Eleições 2018 · 09/10/2018 - 05h39 | Última atualização em 09/10/2018 - 08h19

Partido dos Trabalhadores: teu nome é resiliência!


Compartilhar Tweet 1



O PT existe desde 1980. De lá para cá enfrentou diversos adversários. O primeiro foi a ditadura militar. Era um adversário claro, definido. Depois o PT enfrentou outros adversários (físicos) com identidade clara.

Mas após a ditadura e suas primeiras vitórias eleitorais o PT teve que se organizar e se estruturar como Partido, criando seu Manifesto,  estatuto, seu programa, seus diretórios. E o fez!

Há PT no município de São Paulo? Sim, há!

Mas há PT também em Morro Cabeça no Tempo, no Piauí.

Depois o PT alcançou suas primeiras vitórias e em 1989 disputou sua primeira eleição presidencial. Naquela época o adversário do PT não foi o grande e poderoso PFL, nem o PMDB de Ulisses Guimarães, nem o PTB, nem demais partidos. Quem derrotou o PT naquela eleição foi um jovem até então desconhecido do cenário político, o alagoano Fernando Collor do inexpressivo PRN.

Collor venceu batendo no presidente da época, José Sarney e em Lula e Brizola. Por um lado espalhou o temor, por outro desenvolvia a imagem do caçador de marajás. O Brasil embarcou naquela aventura e a história registra as consequências.

Depois o PSDB, extraído de uma costela do PMDB, sem foças políticas para impor sua social-democracia estatutária se entregou de corpo e alma numa aliança com o PFL e virou mais liberal que o Partido da Frente Liberal, conquistando as eleições de 94 e 98.

Em 2002, o PT chega pela primeira à presidência da República já tendo experiências de governar pequenas, médias e grandes cidades, estados brasileiros e uma vasta experiência nos diversos parlamentos - câmaras municiais, Federal, assembleias e na câmara alta.

Nesta curta mas intensa trajetória de tempo não faltaram profetas do apocalipse.

Desde o nascedouro, falsos profetas fazem previsão sobre o fim do PT.

E o Partido resiste!

Agora vou fazer uso de um texto de Cintra Beutler: “Desde que Lula assumiu o cargo de presidente, a imprensa, capitaneada pela Globo, se esmerou em diariamente criticar dura e inescrupulosamente todo movimento do partido, sem abrir espaço para o contraditório e qualquer tipo de defesa, e pintaram um monstro exageradamente feio para a população em geral, ainda que com os erros cometidos pelos governos do PT. Pois é essa estratégia que foi adotada pela imprensa por todos esse tempo: execute-se esse tipo de difamação de forma rotineira. Faça-se dessa oposição irresponsável e risível o arroz com feijão dos jornais. Não dê chance para que se estabeleça algum diálogo ou ponderação em contrário. Como efeito, cria-se assim um estigma, uma mácula indelével e perene na percepção da sigla como o pior mal que já se viveu. Insere-se assim na cabeça do cidadão comum, a sensação de que um partido concentra em si as piores figuras e mazelas que possam ser encontradas no cenário político. Assim cria-se o antipetismo: um tipo de doutrina não encontrado em mais nenhum outro partido, e que está enxertado a ferro quente no imaginário e na consciência coletiva do boobus, ou o homem-massa brasileiro, o cidadão comum.” Mas não é só a imprensa: “Sérgio Moro e o STF também são responsáveis diretos por isso. O primeiro, como já sabido, por conseguir o feito de retirar Lula da disputa presidencial, demonstrando claramente que esse era seu objetivo final. E a máxima corte por corroborar e referendar todos os movimentos claramente golpistas e enviesados. O que desmascara e demonstra totalmente o viés político-partidário do Supremo.”

Mesmo assim, passado o primeiro turno da eleição de 2018 o que temos?

1) O candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, lançado a pouco mais de um mês da eleição, enquanto Bolsonaro vinha em campanha desde 2015, vai ao segundo turno das eleições com 29,28% dos votos.

2) O candidato do PT à presidência da República, Fernando Haddad, é o mais bem votado em 9 estados da Federação.

3) O Partido dos Trabalhadores elegeu 3 governadores no primeiro turno (o PSB também elegeu 3, ninguém elegeu mais) e mandou uma candidata ao segundo turno.

4) Mesmo perdendo 13 deputados da última eleição para cá, o Partido dos Trabalhadores elegeu a maior bancada de deputados federais (56 ao todo).

5) Das unidades da Federação, o Partido dos Trabalhadores elegeu deputados federais oriundos de 23 estados dando uma dimensão de que o PT é mesmo um partido nacional.

6) Falam da “nordestinidade” do PT, mas quanto a deputados federais eleitos e a força de cada região o Nordeste está à frente do Sudeste mas não muito, 13,9% contra 10,1% respectivamente.

Diante do que enfrentou em toda a sua existência e tem enfrentado de forma mais incessante de 2005 para cá, o PT já fez muito neste primeiro turno mas há uma chance clara do Partido fazer o Presidente da República. E se isto ocorrer será o maior prêmio que um Partido – nas condições vividas pelo PT – poderia receber.

Comentários