Condição afeta 1 em cada 3 adultos -

Pressão alta: conheça mitos e verdades sobre a condição

De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a hipertensão arterial ou pressão alta é uma condição que afeta 1 em cada 3 adultos em todo mundo. No Brasil, cerca de 24% da população convive com o problema, segundo o relatório “Estatística Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2023”. 

Para entender as causas e tratamento dessa condição, Rodrigo Aguilar, cardiologista no Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), e Jamila Xavier, cardiologista no Hospital Universitário Júlio Müller da Universidade Federal de Mato Grosso (HUJM-UFMT), respondem mitos e verdades sobre a hipertensão arterial. 

Foto: ReproduçãoMedindo a pressão

1. Basta reduzir a quantidade de sal na hora do preparo dos alimentos para evitar o aumento da pressão arterial?

MITO. Segundo Rodrigo Aguilar, retirar o sal da comida é um passo importante para reduzir o consumo de sódio. Mas, também é essencial estar ciente de outros alimentos que também contém sódio, como alimentos processados, enlatados e fast-foods. Além de reduzir o consumo de sal, é importante manter uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras para ajudar a controlar a pressão arterial.

A cardiologista Jamila Xavier orienta que retirar o saleiro da mesa de refeição é uma boa iniciativa, mas também são necessárias adotar hábitos alimentares saudáveis, como o uso de ervas, especiarias e misturas de temperos sem sal para cozinhar, diminuir ou evitar o consumo de carnes processadas, enlatados, temperos e molhos prontos, além de lanches industrializados. Também é importante ler os rótulos nutricionais dos alimentos e escolher aqueles com baixo teor de sal (cloreto de sódio).

2. O consumo de sódio em excesso está relacionado com o aumento da pressão arterial?

VERDADE. O cardiologista do HU-UFSCar explica que a ingestão elevada de sódio é comprovadamente um fator de risco para o aumento da pressão arterial. Quando há excesso de sódio na corrente sanguínea, há um estímulo para que haja aumento da quantidade de água dentro dos vasos sanguíneos. Com um volume maior de sangue fluindo através de seus vasos sanguíneos, a pressão arterial aumenta. Estudos mostram que a ingestão de sódio está associada a doenças cardiovasculares como o infarto e o derrame cerebral, quando a ingestão média é superior a 2g de sódio, o equivalente a 5g de sal de cozinha por dia.

3. Hipertensos devem consumir menos sal?

MITO. A maioria dos brasileiros deve consumir menos sal do que o habitual, não somente os hipertensos. A cardiologista do HUJM-UFMT explica que a quantidade de sal recomendada diariamente, tanto para indivíduos hipertensos como para a população geral, é de 5g/dia (ou 2g de sódio por dia). A ingestão média de sal no Brasil é de 9,3 g/dia (9,63 g/dia para homens e 9,08 g/dia para mulheres). Ou seja, quase o dobro do recomendado.

4. Estresse eleva a pressão?

VERDADE. Segundo o cardiologista Rodrigo Aguiar, o estresse pode ter um impacto significativo na pressão arterial. Quando uma pessoa está estressada, seu corpo libera hormônios do estresse, como a adrenalina, que podem causar um aumento temporário na pressão arterial. Se o estresse é crônico, ou seja, persiste por um longo período de tempo, isso pode levar a problemas de saúde mais graves, incluindo hipertensão arterial.

Além disso, o estresse também pode levar a comportamentos que aumentam o risco de pressão alta, como má alimentação, falta de exercício físico, consumo excessivo de álcool e tabagismo. Portanto, é importante encontrar maneiras saudáveis de lidar com o estresse, como praticar exercícios regularmente, meditar, fazer atividades relaxantes e manter uma rede de apoio social forte. Essas medidas podem ajudar a reduzir o impacto do estresse na pressão arterial e na saúde geral.

A cardiologista Jamila Xavier reforça que toda vez que situações de estresse ultrapassam os limites do indivíduo, seja em intensidade e/ou duração, isso é considerado uma agressão ao organismo e pode ter consequências cardiovasculares. Há, consequentemente, o estímulo do sistema nervoso simpático resultando em aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, assim como há o estímulo à produção de substâncias vasoconstritoras.

Caso as situações de estresse estejam presentes cronicamente, isso pode contribuir para o desenvolvimento da hipertensão arterial. A magnitude da resposta ao estresse (reatividade cardiovascular) pode ter influência desde fatores genéticos como das experiências que o paciente está vivendo. 

5. Hipertensão na gravidez é uma das principais causas de mortalidade materna no Brasil?

VERDADE. De acordo com a cardiologista HUJM- UFMT Jamila Xavier, a hipertensão é uma condição potencialmente grave durante a gravidez, visto que pode ser um sinal de insuficiência placentária (pré-eclâmpsia) e pode levar a outras complicações, tais como parto prematuro, pré-eclâmpsia e eclâmpsia – principais causas de mortalidade materna no Brasil.

O cardiologista do HU-UFSCar reforça que a pré-eclâmpsia pode levar a complicações graves, como danos aos órgãos, parto prematuro e restrição do crescimento fetal. Portanto, é importante que as mulheres grávidas monitorem sua pressão arterial regularmente e recebam cuidados médicos adequados para prevenir e gerenciar a hipertensão durante a gravidez.

Fonte: Alto Astral

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