Política

Homicídio · 11/05/2022 - 16h41 | Última atualização em 11/05/2022 - 17h57

Juiz marca audiência em caso que prefeito é acusado de mandar assassinar irmão de apresentador de TV

Prefeito de Campo Maior, Joãozinho Félix teria contratado morte de dois irmãos, mas pistoleiros, devido à falta de pagamento, matou só um, diz MPE


Compartilhar Tweet 1



 

Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

_João Félix, prefeito de Campo Maior, acusado de ser mandato de assassinato (Foto: Divulgação)
_Joãozinho Félix, prefeito de Campo Maior, acusado de ser mandante de assassinato (Foto: Divulgação) 

A audiência de instrução e julgamento no âmbito do processo em que o prefeito de Campo Maior Joãzinho Félix é acusado de ser o mandante do assassinato de Alípio Ribeiro dos Santos, irmão do apresentador de televisão Arnaldo Ribeiro dos Santos, está marcada para o próximo dia 27 de setembro, segundo determinação do juiz de direito da 1ª Vara da Comarca de Campo Maior, Múccio Miguel Meira.

“Dessa forma, mantenho o despacho que recebeu o aditamento à denúncia em face da fundamentação já exposta, uma vez que nesta fase não vislumbro nenhum requisito constante do art. 397 do Código de Processo Penal, não devendo os réus serem absolvidos sumariamente, afastando-se as assertivas  constantes das defesas prévias supracitadas, assim designo nova data para audiência de instrução e julgamento, dia 27/09/2022, às 9h30”, determinou em despacho-mandado.

A audiência será por vídeo conferência, através do sistema Microsoft Teams.

R$ 150 MIL POR DUAS VIDAS

Segundo o Ministério Público Estadual (MPE-PI), o político, atual prefeito de Campo Maior, também teria encomendado a morte do apresentador Arnaldo Ribeiro dos Santos, que só não morreu porque, segundo a denúncia, Joãozinho Félix não teria pago o valor todo do contrato, R$ 150 mil pelas mortes.

O aditamento à denúncia que já tramitava na Justiça Estadual é assinado pelo promotor de Justiça Luciano Lopes Nogueira Ramos. 

Na época do crime, em 2009, segundo a narrativa acusatória, o irmão do apresentador de televisão era vice-prefeito de Jatobá do Piauí, reduto eleitoral do clã Félix. Já Arnaldo Ribeiro era radialista na região e deferia duras críticas contra Jãozinho Félix, à época já prefeito de Campo Maior. 

A acusação diz ainda que insatisfeito, Félix teria, por intermédio de Rosa Silva Freitas - outro nome a aparecer no aditamento - contratado um grupo de especialistas em pistolagem para por fim à vida dos dois irmãos.

Primeiro seria assassinado o vice-prefeito de Jatobá - e assim foi feito -, para causar dor no irmão, e depois seria assassinado o próprio radialista.

“O denunciado João Félix de Andrade Filho na razão de sua condição de político e prefeito no ano de 2009 passou a hostilizar Arnaldo Ribeiro dos Santos que realizava críticas em relação ao primeiro denunciado [o prefeito Joãozinho Félix] na época que antecedeu o crime descrito na denúncia”, inicia o MP.

“Em razão de ser inimigo de Arnaldo Ribeiro dos Santos, por volta do mês de junho de 2009, o denunciado João Félix de Andrade Filho procurou a denunciada Rosa Maria Silva Freitas e solicitou que está contratasse alguém para matar a vítima Alípio Ribeiro dos Santos em razão do motivo torpe por ser irmão do jornalista Arnaldo Ribeiro dos Santos para que a morte da vítima atingisse o jornalista, bem como a morte de Arnaldo Ribeiro dos Santos”, acrescenta.

CONTRATOU POR R$ 150 MIL, MAS NÃO PAGOU O VALOR

Segue o Ministério Público: “A denunciada Rose Maria Silva Freitas entrou em contato com o Marcos Gago que vem a ser o Marco Aurélio Pereira Araújo e contratou este pelo valor de R$ 150.000,00 para matar Alípio Ribeiro dos Santos e Arnaldo Ribeiro dos Santos”.

“O denunciado Marco Aurélio Pereira Araújo (Marco Gago) procurou os acusados Francisco Teixeira Dantas e Francisco Teixeira Dantas Júnior para encomendar o assassinato da vítima e de Arnaldo Ribeiro dos Santos – sendo que o acusado Marco Aurélio Pereira Araújo (Marco Gago) era proprietário de uma parte do Hotel Colonial localizado em Teresina (PI) e vendeu a sua parte para Dede Macedo que repassou para o acusado Francisco Teixeira Dantas (...), sendo que o réu Marco Aurélio Pereira Araújo (Marcos Gago) conhecia o acusado Francisco Pereira Dantas”.

Mais: “Os denunciados Francisco Teixeira Dantas e Francisco Teixeira Dantas Júnior contrataram os acusados Raimundo Carneiro da Silva e João Batista da Silva Reis para executarem a vítima Alípio Ribeiro dos Santos e posteriormente Arnaldo Ribeiro dos Santos”.

“Os réus Raimundo Carneiro da Silva e João Batista da Silva Reis saíram de Teresina e na manhã de 22 de junho de 2009 chegaram numa motocicleta, sendo que um com capacete e o outro sem capacete, e de forma inesperada e sem chance de defesa do ofendido deram quatro tiros na vítima Alípio Ribeiro dos Santos que estava no pátio da Secretaria Municipal da Saúde, Campo Maior, com o intuito de matá-lo, sendo que os tiros causaram a morte do ofendido em razão da ação perfuro-contundente dos projeteis que atingiram a vítima”.

“Os denunciados Raimundo Carneiro da Silva e João Batista da Silva somente não mataram em outra data posterior a vítima Arnaldo Ribeiro dos Santos a mando dos acusados Francisco Teixeira Dantas e Francisco Teixeira Dantas Júnior porque o acusado João Félix de Andrade Filho não pagou o valor contratado".

QUADRILHA ESPECIALIZADA EM PISTOLAGEM

Ainda segundo o aditamento do MP, “os denunciados Francisco Teixeira Dantas (Dantas), Francisco Teixeira Dantas Júnior (Júnior ou Pajeú), Raimundo Carneiro da Silva (Mucura ou Raimundinho) e João Batista da Silva Reis (Batista) integravam uma quadrilha especializada na prática de homicídio por encomenda (pistolagem) (...)”.

Comentários