Em favor da democracia · 18/10/2018 - 17h37

Helbert Maciel: "Lutei contra a ditadura e em favor da democracia, jamais fui "terrorista".


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Peço permissão a um depoimento pessoal, seguido por um convite à reflexão. 

O que me preocupa no Brasil desses dias, o que agride à minha inteligência, é o discurso do ódio. É a incitação ao ódio e à violência. Ódio e violência contra "minorias" (negros, índios, mulheres, comunidade LGBT, esquerdistas, pobres). Basta pensar diferente, ser diferente do estereótipo homem branco "bem nascido".

Odiar, em síntese, é violentar primados cristãos básicos. Explico: odiar não é apenas a antítese de amar. É violentar a compaixão, a paz, a caridade, a misericórdia. É violentar o amor ao próximo, a segunda principal lei cristã. 

Me agride o discurso do ódio contra aqueles que, como eu, ousam pensar diferente.

Lutei contra a ditadura militar, em favor da democracia. Fui detido por duas vezes. A primeira, secundarista em Brasília, 1977: uns safanões, tapas na cara, cotoveladas, cusparadas, um ou dois "telefones". A segunda, já formado em direito, Teresina, março de 1983, jogado em uma cela comum do DOPS, lotada de criminosos também comuns, só de cueca. Queriam os policiais me humilhar.

Lutei contra a ditadura e em favor da democracia. Jamais fui "terrorista". Sou advogado defensor da democracia. Que se posta resolutamente contra o fascismo, o discurso do ódio ao próximo, da incitação à violência banal (isso sim terrorismo!).

Da mesma forma, na qualidade de cidadão, de eleitor, de cristão, de pai de família, não posso admitir o discurso que afronta, menospreza, agride, humilha a negros e negras, a índios e indias, à comunidade LGBT, a mulheres "que não merecem ser estupradas". Uma sociedade democrática se constrói sobre o respeito às diversidades culturais, de matizes de pele, de gênero, de opiniões. 

Num País de longa tradição escravocrata e patrimonialista, o preconceito ao pobre alimenta o ódio da pequena parcela (menos de 2%) dos brasileiros muito ricos, num discurso que atrai as classes medianas contra o miserável  "preguiçoso ", que hoje tem moradia, luz, moto e um filho formado em universidade pública. Preconceito que alimenta o ódio, que incita a violência contra as "minorias" (em verdade todos aqueles despossuídos a mais de 500 anos de história).

Me dirijo a vocês,  amigos e amigas, para pedir, com toda a humildade de minha alma: salvemos o Brasil!

Se o discurso e a incitação ao ódio vencer nesse segundo turno, caminharemos a passos largos para a implantação de um regime de tipo fascista no Brasil.

O que está em jogo não é mera e corriqueira alternância no "jogo" eleitoral e democrático. O que está em jogo é o ódio e a incitação à violência contra o próximo e, no outro campo, nossa tão jovem e delicada democracia. 

Conclamo a você,  amigo, amiga, contra o ódio e o fascismo, vote na democracia. 

Vote Haddad e Manuela. Vote 13.

Helbert Maciel, advogado.


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