Política

Sacados na 'boca' do caixa · 18/10/2020 - 12h54 | Última atualização em 18/10/2020 - 13h28

TOPIQUE: prefeito do PT recebeu propina nas vésperas da Copa do Mundo de Futebol de 2014

Chefão da Topique repassou dois cheques no valor de R$ 5.000,00 para então gestor do município de Caracol


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

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- Chefão da Topique pagou filiados a partidos como PP, PT (então prefeito) e PMDB no município de Caracol, segundo MPF

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_Luiz Carlos Magno Filho, que para o MPF é o chefão do braço empresarial da Topique em um mega esquema de corrupção (Foto: Divulgação)
_Luiz Carlos Magno Filho, que para o MPF é o chefão do braço empresarial da Topique em um megaesquema de corrupção (Foto: Divulgação) 

O ANO DA DECEPÇÃO NO FUTEBOL

UM ANO DEPOIS DO INÍCIO DOS PROTESTOS NAS RUAS DO BRASIL

O ex-prefeito do Município de Caracol pelo Partido dos Trabalhadores (PT) Nilson Fonseca Miranda é um dos alvos na nova leva de denúncias remetida à Justiça Federal pelo Ministério Público Federal (MPF). 

A denúncia que envolve o político, já aceita pelo Judiciário, sustenta que o então gestor recebeu propina em razão da função pública que exercia, “ou seja, vantagens repassadas ao agente público tendo em vista garantir os lucros da organização criminosa investigada na Operação Topique em contrato de transporte escolar daquele município, à custa de recursos público federal (PNATE e FUNDEB)”.

Ao identificar os denunciados o MPF informa que “Nilson Fonseca Miranda é filiado ao PT desde 2007”. Que “assumiu o cargo de Prefeito do município de Caracol/PI em setembro de 2011, em razão de cassação do primeiro colocado no pleito de 2008 pela Justiça Eleitoral”. Ainda que “Nilson Miranda Fonseca acabou reeleito em 2012, tendo ficado no cargo de prefeito de Caracol/PI até o final de 2016”. Ele responde por corrupção passiva.

Segundo a denúncia, em 10 de junho de 2014 [uma terça-feira], nas vésperas da Copa do Mundo de Futebol, o chefão da Topique Luiz Carlos Magno Silva “entregou R$ 10.000,00 ao então prefeito de Caracol Nilson Fonseca Miranda, por meio de dois cheques de R$ 5.000,00 da empresa Locar Transportes que foram descontados e sucessivamente depositados na conta do gestor municipal”.

Em inquérito da Polícia Federal constam cópias do dois cheques assinados pelo empresário Luiz Carlos Magno Silva. “Esses cheques foram descontados pelo próprio prefeito de Caracol/PI na época, Nilson Fonseca Miranda, cujo nome figura como beneficiário nos títulos”.

“Ademais”, continuam os procuradores da República que assinam a peça, “conforme a fita de caixa, na mesma sessão de atendimento bancário em que os cheques foram descontados ocorreu depósito imediatamente sucessivo de R$ 8.000,00 na conta pessoal do então principal gestor do Município de Caracol/PI, Nilson Fonseca Miranda, indicando que o restante (R$ 2.000,00) foi levado em espécie pelo beneficiário dos cheques”.

Um fato relevante nas investigações é que nessa data a empresa Locar Transportes era a contratada pela prefeitura para prestar serviços de transporte escolar com recursos federais.

_Localização do município de Caracol/PI (Imagem: Reprodução/Wikipédia) 
_Localização do município de Caracol/PI (Imagem: Reprodução/Wikipédia)  

A PASTA SANFONADA NA COR AZUL: SUPERFATURAMENTO

Uma pasta sanfonada na cor azul apreendida em operação da Polícia Federal trazia em seu interior, segundo o MPF, “pagamento de serviços de transporte escolar e de locação de veículos em diversos municípios”. 

“As subdivisões da pasta também estavam identificadas por etiquetas com nomes de municípios. A primeira subdivisão corresponde ao Município de Caracol”.

E, “nesses documentos alusivos a Caracol/PI, verifica-se que, em outubro de 2014, o total da folha de pagamento dos motoristas subcontratados pela Locar para prestar os serviços de transporte escolar naquele Município foi de R$ 16.440,00, enquanto que a empresa faturou, mediante Nota Fiscal 1086, o valor R$ 42.320,50”. 

Com isso, concluíram os investigadores, “o custo do serviço foi, de fato, apenas 38,85% do valor faturado ao Município, o que implica em superfaturamento de 61,15%, já que todos os veículos, o combustível e todos os custos de operação corriam por conta dos subcontratados”. 

“FOLHA DE PGTO - SECRETARIA DIVERSOS - CARACOL”

A denúncia informa ainda que há outras planilhas, “Folha de pgto - Secretaria Diversos - Caracol”.

“Nessas outras planilhas, os valores recebidos da Locar Transportes pelos “motoristas” são bem maiores que os atribuídos aos motoristas subcontratados para o transporte escolar (...). Além disso, também diferente do que ocorre na planilha dos motoristas do transporte escolar, não há a especificação dos veículos que seriam fornecidos por esses outros “motoristas””, traz a peça acusatória. 

“MOTORISTAS” TINHAM VÍNCULOS COM A ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

Outra descoberta nas investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e que constam da denúncia ofertada à Justiça Federal é que esses "outros motoristas” pagos pela LOCAR tinham vínculos com a administração municipal da época. 

“Quanto a esses supostos motoristas de Caracol/PI, remunerados pela empresa Locar Transportes com valores diferenciados (em comparação com os motoristas de transportes escolar), o levantamento dos seus dados pessoais indica tratar-se de pessoas com atuação e/ou vínculos políticos com a gestão municipal de então, representada pelo denunciado Nilson Fonseca Miranda”, explicam os procuradores da República. 

Veja os nomes que receberam dinheiro do chefão da Topique em Caracol:

_Imagem (Reprodução). Destaques (180graus.com)
_Imagem (Reprodução). Destaques (180graus.com) 

 

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