível atualmente por R$ 279,90 — sendo que, no início da pré-venda, o jogo custava R$ 199.

No caso dos jogos esportivos da EA, a diferença em relação aos já esperados R$ 250 foi ainda maior. Tanto FIFA 21 quanto NFL 21 custam R$ 299 na Microsoft Store atualmente, em sistema de pré-venda. Aqui, inclusive, tratam-se apenas das edições mais simples dos dois jogos... Se você deseja adquirir FIFA 21 Edição Ultimate, por exemplo, esteja pronto para investir R$ 499 no jogo.

O IGN Brasil entrou em contato com as principais empresas do mercado para entender o aumento no preço de alguns lançamentos.

A PlayStation informou que "os preços refletem as condições atuais do mercado", sem atribuir a alteração do valor de The Last of Us Part II a algum fator específico.

Já a Electronic Arts respondeu com o seguinte pronunciamento: "Com relação aos preços. Por enquanto, a EA não possui um posicionamento a respeito, esta é uma questão de taxa de câmbio".

Procuramos também distribuidoras cujos jogos ainda não sofreram alterações de preço para entender se há algum aumento previsto. A Ubisoft informou que "ainda não tem essas informações".

Já a Warner Bros., responsável pela distribuição de jogos da Capcom, EA, CD Projekt, Ubisoft e da própria WB Games, informou que "a Warner não costuma comentar sobre precificação antecipadamente, pois cada lançamento possui uma avaliação que considera as condições atuais do mercado".

O IGN Brasil ainda aguarda um posicionamento da Xbox.

Por enquanto, nem todos os jogos da PlayStation e da EA aderiram aos novos preços citados no início da matéria. Ghost of Tsushima, o próximo grande exclusivo do PlayStation 4, está disponível em pré-venda por R$ 249,90, por exemplo. Star Wars: Squadron, próximo jogo da amada franquia, também está disponível por um valor inferior ao dos jogos esportivos da EA: R$ 199.

Nada impede que Ubisoft e Warner Bros. aumentem os preços dos jogos distribuídos no Brasil eventualmente, principalmente levando em conta as já citadas "condições atuais do mercado" ou "taxa de câmbio".

Historicamente, a cotação do dólar sempre foi importante para a precificação de games no Brasil. Normalmente, os AAA são lançados nos EUA por US$ 60 e este é o preço usado como referência para estabelecer o valor em real.

Na avaliação de Roberto Dumas, professor de economia internacional do INSPER e do IBMEC, "muito provavelmente o aumento dos games de R$ 250 para R$ 280 e depois R$ 299 deve-se largamente à depreciação de nossa moeda".

"As variáveis que mais afetam o câmbio no curto prazo são diferencial de juros aqui e lá fora (SELIC - Juros de US treasury bill) e risco país", disse em entrevista ao IGN Brasil. "Se um país espera que seu risco aumente e que o retorno sobre seus ativos diminua (SELIC), então o dinheiro (recursos) sairá do país deixando uma depreciação do Real. O câmbio sobe".

"Com a pandemia, os recursos acabam saindo do nosso país e indo para os US, o que leva a uma depreciação da nossa moeda", afirmou. Os Estados Unidos também foram chamados pelo professor de "porto seguro", por ser o “lugar de menor risco do mundo”.

Desde o final de janeiro, o preço do dólar aumentou em um real e três centavos, levando em consideração a cotação atual (R$ 5,31). Ao que tudo indica, a desvalorização do real foi grave demais para que os preços de alguns jogos permanecessem inalterados por empresas como EA e PlayStation.

Aliás, mesmo em janeiro, preços de alguns jogos digitais tinham aumentado na PS Store — e não eram lançamentos. Na época, a PlayStation também havia afirmado que este aumento se deu por "questões de mercado".

Por enquanto, é impossível afirmar que os preços mais altos citados nesta matéria serão aplicados em todo o mercado como padrão... Contudo, a menos que exista alguma alteração na situação econômica do Brasil, esta parece ser a tendência.


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