Realismo mágico e cultura · 22/11/2021 - 10h43

Diretores falam sobre inspiração na Colômbia para criar o universo de Encanto


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Há alguns anos a Disney está apostando em elementos novos para criar suas animações. Assim, além das clássicas princesas que fazem parte do estúdio, outros personagens e narrativas começaram a ganhar espaço, como aconteceu em Moana – Um Mar de Aventuras (2016) e Raya e o Último Dragão (2021). E isso está de volta em Encanto, nova aposta do estúdio que chega aos cinemas brasileiros em 25 de novembro. As informações são do Jovem Nerd.

Durante uma entrevista coletiva realizada de forma virtual, a co-diretora Charise Castro Smith afirmou que o longa teve muita inspiração em autores da Colômbia, país que serve de cenário para a história:

“Definitivamente nos inspiramos muito no realismo mágico e em Gabriel García Márquez. Eu estava lendo Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera, e também Isabel Allende, com A Casa dos Espíritos. O realismo mágico que trabalhamos no filme é muito diferente, mas há uma cena com borboletas que é uma homenagem a isso.”

Byron Howard, um dos diretores da produção, revelou que viajou ao país ao lado de Lin-Manuel Miranda (Hamilton), responsável pela trilha sonora, e que isso foi determinante para acrescentar diversos elementos ao filme, desde a casa, até a relação da família Madrigal:

“Viajamos para a Colômbia com Lin [Manuel Miranda] e o pai dele, Luís, e foi uma experiência incrível. Ficamos maravilhados e aprendemos bastante sobre o país pelas pessoas que estavam lá compartilhando sua herança colombiana, suas famílias, a diversidade e a música. A Colômbia tem essa combinação de cultura, dança, comida, tradições… foi um momento incrível. Conhecemos pessoas de personalidades diferentes e pensamos em como colocar isso na trama.”

A história do filme segue a família Madrigal, cujos herdeiros recebem dons mágicos ao completar uma certa idade. A única que não tem um dom é Mirabel (voz original de Stephanie Beatriz), que se sente deslocada dos demais, ao mesmo tempo em que percebe que há algo errado com a magia que cerca a família.

Para Beatriz, conhecida pelo papel de Rosa em Brooklyn Nine-Nine, foi fácil se identificar com esse sentimento:

“Mirabel não tem nenhum dom, algo com o que consigo me identificar muito porque, em vários momentos da minha vida, me senti deslocada, como se eu não estivesse à altura, como se não tivesse talento suficiente para estar ali, uma síndrome do impostor. Mas, ficando mais velha e experiente, descobri que também tenho algo a oferecer, que é especial e único.”

A atriz define Mirabel não como uma princesa da Disney, mas como uma “heroína” do estúdio, o que considera muito mais legal.

Expectativas de família

Em Encanto, toda a família Madrigal vive na mesma casa, algo que gera pequenos conflitos o tempo todo, mesmo para quem tem um dom. Isabela, por exemplo, é considerada a “filha perfeita”, e esse título também carrega muita pressão.

Durante a coletiva, Diane Guerrero, voz original da personagem, falou sobre o sentimento de buscar a perfeição, algo que acontece bastante quando sua personagem tenta agradar a família:

“O dom de Isabela é fazer as coisas crescerem, como plantas e belas flores. E sinto que esse dom chegou com a expectativa de que ela precisava ser perfeita, linda o tempo todo, e ela usa isso como uma defesa, de uma forma que funciona por muito tempo. Mas ela percebe que ser um ser humano perfeito é impossível. Relaciono isso bastante com a minha própria vida. Eu costumava achar que, quando você é imperfeito, você não faz as coisas da forma certa. Eu tinha medo de estragar tudo, de fazer perguntas bobas, de demonstrar que eu estava com problemas, etc.”

O tema da expectativa vs realidade permeia toda a história de Encanto, e também reflete a vida dos criadores do filme. Lin-Manuel Miranda revelou que se inspirou na própria irmã para criar uma das músicas do filme, quase como um pedido de desculpas a ela, e que um dos pontos fortes da animação é esse sentimento de identificação:

“Qualquer pessoa que cresce em uma família entende a tensão entre como você se vê, e como sua família te vê, algo que muda com o passar do tempo. Isso é multiplicado pelos irmãos, tios, tias, primos, e a forma como você interage com essas pessoas. É importante escrever sobre tudo isso. Acho quase impossível alguém assistir este filme e não se identificar com pelo menos um personagem.”

Para Byron Howard, a Disney Animation está acertando ao apostar em diversidade – tanto de histórias, quanto de elenco e equipe – e isso será refletido de forma positiva no futuro do estúdio:

“Estamos empolgados para os próximos 10 anos da Disney Animation, porque temos vários cineastas que estão chegando e expandindo as nossas narrativas. Passei cinco anos me apaixonando pela Colômbia, um país que merece muito ser conhecido. Sentimos que nossos colaboradores se tornaram realmente uma família, o que foi uma parte incrível da produção. É muito emocionante chegar nesta parte do processo, em que o filme está prestes a ser lançado no mundo todo, então todos poderão ver o resultado desse cuidado.”

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