Política

Um ciclo perpétuo · 18/08/2019 - 16h40 | Última atualização em 18/08/2019 - 17h47

Veja aterradores registros daquilo a que chamam de escolas municipais no Piauí

Auditores do TCE registraram o que 10 em cada 10 piauienses sabem que existe no interior: alunos sendo transportados em “pau de arara”


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

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- Se questionar o sistema opressor com excelente formação educacional já é difícil (alguns tentam desqualificar e até prender), imagina sem estudo de qualidade

- Transporte em "pau de arara", alimentos vencidos, falta de água filtrada, ausência de laboratórios de informática, de bibliotecas. E por aí vai

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OS ESQUECIDOS PELO PODER PÚBLICO

O estado do Piauí, um dos estados mais corruptos do Brasil, há décadas e mais décadas mantém um ciclo vexatório. Sem educação pública de qualidade ofertada por seus governantes de forma igualitária, estes, por sua vez, com suas posteriores gerações, tiram proveito daquilo que as gerações passadas de políticos criaram ou ajudaram a perpetuar: a exploração da pobreza, da ignorância, que juntos, corroboram para o voto de cabresto, para a dependência de políticos, para a perpetuação de uma população acrítica, que tudo aceita, nada questiona, ainda mais o sistema.

Uma auditoria concomitante do Tribunal de Contas do Estado (TCE) feita, por amostragem, detectou situações de preocupação extrema nos quatro cantos do estado do Piauí e demonstra - ainda que só o pouco, muito pouco - a perpetuação do ciclo que não permite o Piauí ser um estado com mão de obra qualificada, além da perpetuação de políticos questionáveis no poder ao longo de anos, sem rotatividade.

A auditoria foi provocada pelo Conselho Estadual de Educação (CEE), após noticiar a existência de 63 municípios piauienses com ato autorizativo de funcionamento de cursos da Educação Básica vencido e 1 descredenciado do sistema estadual de ensino.

Diante disso, auditores do TCE foram destacados para, em campo, aplicarem questionamentos oriundos de formulários pré-estabelecidos.

“Ante a relação dos 64 municípios irregulares, selecionou-se uma amostra não-probabilística de 11 (onze) municípios, divididos nas quatro mesorregiões piauienses, a partir do critério de maior quantidade de alunos e menor resultado do IDEB, para realização de inspeção in loco, de modo a observar e constatar a problemática no qual a educação municipal está envolvida”, traz trecho do relatório.

As constatações em 39 escolas visitadas são no mínimo preocupantes além do que, vergonhosas. 

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DETALHES DO RELATÓRIO DE AUDITORIA

Entre as escolas auditadas, havia unidades sem professor efetivo ou com percentual abaixo do recomendado na Meta 18.1 do Plano Nacional de Educação 2014-2023, aprovado por meio da Lei nº 13.005/2014; 

• 35% das escolas visitadas possuem turmas multisseriadas; 

• Existência de escolas com estrutura física em situação precária, com paredes feitas de barro e madeira, cobertura de palha, com pontos de abertura no teto, chão de barro batido, sem banheiro, biblioteca, cantina, espaço para prática de esportes e condições de acessibilidade. Nestas, as instalações não possuem o mínimo necessário a um bom desempenho educacional; 

• A maioria das escolas visitadas não possui dependências acessíveis aos portadores de alguma deficiência física; 

• 43,59% das escolas inspecionadas não possuem sala dos professores; 

• Em 53,85% (21 unidades escolares) não há espaço para atividade física; 

• 92,31% não dispõem de biblioteca; 

• Nenhuma das 39 (trinta e nove) escolas visitadas possui laboratório de ciências; 

• Apenas 5,13% (02 unidades) possuem laboratório de informática; 

• Precariedade do acompanhamento das merendas pelo nutricionista, cardápios que não atendem as prescrições da Lei nº 11.947/2009, deficiência no armazenamento dos gêneros alimentícios pelas escolas e alimentos com prazo de validade vencido; 

• Transporte irregular de alunos em veículos conhecidos como “pau-de-arara”; 

• 25,64% (10 escolas) não possuem água filtrada.  

 


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