Protesto de sindicalistas · 17/05/2017 - 18h26 | Última atualização em 17/05/2017 - 18h52

Câmara Federal ameaça quem protestou contra os parlamentares do Piauí que votam com Michel Temer

Câmara Federal ameaça quem protestou contra os parlamentares do Piauí que votam com Michel Temer


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No protesto de segunda feira, quando lideranças sindicais e do movimento popular pressionaram parlamentares piauienses, o deputado Marcelo Castro (PMDB) acabou indo para a berlinda.

Porque reagiu destemperadamente dando um chute ao ser cobrado pelos manifestantes.

Porque foi feito um vídeo onde a situação fica extremamente clara e vivemos um tempo onde as redes sociais determinam o debate.

Porque vivia uma “lua-de-mel” com aqueles que protestavam, já que tinha votado contra o impeachment da presidenta Dilma.

Ao site Congresso em Foco, Marcelo Castro, disse ter reagido com um chute, “de forma instintiva”, à “pancada na cabeça” que diz ter sofrido, desferida por uma manifestante com uma haste de bandeira.

Já o também deputado Silas Freire, que exerce o mandato concomitante com o ofício de jornalista, escreveu no site Oitomeia que “o corregedor da Câmara, Carlos Marun, deve pedir em ofício para que a policia federal identifique quem são os supostos manifestantes que agrediram psicologicamente e fisicamente o deputado Marcelo Castro”

Marcelo Castro e demais devem entender que protestos são legítimos, nem a ditadura resistiu a eles.

Marcelo também deve entender que os eleitores da presidenta Dilma e aqueles que não votaram nela mas defenderam sua permanência na presidência pois o contrário era golpe, valorizaram por demais a atitude do peemedebista do Piauí na “assembléia de bandidos que depôs uma presidenta honesta”. Mas este fato não o leva para o céu.

Para manter a coerência é preciso continuar votando conforme o interesse do povo (redundância, já que é para isso que parlamentares são eleitos).

Do que adianta votar contra o impeachment de Dilma e se posicionar a favor do limite de investimentos em educação e saúde; da terceirização sem limites; do fim da CLT e entrar no furado discurso de reforma da Previdência?

Se houve excesso dos manifestantes, isso não justifica a falta de autocontrole do Deputado ao sair respondendo com chute.

Por fim, se a afirmação do deputado Silas Freire for verdadeira isto não passa de intimidação da Câmara Federal. E, se a Câmara tenta intimidar é com anuência de Marcelo Castro e dos outros parlamentares piauienses.

Esta não é a Câmara dos Deputados que teria a função de ser o local onde o futuro do país e de seu povo é discutido. É a Câmara Federal que se tornou um cartório de interesses pessoais (individuais) e/ou de grupos que estão longe de representar os interesses do povo sofrido do Piauí e do Brasil.

Centrais sindicais e movimentos populares já estão orientados. A pressão não se limitará a 2017. Os parlamentares têm sua sensibilidade aguçada em ano de eleição. E, para 2018 a campanha de cobrança de postura continuará. Já está claro que não adianta eleger um presidente popular e ter um congresso reacionário.