Política

“Funcionários Fantasmas” · 05/10/2020 - 07h00 | Última atualização em 05/10/2020 - 10h17

Exclusivo: Valter Alencar foi exonerado no RJ por participar de esquema de “rachadinha”, diz delator

“Foi exonerado em razão do seu envolvimento em ‘esquema de funcionários fantasmas ou rachadinha em seu gabinete’”


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Por Rômulo Rocha - Blog Bastidores

 

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Declarações de um delator colocam a passagem de Valter Ferreira de Alencar Pires Rebelo em xeque no governo do Rio de Janeiro, gestão que as investigações do Ministério Público Federal apontam ser recheada de atos nada republicanos e que levaram ao afastamento do governador eleito Wilson Witzel. As suspeitas começam a vir à tona mesmo depois do trauma recente vivido pelo estado fluminense, que vem de outros dois desgovernos, o de Sérgio Cabral e o de Luiz Fernando Pezão - presos por corrupção -, histórico de práticas semelhantes que ajudou no batismo de uma devastadora operação: a Tris in Idem. O interessante é que quando candidato ao governo do Piauí, em 2018, Valter Alencar usou como uma de suas bandeiras o combate à corrupção: “não roubar e não deixar roubar”, propagandeava o político em releases. Era fachada?

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_Imagem (Reprodução)
_Imagem (Reprodução) 

INVESTIGAÇÃO NO RIO

A delação que culminou com o afastamento por 180 dias do governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel traz no âmbito de mais de 30 anexos informações sobre a passagem do candidato derrotado nas eleições para o governo do Piauí Valter Alencar na gestão fluminense.

O autor da delação homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) é Edmar Santos, ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro, que "colaborou" com as autoridades de forma espontânea, segundo o Ministério Público Federal (MPF).

Em uma das peças já endereçadas pelo MPF ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) consta algo que recontaria a saída de Valter Alencar do governo do estado do Rio de Janeiro, até porque o político sempre insistiu, através de notas encaminhadas à imprensa, que ele deixou aquela gestão, por vontade própria, a pedido - ainda que precocemente - em meados ali do segundo semestre de 2019.

Em uma dessas notas encaminhada à imprensa, Valter Alencar chegou a informar que havia deixado o governo do Rio “para se dedicar a campanha das eleições municipais de 2020, já tendo colocado o nome à disposição para disputar a prefeitura de Teresina com o aval do presidente do PSC, Pastor Everaldo Pereira”, preso pela Polícia Federal no âmbito da Operação Tris in Idem.

Ocorre que Alencar não saiu candidato à prefeitura de Teresina como anunciado mais de um ano antes da eleição, o que faz aumentar as especulações de que ele fora abatido pela operação deflagrada com ordem de ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Valter Alencar o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. O político que concorreu ao governo do Piauí em 2018 diz estar
_Valter Alencar e o governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. O político que concorreu ao governo do Piauí em 2018 diz estar "tranquilo" (Imagem: Divulgação) 

A situação se torna um pouco mais delicada em face da delação "espontânea" do ex-secretário de Saúde do estado do Rio de Janeiro, Edmar Santos, que teria afirmado que Valter Rebelo foi, na verdade, exonerado após suposta descoberta de "esquema" em andamento no governo do estado fluminense. 

“Segundo afirmou o colaborador, VALTER FERREIRA DE ALENCAR PIRES REBELO foi exonerado em razão do seu envolvimento em “esquema de funcionários fantasmas ou rachadinha em seu gabinete””, afirma a subprocuradora-geral da República Lindôra Maria Araújo em peça já encaminhada ao STJ.

OS NOMES LIGADOS A VALTER

Mais adiante a suprocuradora-geral afirma que “de fato, foram identificados vínculos de VALTER com servidores nomeados para cargos comissionados no governo do Estado do Rio de Janeiro, dentre eles o seu filho e sobrinhos, FRANCISCO DE ASSIS VERAS FORTES NETO, MAZERINE CRUZ LIMA NETTO, MIRÓCLES CAMPOS VERAS, PEDRO HENRIQUE ALENCAR REBELO CRUZ, todos com endereço no Piauí”. As investigações continuam.

_Imagem (Reprodução) 
_Imagem (Reprodução)  

Valter Rebelo chegou a ser alvo de busca e apreensão durante a operação da Polícia Federal Tris in Idem. A mesma operação que culminou com o afastamento do governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel. Quanto ao suposto mentor de Valter Alencar, o presidente nacional do PSC, pastor Everaldo, ele foi preso no âmbito também dessa operação que envolveu vários estados no País. 

Em uma publicação datada deste ano o Valor Econômico sustentou que “numa declaração conjunta de integrantes do Ministério Público Federal (MPF), Polícia Federal (PF) e Receita Federal sobre a operação [Tris in Idem], o procurador da República Galtiênio da Cruz Paulino citou a participação de [Valter] Alencar e destacou a abrangência territorial e também na administração do Rio, onde os desvios são investigados em cinco pastas, a principal delas a de Saúde, alvo de corrupção em meio à pandemia do novo coronavírus”. 

O título da matéria no Valor Econômico é “Envolvimento de líder do PSC no Piauí mostra articulação nacional de pastor Everaldo em esquema no governo Witzel”.

“MAL ENTENDIDO”, DISSE VALTER SOBRE OPERAÇÃO DA PF

Imagem (Reprodução)
_Imagem (Reprodução) 

Desde quando saiu as primeiras notícias sobre o nome de Valter Alencar em investigações no Rio de Janeiro ele deu inúmeras declarações. A maioria delas através de notas encaminhadas à imprensa.

Em uma dessas notas se disse “vítima de perseguição política”, sem dizer quem de fato o perseguia, visto seu baixo capital político no âmbito local (0,63% dos votos válidos, ficando em 7º na última eleição para o governo do estado do Piauí), ou em face de não ter declinado nomes que pudessem existir no estado do Rio de Janeiro. Em outra ocasião, Alencar disse estar “tranquilo”, porém.

Também chegou a dizer que “foi surpreendido” com a operação da Polícia Federal. E falou que a operação da PF que realizou busca e apreensão na sede do PSC em Teresina e em endereços ligados a ele, como o Portal de Notícias ClubSat, “é apenas uma investigação de um inquérito que ainda não temos conhecimento”.

Disse ainda que: “desejo que aqueles que cometeram as irregularidades sejam punidos”.

Por fim classificou a operação em que é alvo como “mal entendido”.

Sobre as indicações ao governo do Rio de Janeiro Valter tem sustentando que todas são de “perfil técnico” e que “tratam de pessoas que comparecem aos postos de trabalho e exercem suas atividades”. 

“Acredito que dei a minha contribuição ao governo do Rio de Janeiro”, voltou a pontuar em uma dessas ocasiões em que se manifestou sobre o caso diante de publicações na imprensa. 


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