Política

1ª Vara Criminal · 11/11/2021 - 18h03 | Última atualização em 11/11/2021 - 18h18

Juízes vão se declarando suspeitos em nova ação penal contra o jornalista Arimatéia Azevedo 

Ao menos dois juízes já se declararam suspeitos em ação que teria como suposta vítima, segundo membros do Estado, o empresário Thiago Gomes Duarte


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

_Advogado Rony Samuel e Arimatéia Azevedo, ambos denunciados pelo Ministério Público (Foto: Divulgação/Montagem)
_Advogado Rony Samuel e Arimatéia Azevedo, ambos denunciados pelo Ministério Público (Foto: Divulgação/Montagem) 

O juiz Carlos Hamilton Bezerra Lima, da 1ª Vara Criminal de Teresina, declarou-se suspeito para atuar em nova ação penal contra o jornalista Arimatéia Azevedo, deflagrada em face de denúncia ofertada pelo Ministério Público Estadual (MPE) com a acusação de suposta prática do crime de extorsão majorada. 

Segundo Carlos Hamilton, “tendo em vista que há uma relação de amizade entre este Magistrado e o denunciado José de Arimatéia Azevedo, já de alguns anos, todavia este fato, por si só, não tenha o condão de comprometer a isenção de ânimo deste Juiz para julgar o feito, por questão de foro íntimo e para manter a intangibilidade da Justiça que represento, dou-me por suspeito”, decidiu, declinando da competência.

Na mesma linha e posterior ao juiz Carlos Hamilton Bezerra Lima, o magistrado José Vidal de Freitas Filho, juiz substituto, também da 1ª Vara Criminal de Teresina, declarou-se suspeito, mas sem explicitar razão de amizade ou inimizade com qualquer uma das partes do processo.

Os autos então foram encaminhados para o presidente do Tribunal de Justiça visando seja designado um novo juiz para o caso. 

“Em razão de declaração de suspeição do Juiz Titular desta 1ª Vara Criminal, que também vem a ser o meu substituto legal, nos termos do Provimento nº 07, de 11 de março de 2019, da Corregedoria Geral da Justiça do Estado do Piauí, encaminhem-se os autos ao Presidente deste Egrégio Tribunal de Justiça, a fim de que seja designado um Magistrado para atuação neste feito”, traz a decisão assinada pelo juiz José Vidal de Freitas Filho.

RECENTE AÇÃO PENAL

Nesta ação penal o jornalista Arimatéia Azevedo é acusado do crime de extorsão majorada. O empresário Thiago Gomes Duarte, proprietário da distribuidora de Medicamentos Saúde e Vida, havia representado o jornalista e o ex-ouvidor-geral da prefeitura de São Raimundo Nonato, advogado Rony Samuel, junto à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, em Teresina.

Segundo a narrativa, Rony teria pedido valor monetário ao empresário para um terceiro. O pagamento seria para quitar uma suposta dívida em face da liberação de recursos públicos travados junto à Secretaria de Saúde. Parte do inquérito que vazou evidencia diálogo entre Rony - que é uma fonte de Arimatéia Azevedo - e um suposto representante da empresa. Mas não evidencia o profissional de imprensa pedindo dinheiro a qualquer integrante da Saúde e Vida.

O jornalista encontra-se preso na penitenciária Irmão Guido desde o último dia 7 de outubro. Seus advogados negam a prática do crime de extorsão e dizem que o processo não possui razão de existir.

Em interrogatório, o também denunciado Rony Samuel afirmou à autoridade policial que Arimatéia Azevedo não sabia do pedido de dinheiro (ASSISTA) após informações repassadas pelo ex-ouvidor-geral para a coluna do jornalista. As publicações tinham por objetivo, segundo Samuel, fazer com que a suposta vítima pagasse o que devia e que se aproveitou daquele espaço como fonte jornalística para realizar a manobra, mas admitiu que foi longe demais.

NOVA DENÚNCIA

Há ainda uma terceira denúncia, já ofertada pelo Ministério Público Estadual (MPE) contra Arimatéia Azevedo, também por suposta prática do crime de extorsão. 

A vítima seria o empresário Jadyel Alencar, proprietário da distribuidora de medicamentos Dimensão, e eventual candidato a deputado federal em 2022 pelo estado do Piauí.

Em publicação, o Portal AZ, que veicula a coluna de Arimatéia Azevedo, negou qualquer prática de crime e afirma que o empresário aproveitou-se da prisão do jornalista para formalizar mais uma denúncia, confundido tratativa comercial com suposto crime.

A PRIMEIRA DENÚNCIA POR SUPOSTA EXTORSÃO

Arimatéia Azevedo já responde a uma outra ação por suposto crime de extorsão, em que figura como réu o médico Alexandre Andrade Souza. 

Esse foi o caso que levou o jornalista à prisão em junho de 2020 por esse tipo de crime e encontra-se em fase de instrução e julgamento. 

O jornalista também nega a prática do crime neste caso.

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