Política

Operação Bacuri · 09/12/2019 - 12h36 | Última atualização em 09/12/2019 - 13h50

Desembargador transforma em preventiva prisões temporárias de alvos do GAECO

Um deles é o procurador Max Weslen Veloso de Morais Pires, suspeito de forjar pareceres jurídicos


Compartilhar Tweet 1



 

Por Rômulo Rocha - Do Blog Bastidores

 

- "(...) os valores e bens supostamente desviados do município de Bertolínia não foram localizados em sua integralidade (...)"

 

_Desembargador Edvaldo Moura, relator da Bacuri no Tribunal de Justiça
_Desembargador Edvaldo Moura, relator da Bacuri no Tribunal de Justiça (Foto: 180graus)

O desembargador Edvaldo Moura, relator da Operação Bacuri, deflagrada última semana pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), converteu a prisão temporária de quatro alvos das autoridades em prisão preventiva. O magistrado atendeu a pedido do Ministério Público. 

Um desses alvos é o procurador municipal de Bertolínia, Max Weslen Veloso de Morais Pires, além do primo do prefeito Luciano Fonseca, de nome Richel Sousa e Silva. Ainda Rodrigo de Sousa Pereira e Kairon Tácio Rodrigues Veloso.

O desembargador destaca que o Ministério Público “aponta que esses investigados seriam os principais operadores da organização criminosa, instalada em Bertolínia, atuando reiteradamente através de laranjas e pessoas jurídicas de fachada".

"Acrescenta que os valores e bens supostamente desviados do município de Bertolínia não foram localizados em sua integralidade e que, em liberdade, eles poderão atuar para ocultar tais valores. Enfim, aduz que muitas testemunhas arroladas na denúncia têm ligação com os investigados e que estes, em liberdade, podem interferir na colheita da prova testemunhal, prejudicando, assim, a instrução criminal ainda não iniciada”, complementa.

"De fato, não se pode olvidar que boa parte dos valores públicos desviados ainda não foram localizados ou arrecadados, como já foi dito, apesar da determinação das buscas e apreensões e, ainda, do sequestro e indisponibilidade de bens, significando que uma boa parte dos recursos manipulados estão ainda encobertos ou em outras contas bancárias, conclui o magistrado em sua decisão.

________________

VEJA A PARTICIPAÇÃO DE CADA UM _____

"- MAX WESLEN VELOSO DE MORAIS PIRES é Procurador Municipal de BERTOLÍNIA-PI, tendo relação de confiança com o Prefeito LUCIANO FONSECA e participando ativamente da organização criminosa como o principal operador. Além de preparar os pareceres jurídicos com o escopo de dar aparência de legalidade aos contratos oriundos das licitações fraudadas, ele também praticaria os mesmos crimes imputados ao Prefeito LUCIANO FONSECA, destacando-se fraude à licitação, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, tendo movimentado, de 2013 a 2018, o montante de R$ 5.263.173,76 (cinco milhões, duzentos e sessenta e três mil, cento e setenta e três reais e setenta e seis centavos), inclusive através de microtransações bancárias, o que seria incompatível com sua renda mensal declarada. Ele é filho de IVETE PEREIRA e sobrinho de ODINALDO PEREIRA, sócios da empresa S/A ALIMENTAÇÃO LTDA, que tem contratos vultuosos com o município.

- RICHEL SOUSA E SILVA é primo do Prefeito LUCIANO FONSECA, tendo sido contratado pela Prefeitura Municipal de Bertolínia-PI na qualidade de pessoa física, recebendo o montante de R$ 212.799,00 (duzentos e doze mil, setecentos e noventa e nove reais) no período ora analisado, em virtude da prestação de serviços de consultoria e assessoria jurídica ao Município, muito embora aquele ente federativo tenha procurador municipal. Além de ser também um dos principais operadores do esquema, sendo-lhe imputadas as mesmas condutas de MAX WESLEN, ele é sócio da empresa ATTANASIO SILVA VEICULOS LTDA EPP, que mantém um contrato com o município de locação de veículo, além de outras, supostamente utilizadas para lavar os valores desviados do erário municipal, e repassando-se de volta para outras pessoas do esquema, inclusive para o próprio Prefeito. Segundo o levantamento feito pelo Ministério Público, ele movimentou, de 2013 a 2018, um total de R$ 7.451.822,84 (sete milhões, quatrocentos e cinquenta e um mil, oitocentos e vinte e dois reais e oitenta e quatro centavos), também através de microtransações bancárias.

- RODRIGO DE SOUSA PEREIRA mantém estreito vínculo com o Chefe do Executivo de Bertolínia - PI, porquanto ocupa o cargo comissionado de assessor especial do Prefeito, sendo que, anteriormente, desempenhava a função de diretor do Departamento de Transportes e Serviços Gerais daquele Município. Apesar de ter uma remuneração mensal declarada de R$ 1.600,00 (mil e seiscentos reais), ele teria movimentado, dentro do período investigado, o montante de R$ 1.309.541,75 (um milhão, trezentos e nove mil, quinhentos e quarenta e um reais e setenta e cinco centavos), através de microtransações com os outros investigados, principalmente o Prefeito e com as empresas MC CONSTRUÇÕES E ASSESSORIA EIRELI EPP (com sede em Piranhas - AL) e S/A ALIMENTAÇÃO LTDA ME (cujos sócios são a mãe e o tio de MAX WESLEN).

- KAIRON TÁCIO RODRIGUES VELOSO é filho da Diretora do Departamento de Pessoal do Município, Elina Rodrigues da Cruz, primo do Procurador do município MAX WESLEN, e sócio administrador da CONSTRUTORA APARECIDA LTDA ME, além de ser ex-empregado do POSTO SAN MATHEUS (empresa também investigada). O Ministério Público destaca, por sinal, que a construtora, desde 2013, é contratada reiteradamente pelo município após ter saído vencedora de procedimento licitatório voltado à contratação de serviço de limpeza pública, tendo recebido, durante o período investigado, a quantia de R$ 1.707.324,00 (hum milhão, setecentos e sete mil e trezentos e vinte e quatro reais), tendo feito, em contrapartida, vultuosos repasses para MAX WESLEN e para RICHEL SOUSA, bem como para Rangel Martins Reis. Aponta que no endereço indicado como sede é a própria residência do investigado, não possuindo nenhum veículo e nem qualquer registro de empregados. A propósito, destaca que também não foram localizados os documentos de arrecadação referentes aos pagamentos feitos por essa empresa, sendo que as pessoas que trabalham na limpeza do município recebem o pagamento diretamente da Prefeitura. Tudo isto, para o Ministério Público, seria mais um indicativo que se trata de uma empresa de fachada, destinada a lavar os valores desviados do município".

VEJA AINDA:_________

- Prefeito do PT preso pagou R$ 1,6 milhão a outro alvo na operação do GAECO

- Gestão de prefeito do PT preso pelo GAECO torrou R$ 500 mil em diárias em um só ano

- Prisão de prefeito do PT: inteligência compartilhou informações com o Ministério Público Federal

- Desembargador determina soltura da mulher do prefeito de Bertolínia presa em operação do GAECO

- Exclusivo: presidente da Câmara Municipal foi quem denunciou esquema em Bertolínia


Comentários