João Pedro de 14 anos · 19/05/2020 - 16h55

Vídeo: mãe de jovem morto mostra casa metralhada por policiais


Compartilhar Tweet 1



Um vídeo gravado por familiares de João Pedro, de 14 anos, morto por um tiro de fuzil na barriga, durante operação no Complexo do Salgueiro, nessa segunda-feira (18/05), mostra o resultado de ação conjunta da Polícia Civil do Rio de Janeiro e da Polícia Federal no interior da residência do avô de um dos primos do garoto. As informações são de Metrópoles.

O jovem João Pedro, havia acabado de sair da sua residência, localizada na Travessa Adelina, para encontrar com os primos e se divertir em meio a um período difícil decorrente da quarentena imposta pelo coronavírus. Chegando na casa dos entes queridos, a vítima teve pouco tempo para brincar ao celular, pois a casa foi invadida e virou cenário de filme de terror. Durante a ação dos policiais, que afirmavam terem visto três traficantes no interior da residência, a criança foi baleada e levada de helicóptero - sem os familiares - para um hospital na Lagoa, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
 

“É inadmissível o que esses homens fizeram com o meu filho, ele não tinha envolvimento com nada, era uma pessoa muito querida por todos. Pegaram o meu filho, colocaram no avião e não deixaram ninguém ir com eles. Ficamos horas sem notícias do meu pequeno, por quê? Por que fizeram isso com o João Pedro? O que será da minha vida sem meu filho? Que os responsáveis sejam punidos, o meu filho não irá voltar, mas o marginal que fez isso terá que pagar pelo erro”, disse a mãe da criança, Rafaela Coutinho, de 36 anos.
 

Após o socorro de João Pedro, começou a aflição por notícias para saber onde o jovem tinha sido levado. Os familiares fizeram buscas por hospitais de São Gonçalo, Niterói e Rio de Janeiro, além de terem ido a delegacias, como a Divisão de Homicídios de Niterói, Itaboraí e São Gonçalo, mas não obtiveram nenhuma resposta. Até que a notícia que a família menos esperava receber chegou: o corpo de João Pedro estava no Instituto Médico Legal (IML) de Tribobó, em São Gonçalo, onde familiares e amigos realizam, na manhã desta terça-feira (19/05), os procedimentos para o sepultamento do jovem que é mais uma vítima do problema de segurança pública presente em todo o Estado do Rio de Janeiro.
 

“A casa em que o João Pedro estava é sempre visada pela polícia em épocas de operação, pois é uma casa bonita com piscina e os policiais acreditam se tratar de um esconderijo de traficantes e não é. Quer dizer que o pobre não pode trabalhar e conquistar uma casa boa? Eles vieram aqui, fizeram uma tragédia e quem irá pagar? Quem vai ficar responsável pela morte do meu sobrinho? Vocês acabaram com a família da Rafa, do Neilton - pai do João Pedro - e agora? Tenho certeza que essa operação não foi barata, vieram aqui, mataram uma criança e mais nada. É inadmissível”, disse uma tia da criança, que preferiu não se identificar.
 

Um vídeo gravado por familiares da criança mostra a resultado do confronto entre os policiais e os traficantes no interior da residência do avô de um dos primos da vítima. Em diversas partes da casa, podem ser vistos marcas de disparos de armas de fogo e uma poça de sangue no meio da sala.

 


Comentários