Política

Indicado para o Supremo · 23/08/2021 - 17h44 | Última atualização em 23/08/2021 - 17h53

Renan Calheiros diz que votou em Nunes Marques, mas há dificuldades para aprovar André Mendonça

Senador diz que tanto o juiz piauiense como o procurador-geral da República Augusto Aras eram conhecidos, ao contrário do novo nome do Planalto


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

_Senador Renan Calheiros durante entrevista em evento da ABRAJI (Imagem: Reprodução)
_Senador Renan Calheiros durante entrevista em evento da ABRAJI (Imagem: Reprodução) 

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse que votou favorável à aprovação do nome de Kassio Nunes Marques para ministro do Supremo Tribunal Federal por ele ser "conhecido", apesar de indicado pelo presidente da República Jair Bolsonaro, mas já com relação a André Mendonça, outro indicado do Palácio do Planalto para o STF, o senador alagoano avalia a situação um tanto diferente.

As declarações foram dadas quando de entrevista de Calheiros no 16ª Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI). 

Sobre Kassio Nunes, o senador disse que "ele já era bastante conhecido em Brasília. Eu mesmo, pessoalmente, o conhecia. E a expectativa que nós temos é no sentido de que ele seja um grande ministro, que orgulhe a Corte. Ela [expectativa], evidentemente, que continua. Nós estamos apenas presenciando os primeiros meses de sua atuação no Supremo Tribunal Federal".

Sobre Augusto Aras, usou o mesmo argumento. "E o mesmo aconteceu com relação ao Augusto Aras, indicado [por Bolsonaro] para a Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele também é um nome muito conhecido em Brasília, com espaço junto à representação política, junto ao Congresso Nacional. E ele também foi aprovado apesar da indicação [ser de Jair Bolsonaro]", disse.

"Eu estou lembrando isso para dizer que o André Mendonça não é conhecido do Congresso Nacional. Ele está sendo avalizado apenas pelo presidente da República. O que o compromete muito nesse momento em que ele será sabatinado e o seu nome será apreciado pelo Senado Federal", alertou.

Para Renan Calheiros, "um presidente da República que trata com desdém as instituições, que aposta na crise dos Poderes, que entra com processo de impeachment no Congresso Nacional contra um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), evidentemente que ele não é isento quando faz a indicação de um ministro que o Congresso não conhece. Então muitas perguntas terão que ser respondidas pelo André Mendonça na ocasião da sua sabatina, quer dizer, se ela acontecer, claro". 

APOSTA CONTRA

Ainda segundo Calheiros, em sua entrevista, ele diz que conversou com alguns ministros do STF. "Existe no Supremo Tribunal Federal ministros que defendem a aprovação do seu nome pelo Senado Federal, mas eu vejo muitas dificuldades, sobretudo agora depois do enfretamento com o Supremo e com alguns dos seus ministros, do ponto de vista também pessoal", falou.

Disse que "o ex-presidente da Casa, que hoje preside a Comissão de Constituição e Justiça (CNJ), senador Davi Alcolumbre, ele tem dito que sequer fará a sabatina e a apreciação do nome de André Mendonça, que é uma prerrogativa que ele detém em função do cargo que ele ocupa".

E finaliza afirmando: "Eu acho que hoje, se você pedir a minha aposta, eu acho que isso é o que tem mais chance de acontecer".

A entrevista com o senador Renan Calheiros foi conduzida pela jornalista Flávia Oliveira, colunista do jornal O Globo, na rádio CBN e comentarista da GloboNews.

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