Política

Liberdade de Imprensa · 11/09/2020 - 13h07 | Última atualização em 11/09/2020 - 13h26

“O jornalista investigativo que não incomodar vai ter que procurar outra profissão”, diz ministro

Em Congresso da ABRAJI, Alexandre de Moraes defende garantias da "autonomia e tranquilidade para que os jornalistas possam atuar"


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

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- "A população acaba não percebendo um ataque à imprensa quando se ataca os instrumentos importantes da liberdade de imprensa, instrumentos no sentido de pessoas que trabalham e levam as notícias”

- "O papel do poder judiciário, além de garantir a liberdade de imprensa, é garantir a liberdade de atuação da imprensa"

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_Ministro do STF, Alexandre de Moraes (Imagem: Reprodução)
_Ministro do STF, Alexandre de Moraes (Imagem: Reprodução) 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse que “o jornalista investigativo que não incomodar vai ter que procurar outra profissão”. “Faz parte até a própria personalidade de quem procura o jornalismo”, complementa.

As declarações foram dadas durante live com a jornalista da GloboNews Natuza Nery, no 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI).

Antes, inclusive, o membro do Supremo havia feito um comparativo entre a profissão de jornalista e o cargo que exerceu antes de ser alçado ao posto de ministro, que era o de promotor de Justiça. 

“Faz parte da profissão do jornalista investigativo incomodar. Por isso que eu disse no início da conversa que a proximidade do promotor do jornalista ela é muito grande”, disse.

“E é absolutamente inadimissível que o jornalista, exercendo sua profissão, seja ameaçado, seja coagido, covardemente ameaçado, covardemente coagido, porque não existe liberdade de imprensa, liberdade de expressão com jornalistas amedrontados, coagidos, com jornalistas ameaçados. E isso é um perigo também com as atuais milícias digitais com relação ao jornalismo”, falou.

Para Moraes, "é muito menos perceptível para a população em geral você ameaçar a honra, digitalmente tentar destruir a vida de jornalistas, do que censurar alguma coisa. A população acaba não percebendo um ataque à imprensa quando se ataca os instrumentos importantes da liberdade de imprensa, instrumentos no sentido de pessoas que trabalham e levam as notícias”. 

“A proteção aos jornalistas, o repúdio, e aí o poder judiciário tem uma função muito grande de responsabilizar, serve futuramente àqueles que tentam coagir jornalistas, àqueles que tentam ameaçar. Atrás de todo jornalista, assim como atrás de todo ministro, tem um ser humano e dependendo da situação, obviamente vai temer por sua vida, vai temer por sua família, vai temer pelas notícias que acabam se propagando contra a sua honra, contra a sua dignidade. Então o papel do poder judiciário, além de garantir a liberdade de imprensa, é garantir a liberdade de atuação da imprensa. E garantir a liberdade de atuação da imprensa é garantir autonomia e tranquilidade para que os jornalistas possam atuar. Isso todos os jornalistas podem ter total certeza de que o Supremo Tribunal Federal vai garantir”, pontuou.


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