Política

Há anos sem evolução · 06/12/2018 - 18h03 | Última atualização em 07/12/2018 - 14h32

Bolsões de pobreza no Piauí são um prato cheio para agentes corruptos

Mais de 45% da população em território piauiense vive abaixo da linha de pobreza, segundo dados do IBGE


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Por Rômulo Rocha - do Blog Bastidores

 

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- MUITO ALÉM DA POBREZA: Ao analisar o gráfico abaixo, políticos e agentes privados corruptos não veem problema, veem oportunidades para eles, principalmente, nos grotões do norte e nordeste do país. E hoje, expor gente assim, é correr o risco, por exemplo, de ser alvo do anonimato das redes sociais, uma vez que os parceiros desse tipo de delinquentes da República se escondem para denegrir imagens. Denunciar a corrupção não deveria ser visto como algo negativo, como o é no estado

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_O Piauí, Ó

Dados e Gráficos: Agência IBGE
Dados e Gráficos: Agência IBGE 

PARA OS CORRUPTOS, POBRE TEM VEZ SIM, AO LADO DELES

OS MISERÁVEIS TAMBÉM

A Síntese de Indicadores Sociais divulgada pelo IBGE sobre a pobreza no Brasil (Nordeste, Piauí) é desalentadora. A pobreza não só se manteve, ela cresceu. E para corrupto, nada melhor do que isso.

A situação é crítica no Norte, mas também no Nordeste, região que abriga o Piauí, onde muitas vezes (quase sempre mesmo) os corruptos, públicos e privados, se reúnem em torno dos pobres, visando perpetuar um ciclo que culmina, também quase sempre, na manutenção no poder daqueles que têm dinheiro e só precisam do voto - facilmente adquirido em meio a necessitados espoliados diariamente pelos governantes.

Para se ter uma ideia, os últimos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam que no Piauí mais do que 45% da população têm rendimento de até (somente) 406  reais por mês. O equivalente a 5,5 dólares por dia. Todos esses estão abaixo da linha de pobreza, segundo o Banco Mundial. Num estado com estimativa populacional de mais de 3,2 milhões de habitantes, a situação é catastrófica.

Essa mistura é perfeita para os homens públicos que querem se perpetuar. A pobreza e a corrupção de certa forma são mazelas atreladas uma a outra, que, por vezes, se retroalimentam.

Dessa forma, os bolsões de pobres no nordeste podem ser vistos como oxigênio dos desonestos. Político corrupto não gosta de educação e das suas consequências: a vigilância, a necessidade de transparência, o conhecimento que pode destroná-los.

Corrupto gosta de pobreza, dependência, massa passiva, bovina, que trabalhe por eles, para eles. Gente assim é mais fácil de se agradar com propaganda enganosa. Gente assim é mais fácil de ser usada para denegrir os 'inimigos do poder'.

Registro Fotográfico: IBGE
Registro Fotográfico: IBGE 

Uma faceta moderna são os ataques àqueles que querem mudanças. Em meio a esses há o ataque a jornalistas, o uso de difamações, fakes, seja o que for, para desacreditar quem expõe essas mazelas. O que vale é a perpetuação retroalimentada. A manutenção da boquinha, para si e para os familiares, enquanto se distribui migalhas, ovacionadas pela imprensa inerte, farta de prazeres, muitas das vezes.

Corruptos em estados pobres nunca acreditam que podem ser punidos pelas instituições. Porque creem ser as instituições permeadas por parceiros do crime, a quem podem, com tapinhas nas costas, recorrerem para demovê-los das incumbências do dever.

Resta-nos a contemplação do gráfico acima, dessa forma.

Mas há e sempre haverá a possibilidade da mudança imaginada. 

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