Tomar medidas de transição · 21/06/2022 - 08h06 | Última atualização em 21/06/2022 - 08h17

Para Ciro Nogueira, CPI da Petrobras pode desencarcerar escândalos do PT


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O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP), disse em entrevista ao Valor ser contrário a uma mudança na política de preços da Petrobras. Mas defendeu que a empresa implemente “mecanismos de transição” para atravessar este momento de crise, em que os preços estão sendo impulsionados pela guerra na Ucrânia.

Bolsonaro pediu ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), CPI sobre Petrobras; já Nogueira disse que decisão de instaurar cabe ao Congresso
Bolsonaro pediu ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), CPI sobre Petrobras; já Nogueira disse que decisão de instaurar cabe ao Congresso    Marcelo Camargo/Agência Brasil

“Eu acho que nós tínhamos que ter uma medida de transição para este momento de guerra. Porque o preço do barril não é esse. Isso é um valor artificial por conta da guerra. Nós tínhamos que ter mecanismos de transição nesta época para enfrentar este momento”, afirmou. Nós estamos em um período de crise mundial. O petróleo não era para estar nesse valor se não tivesse essa guerra na Ucrânia. Uma coisa é o petróleo a US$ 120 [o barril], outra coisa é o petróleo a US$ 60.”

Na opinião do ministro-chefe, o país já deveria ter implementado esse mecanismo para enfrentar a crise, mas a ideia não encontrou respaldo na Petrobras.

“Eu acho que nós tínhamos que efetivamente ter tido medidas para enfrentar essa crise, como aconteceu em diversos outros países. Mas nós não encontramos sensibilidade na Petrobras, também muitas vezes por questões de CPF dos próprios gestores, que ficam preocupados com as penalidades que eles possam vir a sofrer se isso for implementado”, afirmou. “Nós temos um momento que nós tínhamos que ter criado mecanismos para este momento de crise. Passada a crise, eu acho que essa discussão perde um pouco o apelo. Porque, se o petróleo cai a US$ 60, não tem esse apelo tão forte. Ninguém esperava uma guerra tão longa.”

Ciro pondera, no entanto, que há obstáculos “que às vezes são intransponíveis” para a superação da crise. O principal deles é a importação de combustíveis, que ele diz ser fruto do fracasso do país em ser autossuficiente no refino – responsabilidade que ele atribui aos governos do PT.

“Nós temos uma série de obstáculos que às vezes são intransponíveis. E o grande, o maior deles, é a questão de importação do combustível. O que você faz com os 30% que importa? “ disse. “Por que nós estamos importando 30%? Porque as refinarias que eram para ser construídas no governo do Partido dos Trabalhadores foram desviados os seus recursos, não foram feitas. O Brasil é o único país grande no mundo que não é autossuficiente em refino. [...] Hoje nós estaríamos nesse momento de crise protegidos, se nós tivéssemos feito isso. Não fizemos.”

Nogueira afirmou de uma falta de “transparência maior nessa questão dos preços”, alegando que “a Petrobras se comunica muito mal”.

“Porque a maior parte do valor dos combustíveis não é oriunda da Petrobras. Mas ela não consegue passar isso para o consumidor. Passa sempre uma imagem de que o grande culpado do valor do custo dos combustíveis do nosso país é sempre a Petrobras. E às vezes não é”, afirmou. “Acho que tem que haver transparência, porque isso é um valor mundial e as pessoas não entendem isso dessa forma. E isso tem prejudicado muito a imagem do governo.”

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