Jair Bolsonaro · 06/04/2017 - 11h09

O que esperar de um Brasil governado pelos “Bolsonaros” se, agora, nem jornalista pode trabalhar?

O que esperar de um Brasil governado pelos “Bolsonaros” se, agora, nem jornalista pode trabalhar?


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Ele passou por aqui (Piauí) e, como sempre, onde ele está tem estardalhaço.

As redes sociais repercutiram sua passagem.

Estou falando de Jair Bolsonaro, um militar aposentado que a política brasileira sustenta a 29 anos desde que foi eleito vereador pelo estado do Rio de Janeiro.

Ontem, o marcante em sua passagem por aqui, foi como seus adesistas trataram a jornalista do Sistema Meio Norte, Cinthia Lages.

Aos berros, praticamente, expulsaram a profissional que nada mais fazia que a cobertura jornalistica do fato. Bolsonaro é apenas pretendente a presidente, seus apoiadores (entre eles, os mão-santistas) acreditam em suas ideias e comportamento. Se numa fase preliminar da campanha já não se deixa uma jornalista exercer seu ofício, o que podemos esperar de um Brasil e Piauí governados pelos “Bolsonaros” da vida?

Jair Bolsonaro, se diz pré-candidato a presidente da República em 2018. Mas verifico que apesar de todo o espaço que a mídia lhe dá, muitos ainda não o conhecem. Então, por dever de ofício, este blog vai publicar um pouco da biografia dele. E, como forma de solidariedade à competente jornalista Cinthia Lages, ao final, transcrevo seu depoimento publicado no facebook.

Jair Messias Bolsonaro nasceu em Campinas, em 21 de março de 1955.
Apesar de posições conservadoras já vai em seu terceiro casamento. Já manteve união com Rogéria Bolsonaro, Ana Cristina e, agora, com Michelle.

Também varia muito de partido político já foi do PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP e PSC.

Em cerca de 25 anos interruptos de Congresso conseguiu aprovar uma única emenda, uma PEC que prevê emissão de "recibos" junto ao voto nas urnas eletrônicas.

Já concorreu tres vezes para presidente da Câmara dos Deputados, na votação de 2016 obteve míseros quatro votos.

Defende abertamente o regime militar instalado no Brasil em 1964

Defende também a revogação do Estatuto do Desarmamento e que o proprietário rural tenha direito de adquirir fuzis para evitar invasões do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra.

Apresentou um projeto de lei que estabelece a castração química voluntária como condição para que uma pessoa condenada por estupro possa progredir o regime de pena.

Bolsonaro condena publicamente a homossexualidade e se opõe à aplicação de leis que garantam os direitos de pessoas LGBTs, como o casamento igualitário e a adoção de filhos por casais homossexuais, além da alteração no registro civil para transexuais.

Ele se posiciona de forma contrária à legalização das drogas.

O parlamentar também discorda da aplicação de ações afirmativas, como cotas raciais para afro-brasileiros.
Bolsonaro se posicionou favoravelmente à instituição da pena de morte no Brasil para casos de crimes premeditados e, também, é a favor da redução da maioridade penal.

Jair Bolsonaro defendeu em entrevistas a utilização da tortura em casos de tráfico de droga e sequestro e a execução sumária em casos de crime premeditado. Ele defende a censura, embora não especifique de qual tipo.

Écontra a unificação das polícias militar e civil.

Apesar de já ter dito que "deve ser privatizado o máximo que puder" e ter votado pela abertura do pré-sal, defendeu o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Ele disse que "barbaridade é privatizar a Vale e as telecomunicações, entregar as nossas reservas petrolíferas ao capital externo". Mesmo assim em outra ocasião afirmou que "livre-mercado é a mãe da liberdade".

Em vídeo, devido à repercussão da Operação Carne Fraca, Bolsonaro conta ter recebido 200 mil reais de doação da JBS-Friboi durante sua campanha de 2014 mas que devolveu o montante logo em seguida, mais tarde, noticiou-se que de fato o deputado devolveu a quantia mas para ser em seguida novamente enviada como doação para o fundo partidário de seu partido, na época o PP.

De 2010 a 2014 o patrimônio do deputado (um militar da reserva) cresceu mais de 150%, alcançando mais de dois milhões de reais em bens, segundo a declaração registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Bolsonaro elogiou o presidente peruano Alberto Fujimori como um "modelo" pelo uso de uma intervenção militar contra o judiciário e o legislativo. O deputado afirmou em programa de TV que era "favorável à tortura" e chamou a democracia de "porcaria". Se fosse presidente do país, respondeu que não havia "a menor dúvida" de que "fecharia o Congresso" e de que "daria um golpe no mesmo dia".

O deputado também afirmou, durante uma discussão com manifestantes em dezembro de 2008, que "o erro da ditadura foi torturar e não matar."

Bolsonaro afixou na porta de seu escritório um cartaz que dizia aos familiares dos desaparecidos da ditadura militar que "quem procura osso é cachorro".

Jair Bolsonaro parabenizou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) pela forma como conduziu processo de impeachment da presidente e usou seu discurso de voto sobre o impedimento de Dilma Rousseff para homenagear Carlos Alberto Brilhante Ustra, o primeiro militar a ser reconhecido pela Justiça como um dos torturadores durante a ditadura militar.

Em vídeo postado por seu filho, , o parlamentar afirmou que "violência se combate com violência e não com bandeiras de direitos humanos", como as defendidas pela Anistia Internacional, que ele afirmou ser formada por "canalhas" e "idiotas".

Questionado sobre um levantamento da organização que mostrou que a polícia brasileira é a que mais mata no mundo, Bolsonaro disse: "Eu acho que essa Polícia Militar do Brasil tinha que matar é mais."

O deputado criticou o Estado laico ao dizer: "Deus acima de tudo. Não tem essa historinha de estado laico não. O estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude." O parlamentar completou a fala ao dizer que as "as minorias tem que se curvar para as maiorias."

Numa ocasião, na Câmara dos Deputados, Bolsonaro afirmou que não "estupraria" a deputada Maria do Rosário porque ela "não merece".

O deputado afirmou que não acha justo que mulheres e homens recebam o mesmo salário porque as mulheres engravidam, alegando que o direito a licença-maternidade prejudica a produtividade do empresário.

Bolsonaro afirmou que "seria incapaz de amar um filho homossexual" e que preferia que um filho seu "morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí".

Disse que poderia agredir homossexuais: "se eu ver dois homens se beijando na rua, vou bater". Ele defende surras em filhos homossexuais. "Se o filho começa a ficar assim, meio gayzinho, [ele] leva um couro e muda o comportamento dele".

Em uma entrevista dada ao programa CQC, ao ser perguntado pela cantora Preta Gil sobre o que faria caso seu filho se apaixonasse por uma garota negra, Bolsonaro disse que "não discutiria promiscuidade" e que "não corre esse risco porque seus filhos foram muito bem educados",

O deputado disse que os militares no Brasil estão "desaparelhados" para "fazer frente" aos "marginais do MST" e os haitianos, senegaleses, bolivianos, sírios e "tudo que é escória do mundo". "A escória do mundo está chegando ao Brasil como se nós não tivéssemos problema demais para resolver".

Já neste abril de 2017, o deputado federal disse: "Pode ter certeza que se eu chegar lá (presidência da República) não vai ter dinheiro pra ONG. Se depender de mim, todo cidadão vai ter uma arma de fogo dentro de casa. Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou pra quilombola. Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí. Eu fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem pra procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gastado com eles.”

Do facebook de Cinthia Lages
Por que não há lágrimas ?
Hoje cedo, antes de entrar no carro de reportagem, postei essa foto no instagram. Eu falava da beleza do colar feito com tanto esmero e delicadeza. A "mão de Fátima",como é conhecido o símbolo, é um amuleto islâmico, com interpretações diversas - do Alcorão ao budismo mas com um significado comum: a proteção e o destemor.

Mal sabia eu, o quanto esse talismã iria proteger a minha alma neste dia estranho! Estranho por me ver protagonista de um episódio surreal. Estranho pela minha própria reação diante da barbárie que é ser submetida a uma sessão de xingamentos, agressões, insultos, insanidade!
"Comunista", "stalinista", "Assassina ( oi?) ", "Petista","Jornalista Mortadela", "Vadia" ,"Puta", "Joga ela pra gente que sabemos o que fazer", "Vai embora pra Cuba, rapariga!".
Era a trilha sonora da entrevista que aconteceu assim:
Eu para Bolsonaro: o senhor está com uma agenda de viagens pelo Brasil, qual a receptividade? Aqui no Piauí, fala-se numa chapa com o senador Mão Santa, o senhor confirma? O que o senhor pensa das atuais reformas do Brasil?
Eu não ouvi as respostas - e nem poderia - já que a claque não parava de berrar!
Isso tudo aconteceu em cima da camioneta onde o parlamentar estava. Quem quisesse entrevistá-lo, teria que subir lá! Expliquei que não teria condições técnicas de gravar em cima do veículo e que havia outros jornalistas embaixo, aguardando pela entrevista. Houve muita insistência e, sem alternativa, fui cumprir a minha pauta!
Naquela hora, a gente não se dá conta do que acontecia embaixo! Lembro de ter visto o olhar assustado do Anderson, o cameraman que me acompanhava mas seguimos tranquilamente até o final, quando a situação só piorava....à essa altura, nem o candidato conseguia mais falar!
Medo? Sinceramente, tenho mais pelas pessoas que estavam se prestando àquilo. Não era ódio,era irracionalidade mesmo !
Raiva? Não conseguí sentir. Tristeza? Muita! Por ver uma cena daquelas na cidade onde eu nascí e para a qual trabalho há tantos anos. Vergonha, impotência, incredulidade.
Lágrimas? Não! E se houvesse, seria de emoção ao voltar para a Redação e ler tantas mensagens de colegas jornalistas. De tudo, o que mais me comove é perceber que, em cada relato, há a certeza de que há a solidariedade de quem verdadeiramente sabe o que se passou naquela carro. Abraço todas! E tantas outras palavras que chegam a todo instante, desde aquele momento até agora, quando esse dia está acabando....Que sorte a minha de ter vocês! Que sorte viver entre pessoas sensíveis ao que é verdadeiro e justo. E não há verdade e justiça maiores do que o trabalho, a liberdade e o respeito. Amo minha profissão, me dedico a ela, por vezes até mais do que deveria e ela me consome de uma forma que sobra pouco tempo para não ser jornalista!
Por isso não há lágrimas! Pelas jornalistas, pelas mulheres, pelas mães, por todas nós, que enfrentamos nossas batalhas diárias por amor. Seja a uma causa, a um companheiro(a), a alguém da família que precisa de nós.... E por mim também que, enfim, aprendí que nada é maior e nem mais poderosa do que a dignidade. É ela que preserva meu coração longe de toda a insensatez e intolerância. O que eles não sabem é que meus ouvidos e o resto de mim seguem um comando que está fora do alcance deles, longe,muito longe onde mora a paz. E sabe por que não tem lágrimas? apenas porque....
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo" (F.Pessoa)