Principais reivindicações · 30/06/2022 - 08h00

Médicos cobram investimentos públicos para ampliar cirurgias pediátricas


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A realização de investimentos públicos visando ampliar o tratamento e o número de cirurgias em crianças com cardiopatia congênita no Piauí foi uma das principais reivindicações de médicos na audiência pública realizada nesta quarta-feira (29/06) no plenarinho da Assembleia Legislativa, atendendo requerimento da deputada Teresa Britto (PV).

Ao abrir os trabalhos da audiência pública, a deputada Teresa Britto, vice-presidente da Comissão de Saúde, Educação e Cultura, convidou para a mesa o médico cirurgião Sebastião Martins, o representante da Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Piauí (OAB-PI), Jânio Nunes, a senhora Tuane Costa, representante das mães com filhos com cardiopatia congênita, e o presidente do Conselho Municipal de Saúde de Teresina, José Roberto Leite.

O médico Paulo Cortelazzi, diretor do Hospital São Paulo, disse que os investimentos públicos devem ser feitos não somente na criação de um centro de atendimento às crianças, mas na formação de pessoal qualificado, incluindo anestesistas e enfermeiros. “O grande problema é que as nossas crianças têm de ser levadas para outros Estados porque aqui falta até mão de obra especializada”, acrescentou ele.

Em seguida, Teresa Britto afirmou que a audiência pública tinha o objetivo de debater e buscar um planejamento para que o Piauí possa atender a todas as crianças que necessitam de cirurgias cardiopatas. Ela assinalou que os investimentos precisam ser feitos porque a vida não tem preço.

A médica Natália Vale, da Maternidade Evangelina Rosa, propôs a implementação de um Plano Emergencial para que a Secretaria de Saúde adquira material imediatamente para atender as crianças que necessitam de tratamento e de um plano a longo prazo para instalação de um centro de atendimento na área da cardiopatia congênita. Em seguida, o médico Sebastião Martins disse que é preciso vontade política para a realização de investimentos no setor de cardiologia pediátrica, enquanto o representante da OAB-PI, Junior Nunes, disse que a entidade apoia a luta que visa ampliar a assistência às crianças com cardiopatia congênita.

A senhora Maria José Costa, da Secretaria Estadual de Saúde, disse que atualmente existem duas crianças que estão agendadas para realizar cirurgias do coração em São Paulo. Ela afirmou que havia uma grande fila de espera nos dois primeiros anos da pandemia do novo coronavirus, mas praticamente todos os que precisavam de cirurgias foram atendidos. O representante do Conselho Municipal de Saúde de Teresina, José Roberto Leite, parabenizou a deputada Teresa Britto pela realização da audiência pública e disse que devem ocorrer melhorias na assistência às crianças porque, em primeiro lugar, está o direito à vida.

A senhora Tuane Costa, representante das mães na audiência pública, declarou que, depois de muita luta, teve um filho com cardiopatia congênita operado em São Paulo e que agora trabalha para que todas as crianças recebam o tratamento de que necessitam. A deputada Teresa Britto colocou seu gabinete à disposição das mães, inclusive na área jurídica, afirmando que continuará dando total apoio visando a ampliação do atendimento às crianças com cardiopatia congênita.

Audiência Pública sobre cardiologia pediátrica define encaminhamentos

A celeridade do transporte dos pacientes que precisam ser transferidos para outras cidades, compra de material para realizar a cirurgia de Blalock-Taussig, disponibilizar ultrassonografia morfológica para as gestantes também é uma demanda e a criação de uma comissão para continuar o debate e que uma nova reunião, já com as respostas da Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (SESAPI), foram alguns dos encaminhamentos tomados pela audiência pública.  “O Ministério Público pode dar o aval, para não pôr em risco uma ação emergencial até que se faça a licitação”, sugeriu a deputada

A partir da reunião, outras ações sugeridas são de buscar fazer acordo com hospitais para que seja ampliado o atendimento aos pacientes com cardiologia congênita e que o Estado coloque recursos no planejamento de 2023 para a construção de um Instituto do Coração do Piauí. 

SESAPI

A diretoria de Unidade Organização Hospitalar da Secretaria Estadual de Saúde, Joselma Maria Oliveira Rodrigues Alves, participou da audiência e pediu a formação de uma Comissão de Estudo para elaboração de um projeto defendendo a possibilidade de aumento de incremento para os hospitais particulares e conseguir aprovar um projeto exequível. Ela acrescentou ainda que o tema já vem sendo discutido e que existe um projeto de convênio com outros Estados para a liberação de vagas para as crianças do Piauí.

“Precisamos pegar o descritivo dos materiais e insumos usados para que possamos abrir processos licitatórios, uma vez que no serviço público só evoluímos com o processo licitatório. E com um projeto exequível podemos avançar mostrando também para o Ministério da Saúde que os valores da tabela SUS estão defasados com relação aos procedimentos de alta complexidade”, disse Joselma.

REPRESENTANTES

Durante a audiência, a pediatra Ivana Cavalcante, representante da Maternidade Dona Evangelina Rosa (MDER), falou sobre a sua atuação na rede pública de saúde e ressaltou a importância da realização de exames para o diagnóstico precoce de doenças cardiológicas.

A médica Roselane Borges defendeu o acesso de todas as pessoas a um atendimento de saúde de qualidade. "Todos temos o mesmo direito. Quando nos deparamos com situações em que há uma involução, nós sofremos. As mães chegam com a esperança de que os filhos serão operados e essa não é a realidade. Nós fomos preparados para salvar e nos deparamos com situações de impotência, mas não desistimos”, relatou a representante da Maternidade Municipal Wall Ferraz.

O representante do Conselho Municipal de Saúde Antônio José da Cruz manifestou-se a favor de melhorias nas condições de trabalho dos profissionais de saúde. O representante justificou que tais melhorias impactam diretamente na qualidade da oferta de saúde para o público infantil.

PostMídia: (86) 9 9800-9535


Fonte: ALEPI

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