Política

Operação Topique · 10/10/2020 - 16h29 | Última atualização em 10/10/2020 - 17h00

Diálogos mostram que ex-secretário Hélder Jacobina temia o empresário chefão da Topique

Diálogos foram extraídos do celular de Hallysson Carvalho Silva, que entregou o aparelho à PF: "não entre com ele"; "por favor"


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Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

_Hélder Jacobina, ex-secretário de Educação. Quem diria, ele temia o empresário chefão da Topique Luiz Magno (Foto: Divulgação)
_Hélder Jacobina, ex-secretário de Educação. Quem diria, ele temia o empresário chefão da Topique Luiz Carlos    Foto: Divulgação/Seduc

O PROFESSOR QUE SE TORNOU EMPRESÁRIO E ACABOU PRESO

Detalhes sobre as investigações da Polícia Federal no tocante à Operação Topique revelam que o denunciado como chefão de suposta quadrilha que atuava na área de transporte escolar, Luiz Carlos Magno Silva, não só chegaria a participar das tratativas para indicação de nomes que comporiam os quadros da Secretaria de Educação (SEDUC) como era "temido" por ao menos um dos secretários que passaram pela pasta. 

Diálogos em aplicativo de celular, datados do dia 2 de janeiro de 2015, início de governo, evidenciam que o réu Hallysson Carvalho Silva escreve que queria alertar o então secretário de Educação Hélder Jacobina sobre "Luis Carlos". 

No que para o Ministério Público Federal (MPF), "Hélder Jacobina responde enfaticamente, demonstrando conhecer a pessoa citada e até temer a influência dela no meio político em questão".

"Não entre com ele"; "Por favor"; "Envolve gente grande o Luis"; "Ele veio comigo ontem"; "Cuidado", respondeu Hélder Jacobina ao interlocutor.

Em outra passagem, datada do dia 23 de dezembro de 2014, Jacobina afirma que Luiz Carlos participava das tratativas para indicação do secretário interino da pasta da Educação no novo governo do PT.

"Hélder Jacobina cita o nome de "Luis Carlos" como o de alguém que estava participando das tratativas a esse respeito", qual seja, segundo o MPF, "em especial" a indicação do nome interino para a pasta em questão. 

QUEM É LUIZ CARLOS MAGNO SILVA

Segundo as investigações do Ministério Público Federal, Luiz Carlos Magno Silva exerceu o cargo efetivo de professor da SEDUC de 1998 até 2014, com remuneração líquida de cerca de R$ 2.500,00.

Ele foi filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) entre 2003 e 2013. Entre o ano de 2008 e 2009, quando estava no poder o PT, Luiz Carlos Magno Silva exerceu o cargo comissionado de Superintendente Institucional da SEDUC, responsável por estabelecer contatos com gestores públicos municipais e definir políticas públicas de transporte escolar. 

Após esse cargo em comissão da pasta da Educação, com a experiência adquirida na área de serviço de transporte escolar para outros órgãos públicos, passou a exercer a função de empresário. 

Também segundo o MPF, a partir desse momento constituiu e adquiriu empresas e cooptou dezenas de colaboradores, montando o "esquema criminoso" investigado na Operação Topique. 

"Passou a chefiar organização estável voltada para a prática indeterminada de crimes (fraudes a licitações mediante conduta concertada (combinada) de empresas a ele vinculadas; superfaturamento de contratos com o Poder Público; corrupção ativa e passiva; lavagem de dinheiro), que atua pelo menos desde 2012 no Piauí e no Maranhão e ainda está em atividade", sustenta o MPF.

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