Revista 180 -

Herdeiros e órfãos do bolsonarismo no Piauí; estado mais lulista do Brasil

Como corrente política nacional que nasceu na campanha presidencial de 2018, o bolsonarismo passará por sua primeira prova de fogo fora do poder. A onda que surgiu a partir do anti-petismo e que levou o polêmico deputado federal Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, começou a se desmanchar já muito cedo. Janaína Paschoal, Joice Hasselman, Alexandre Frota, Mandeta, general Santos Cruz, Abraham Weintraub, Soraya Thronicke, Sara Winter. Estes são apenas alguns nomes de destaque que já abandonaram Bolsonaro ainda durante o mandato presidencial.

Confusão. Destino incerto. Dúvida. Sem conseguir se eleger, o ainda presidente da república já sente o baque e chegou a questionar, em uma reunião com apoiadores uma semana após a derrota em segundo turno, por que alguns que se elegeram usando seu nome não se empenharam de forma eficaz para lhe dar uma votação melhor?

Para piorar, importantes lideranças, como seu ex-ministro Tarcísio de Freitas, eleito governador de São Paulo, Romeu Zema, reeleito governador de Minas Gerais e Ronaldo Caiado, reeleito governador de Goiás, que o apoiaram nesta campanha de 2022, já estão se colocando na vitrine para substituí-lo de olho na sucessão de Lula em 2026. A importância dos cargos e projeção nacional destes três, já deixam Bolsonaro de cabelo em pé. 

BOLSONARO NO ESTADO MAIS LULISTA

A jornalista Samantha Cavalca e coronel Diego Melo eram as duas candidaturas mais bolsonaristas no Piauí. O militar foi ignorado, uma vez que em uma de suas lives Bolsonaro apresentou Silvio Mendes como seu candidato a governador e o mais incrível é que Silvio tentava esconder que, por causa de Ciro Nogueira, Bolsonaro era de fato seu candidato. Sem ter nem pra quê o Coronel Diego desistiu da candidatura ao governo para apoiar Silvio Mendes. Samantha, que fez uma campanha apaixonada defendendo Bolsonaro obteve 20.571 votos para deputada estadual. Considerando os mais de 460 mil votos de seu líder no primeiro turno, fica muito claro que ela não se credenciou para representar o atual presidente no Piauí. Nem mesmo o ministro Ciro Nogueira se cacifou para a missão de liderar o bolsonarismo por aqui (ele queria?), visto seu candidato perdeu para Lula em todos os municípios do Estado.

Ao que parece, estes mais de 400 mil eleitores de Bolsonaro no Piauí não encontraram em ninguém as características para representá-los. Até o momento Bolsonaro não conta com líderes herdeiros de seus votos. Por outro lado, estes eleitores, com a redução de Bolsonaro, sem mandato a partir de 2023, e já aumentando a debandada de apoiadores, poderão ficar órfãos de uma liderança bolsonarista de expressão regional.

Nos próximos quatro anos veremos o nível de consistência do bolsonarismo, tanto no Piauí como no restante do Brasil. A recuperação dos programas sociais prometida por Lula e a pacificação do país, serão ingredientes decisivos nessa luta pela sobrevivência política.

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