Política

Estradas vicinais · 10/07/2017 - 11h13 | Última atualização em 10/07/2017 - 12h03

Corrupção no IDEPI: a 'farra' com dinheiro foi astronômica

Instituto se transformou em uma máquina de desviar recursos públicos. Confira os valores!


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Por Rômulo Rocha - De Brasília

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CADÊ UMA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL NO ÂMBITO DA PGJ?
- Não pode um estado pobre como o Piauí pretender ser desenvolvido se não limpa da vida pública aqueles apontados como praticantes da corrupção. O TCE tem feito o seu papel, mas cadê a Procuradoria Geral de Justiça do Piauí (PGJ)?
O TCE elegeu o combate às fraudes em licitações como uma das prioridades na nova gestão de Olavo Rebelo, e está combatendo. Mas cadê a atuação do MPE, cujo procurador geral de Justiça, Cleandro Moura, anunciou ser o combate à corrupção uma de suas bandeiras?

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OS NÚMEROS FALAM POR SI
É normal se o leitor, em meio às quase 20 matérias já publicadas pelo 180 sobre os astronômicos indícios de corrupção no Instituto de Desenvolvimento do Piauí, estiver um pouco perdido em relação ao que foi pago a mais, ao que iria ser superfaturado, e às medições sem respaldo técnico nas obras de estradas vicinais do órgão ocorridas no ano de 2014, quando da ‘farra das estradas vicinais’ durante o governo Zé Filho, gestão de Elizeu Aguiar - quem comandava o instituto.

Porém, trechos dos documentos que constam das tomadas de contas especial ajudam a esclarecer e a se ter uma ideia do que existiu num dos possíveis maiores casos de corrupção já detectados por autoridades públicas na história do paupérrimo e vilipendiado estado do Piauí.

Para que o leitor entenda, antes é preciso explicar que o TCE realizou uma tomada de contas especial em 9 obras após denúncias. Isso, inicialmente. Só depois, realizou o mesmo procedimento em outras 27, diante dos descalabros constatados no primeiro grupo de inspeções.

Pois bem, só nas primeiras nove obras o resultado impressiona. Sobrepreços praticados em processos licitatórios supostamente fraudulentos: R$ 4.157.921,10; medições atestadas sem respaldo: R$ 3.898.554,89; pagamento sujeitos à devolução: R$ 599.638,76.

_Os valores das primeiras 9 tomadas de contas especial realizadas pelo TCE chegaram às cifras abaixo, conforme documentos dos processos no âmbito da Corte de Contas. Depois dessas constatações decidiu-se averiguar tudo...


NOVAS AUDITORIAS E OS R$ 13 MILHÕES SUPERFATURADOS E PAGOS
Ao chegar a esse números, a Corte de Contas se deparou com um grupo de empreiteiras, mais de 10, que ao que tudo indica, estavam ajudando a desviar o dinheiro do contribuinte, usando como pano de fundo a construção de estrada vicinais. Com isso, o TCE determinou novas tomadas de contas especiais em outras 27 obras de estradas vicinais.

Pelos cálculos do Blog Bastidores, do 180, que está a se debruçar sobre os documentos, só de sobrepreços pagos na segunda leva de inspeções chega-se à cifra milionária de R$ 13.277.277,97. Isso pode alterar.

Restam ainda ser calculados os valores de sobrepreços não pagos, e que certamente seriam se não houvesse a ‘batida’ do TCE, já que o engenheiro fiscal do IDEPI disse que realizava – desavergonhadamente – as medições das obras na base do ‘bom senso’ (VEJA AQUI).

Há indícios de que todas as empreiteiras alvo do TCE são acusadas de crimes graves, entre eles, possíveis fraudes em licitações públicas.

Ninguém foi preso.

A Procuradoria Geral e Justiça (PGJ) até agora não disse o que fez ou o que fará em âmbito criminal e cível.

O julgamento do ano no TCE, sobre o caso, deve ser pautado para este mês de julho, como anunciou o presidente Olavo Rebelo.

VEJA AINDA:____________

- Corrupção no Idepi: obras eram fiscalizadas no bom senso