Política

Há denúncia no MPF · 17/12/2018 - 11h25 | Última atualização em 17/12/2018 - 11h46

Em áudio, assessor de vereadora do PT xinga quem denunciou suposto esquema no PARFOR

Caso foi tornado público pelo Blog Bastidores última semana e relata supostos direcionamentos em seleção do programa federal


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Por Rômulo Rocha – De Brasília

 

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“Com certeza foi algum imbecil que foi fazer denúncia. Mas, aqui na Terra tem uma coisa: o mal que a gente faz aqui a gente paga”, diz assessor

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QUE PAÍS É ESSE?

Um áudio atribuído a um assessor da vereadora Gleicy Maria, do PT de Uruçuí, posto em um grupo de WhatsApp do município, traz xingamentos contra o autor da denúncia sobre suposta fraude no Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR). A seleção foi feita pela Secretaria Municipal de Educação do município.

O caso foi exposto pelo Blog Bastidores, do 180, última semana, e evidencia que os critérios para seleção de professores para aperfeiçoamento atendeu a ditames políticos e não ao previsto no edital. A fonte da denúncia, que também remeteu o caso ao Ministério Público Federal em Floriano, é mantida no anonimato pelo blog.

No áudio atribuído ao que seria Deleon Ribeiro, ele diz que só pode ter sido algum “imbecil” que fez a denúncia e afirma que a lei na Terra é “aqui se faz, aqui se paga”.

“Com certeza foi algum imbecil que foi fazer denúncia. Mas, aqui na Terra tem uma coisa: o mal que a gente faz aqui a gente paga. Porque com certeza a pessoa que fez essa denúncia ele não quer o bem de ninguém não. Ele quer o mal. Entedeu?”, tascou. “E Cabral [integrante do grupo], para de ficar colocando isso [a matéria] no grupo, cara. Tu vai ganhar o que com isso?”, questiona.  

O assessor, que assim como outros também não atenderia aos critérios do PARFOR, consta da lista de inúmeros selecionados e defende os nomes nela presentes. “Deixa quem quer constituir seus objetivos. Ali são pais de família correndo atrás de um sonho e tu fica inflamando isso no grupo, cara. Para de ser imbecil”, volta a xingar um integrante de um grupo de WhatsApp.

O público-alvo da seleção são "professores em exercício nas escolas públicas com pelo menos 3 anos de atuação e sem formação adequada à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)", mas não é isso que estaria ocorrendo.

Em contato com o blog, uma das fontes, cujo sigilo será resguardado, assim se reporta sobre o caso: “Nas listas de aprovação citam até os nomes das escolas onde os possíveis professores são lotados, sendo que alguns lá nem o ensino médio têm completo”.

Além do mais, revela, "os inscritos, além de não ter três anos [de sala de aula], não são professores". E tasca: "Em Uruçuí estão aproveitando para oferecer o curso para amigos às custas do governo federal".

Há, portanto, suspeitas de suposta emissão de declaração falsa para o favorecimento de apaniguados políticos.

“NÃO SOU PROFESSOR”, TERIA CONFIRMADO ASSESSOR DE VEREADORA

Mesmo beneficiado, o assessor da vereadora do PT admite em conversa em grupo de WhatsApp que realmente não é professor, mas que “já deu aula”.

Um interlocutor do assessor indignado segue: “na lista [do PARFOR] fala que ele é professor na escola Itajacy Pacheco”, uma das unidades escolares do município.

Ora, se o próprio beneficiado teria admitido não ser professor, o que ele faria na lista de selecionados para o PARFOR?

O interlocutor, em confronto com Deleon, assim se reportou: “Deleon, num sabia que ele era professor, rapaz meu colega e eu não o conheço”.

“Não sou. Mais [sic] já dei aula”, pontuou o assessor da vereadora do PT.

Realmente, com esse "mais", deve ter sido há muito tempo.

VEJA DETALHES DO DIÁLOGO:

VEJA A MATÉRIA COM A DENÚNCIA:

- EXCLUSIVO: MPF em Floriano recebe denúncia de supostas fraudes no PARFOR em Uruçuí


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