Responder pelo crime · 10/08/2020 - 17h45

"Mataram um inocente", diz mãe de jovem morto em abordagem policial


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Para a mãe de Rogério Ferreira da Silva Júnior, morto no dia do aniversário durante uma abordagem policial na zona sul de São Paulo, os PMs devem responder pelo crime. A reportagem é da Record TV.

"Eles atiraram nele porque estava sem capacete. Eu sei que é errado. Estou sentindo muita dor. Que a justiça seja feita. Agiram errado e mataram um inocente", afirmou Roseane Ribeiro, à Record TV. 

Rogério completou 19 anos neste domingo (9). Participou de um almoço preparado pela mãe, mas nem teve tempo de cortar o bolo e cantar parabéns. Como de costume, ele foi passear de moto pelo bairro, mas, desta vez, se deparou com policiais da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas).

De acordo com a polícia, um homem, em atitude suspeita, estava dirigindo uma moto sem placa na avenida dos Pedrosos, na altura do número 227, quando foi abordado, mas não parou. Segundo o boletim policial, ocorreu uma perseguição, durante a qual o suspeito teria tentado derrubar uma das motos da patrulha.

Ao ser parado, os agentes afirmaram que o suspeito desceu da motocicleta e colocou a mão na cintura, simulando estar armado. Neste momento, um dos policiais disparou contra o homem. O jovem chegou a ser socorrido por pessoas que estavam no local, mas não resistiu.

No entanto, imagens de câmeras de segurança mostram o jovem com as duas mãos na direção da moto, encostando na via até que cai no chão. 

Nas redes sociais, colegas da vítima alegaram que o tiro ocorreu sem que o jovem fizesse qualquer menção de reação. A situação causou tumulto até que a vítima fosse levada ao hospital.

A mãe afirmou que recebeu a notícia de que o filho tinha sido baleado por policiais cerca de 10 minutos depois que ele saiu de casa. Para Roseane, a polícia dificultou o socorro: "Os policiais não disseram nada e não deixou socorrer. Depois de mais de 30 minutos, com a aglomeração, deixaram pegar ele e levar de carro pro hospital. Quando o Guilherme chegou, ele tava agonizando. Talvez se tivesse socorrido imediatamente, ele ainda poderia estar aqui".

De acordo com o boletim de ocorrência, houve tumulto e os policiais teriam sido hostilizados e uma viatura depredada. Nenhum policial se feriu.

De acordo com Roseane, o filho "saiu de casa na hora errada". Ele não tinha antecedentes criminais e nem estava armado. O jovem foi descrito por ela como honesto e trabalhador: "Conheço a índole do meu filho. Rogério era um menino muito amado, por isso, quando aconteceu tudo, o bairro chegou junto".

O caso é investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). O amigo de Rogério, Guilherme, prestou depoimento nesta manhã. O corpo do jovem ainda estava no IML (Instituto Médico Legal).  


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