Festas juninas · 24/06/2018 - 10h57 | Última atualização em 24/06/2018 - 11h25

Eu sou São João, fé, tradição; xaxado, arrasta pé, xote, coco de roda, baião e forró


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Quem sabe um pouquinho da tradição nordestina, ontem acendeu fogueira ou lembrou-se disso.

O velho Nordeste seguiu parte de suas origens (a europeia).  Uma antiga tradição pagã daquele povo celebrava com o fogo o solstício de verão. Pouco a pouco, na Idade Média, a fogueira tornou-se um atributo da festa de São João Batista.

No catolicismo conta-se que este costume de acender fogueiras tem suas raízes em acordo feito pelas primas Maria e Isabel. Para avisar Maria sobre o nascimento de São João Batista e assim ter seu auxílio após o parto, Isabel teria de acender fogueira sobre um monte.

Quem sabe um pouquinho da tradição nordestina, sabe que hoje é dia de São João Batista.

São João Batista nasceu em Aim Karim, cidade de Israel que fica a 6 quilômetros do centro de Jerusalém. Seu pai era um sacerdote chamado Zacarias. Sua mãe foi Santa Isabel, que era prima de Maria Mãe de Jesus. São João Batista foi consagrado a Deus desde o ventre materno. Em sua missão de adulto, ele pregou a conversão e o arrependimento dos pecados manifestos através do batismo.

A mãe de João Batista, Isabel, era idosa e nunca tinha engravidado. Todos a tinham como estéril. Mas, então, o anjo Gabriel apareceu a Zacarias e anunciou que Isabel teria um filho e que este deveria se chamar João.

Nesse mesmo tempo, o anjo apareceu também a Maria e anunciou que ela seria a mãe do Salvador. Então, Maria foi visitar Isabel, pois o anjo lhe havia dito que Isabel estava grávida. Quando Maria chegou e saudou Isabel, João mexeu no ventre da mãe e Isabel fez aquela maravilhosa saudação a Maria santíssima: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! De onde me vem que a mãe do meu Senhor me visite? (Lc 1-41-43).

Quando São João Batista ficou adulto, percebeu que chegara sua hora. Então, foi morar no deserto para rezar, fazer sacrifícios e pregar para que as pessoas se arrependessem. Vivendo uma vida extremamente difícil e com muita oração, passou a ser conhecido como profeta, homem enviado por Deus. Ele sempre anunciava a vinda do Messias. Batizava a todos que se arrependiam e multidões sempre iam ver suas pregações no rio Jordão.

São João Batista é o primeiro mártir da Igreja, e o último dos profetas. Sua festa é celebrada desde o começo da igreja, no dia 24 de junho. Ele é venerado como profeta, santo, mártir, precursor do Messias e arauto da verdade, custe o que custar.

Quem sabe um pouquinho da tradição nordestina, sabe que muitos povos e cultura “fizeram o Nordeste brasileiro”. Aqui há a influência de elementos culturais portugueses, espanhóis (da península Ibérica teria vindo a dança de fitas), chineses (onde teria surgido a manipulação da pólvora), franceses (dança marcada, característica típica das danças nobres), e africanos (congadas, capoeira, maracatu).

O Nordeste e sua cultura passaram por transformações imensas em meados do século XX. Nesta ocasião um nordestino, pegou todas as tradições religiosas, musicais e de danças e as transformou em cultura de massa. Seu nome: Luiz Gonzaga!

O cantor da pequena cidade de Exu no semiarido brasileiro sintetizou no ritmo baião as expressões do povo nordestino. Este povo se reconhece nas músicas de Luiz Gonzaga. Como ele nasceu em 13 de dezembro o santo do dia, Santa Luzia fez o milagre de reproduzir “Luizes Gonzagas”. Há uma seleção brasileira (ou seria nordestina?) de sanfoneiros, compositores e cantores netos de Januário.

Do surgimento de Luiz Gonzaga até aqui as festas juninas não haviam sido profanadas. Os súditos de Luiz Gonzaga haviam mantido a tradição do forró de pé. Mas há algo de diferente acontecendo. As festas juninas de uns anos para cá foram tomadas de conta pelo “sertanejo”. Aqueles que davam sustentação às tradicionais festas massificadas por Gonzagão estão no banco de reservas do jogo da musica brasileira.

Que me desculpem Michel Teló, Maiara e Maraisa, Marilia Mendonça, Gustavo Lima e outros.

Gonzaguinha disse: “eu fico com a pureza das crianças...”

E eu digo: eu fico com a poesia, o forró, a alegria e autenticidade de Luiz Gonzaga, Sivuca, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Trio Nordestino, Os 3 do Forró, Flavio José, Nando Cordel, Santana, Ton Oliveira, Elba Ramalho, Alcymar Montyeiro, Falamansa,  Jorge de Altino, Petrucio Amorim, Aciolly Neto, Antonio Barros, Ceceu, Assisão, Marines, Genival Lacerda, Osvaldinho, Eliane, Cremilda, Anastácia, Alcimar Monteiro, Pinto do Acordeon, Maciel Melo, Biliu de Campina, Lucy Alves, Flávio Leandro, Arlindo dos 8 Baixos, Fubá de Itaperoá....e tantos outros.

Quem não sabe um pouquinho da tradição nordestina, não sabe que nasci na Malhada, povoado rural da rural Bocaina, do rural Piauí.

Quem não sabe um pouquinho da tradição nordestina, não sabe que meu pai se chamava João e ascendia fogueiras.

ORAÇÃO DE SÃO JOÃO BATISTA

 “Ó, glorioso São João Batista, príncipe dos profetas, precursor do divino redentor, primogênito da graça de Jesus e da intercessão de sua santíssima mãe, que fostes grande diante do Senhor, pelos estupendos dons da graça de que fostes maravilhosamente enriquecido desde o ceio materno, e por vossas admiráveis virtudes, alcançai-me de Jesus, ardentemente vos suplico, que me dê a graça de o amar e servir com extremado afeto e dedicação até a morte. Alcançai-me também, meu excelso protetor, singular devoção a Virgem Maria Santíssima, que por amor de vós foi com pressa à casa de vossa mãe Isabel, para serdes livre do pecado original e cheio dos dons do Espírito Santo. Se me conseguirdes estas duas graças, como muito espero de vossa grande bondade e poderoso valimento, estou certa de que, amando até a morte a Jesus e a Maria, salvarei minha alma e no céu convosco e com todos os anjos e santos amarei e louvarei a Jesus e a Maria entre gozos e delícias eternas. Amém.”

 

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Festejos juninos · 23/06/2018 - 16h04 | Última atualização em 23/06/2018 - 16h58

Folguedos de bairros em Teresina: uma triste história de decadência


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Por: Fabíola Lemos. Professora e Socióloga

Os festejos juninos de bairro que, tanto marcaram a história de Teresina, estão agora com os dias contados.

Nossa cidade, formada por um povo de interior, vive um franco processo de apartação de suas origens rurais.

Não bastasse a ação colonizadora da modernidade, reforçadora da referência de urbanidade - civilidade, eis que surge a prefeitura de Teresina para dar sua "singela" contribuição.

A cobrança de taxas para os barraqueiros e barraqueiras, é a mais nova política de desincentivo à cultura efetivada por essa gestão municipal.

O tradicional festejo da comunidade da Água Mineral, que há 32 anos resiste enquanto espaço de cultura popular, vive hoje um encolhimento considerável por conta das taxas de energia elétrica e licenciamento que dificultam a manutenção das barracas.

Não há incentivo publico para os grupos folclóricos locais que acabam por diminuir suas participações a cada ano, migrando para os espaços de cultura comercial.

Poti Velho, Santa Maria, Água Mineral e tantas outras comunidades, sentem hoje, a diminuição vertiginosa da tradição dos folguedos nos bairros.

Folclore agora é assunto de mercado. Quanto àquele céu de Gonzagão, já não o vemos tão lindo. Em nossa cidade sem alma, o balão multicor vai sumindo, em meio aos balões publicitários.

Entre vip, music e mix assistimos a desestruturação sistemática da cultura popular e todo seu potencial de subversão.

Ao futuro, legaremos a vergonha da falta de referência e originalidade, em uma cidade autoritária e sem representatividade popular.

 

 

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Entregaram o pré - sal · 22/06/2018 - 11h00 | Última atualização em 22/06/2018 - 11h21

Deputados do Piauí votam “sim” e entregam o patrimônio do Brasil para petroleiras internacionais


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A Câmara dos Deputados aprovou na noite da quarta-feira 20, o Projeto de Lei 8.939/2017, que autoriza a Petrobras a negociar com outras empresas parte dos seus direitos de exploração do pré-sal na Bacia de Santos.

Segundo o ex-diretor geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima, a aprovação do projeto é crime de lesa-pátria, uma "expropriação do povo brasileiro". "Nenhuma grande petroleira abre mão de um grande campo de petróleo, que vai iniciar a produção, e no qual é operadora, se tiver pretensões de continuar a ser grande. Só uma empresa que pretende se privatizar abre mão de ativos desse tipo. Isso é inaceitável." 

Veja os deputados do Piauí que lesaram a pátria.

Veja os deputados do Piauí que expropriaram o povo brasileiro (e piauiense)

Veja os deputados do Piauí que trabalham para privatizar a Petrobras.

Quando ouvir alguém falar que o Piauí carece de recursos públicos, lembre-se destes deputados.

Em outubro, lembre-se destes deputados.

Deputado Fábio Abreu - PR 

 

Deputado Heráclito Fortes - DEM 

 

Deputado Júlio Cesar - PSD 

 

Deputado Marcelo Castro - MDB

 

Deputado Paes Landim - PTB

 

Deputado Rodrigues Martins - PSB 

 

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Aula sobre democracia · 21/06/2018 - 18h53

Democracia na UTI (respirando por aparelhos)


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Por Luiz Flávio Gomes, no congressoemfoco

1. Governos sistemicamente corruptos, mais dia, menos dia, levam as nações e a democracia ao colapso. Democracia é “o governo do povo [eleito pelo voto do povo], [exercido] pelo povo, de forma direta ou indireta, e para o povo” (Abraham Lincoln). Quanto mais a democracia esteja de acordo com esse paradigma (ideal), mais substancial e qualitativa ela é. Quanto mais longe disso, menos cidadã ela se apresenta.

2. Governo do povo. Nossa democracia (Velha República, Democracia Populista e Nova Democracia) sempre foi puramente formal. Na democracia formal o povo, pelo voto, segundo Schumpeter, legitima alguns dirigentes políticos a tomarem decisões em nome dele (nisso residiria a “soberania do povo”).

3. Nas democracias formais, quando o voto ou até mesmo o parlamentar é comprado ou quando a eleição é fraudada, fala-se em democracia venal. Esse é nosso caso. Os donos corruptos do poder (grandes empresas, bancos e corporações com acesso ao poder) financiam campanhas eleitorais (ilicitamente) e assim manipulam o parlamentar ou o governante em benefício dos seus interesses. Com o dinheiro do seu mecenas, frequentemente o político corrupto compra os votos dos eleitores.

4. Governo pelo povo. Por força da “lei de ferro das oligarquias” (Robert Michels, 1911), nenhuma democracia é governada diretamente pelos eleitores, que são representados por oligarquias (= governo de poucos). Trata-se de um elemento aristocrático dentro da democracia. Só raramente a democracia é exercida diretamente pelo povo (referendo ou plebiscito, por exemplo).

5. Dentro das oligarquias governantes e/ou dominantes há os honestos (donos do poder) e os desonestos (donos corruptos do poder). Esse segundo grupo é formado por uma facção delinquente ou aproveitadora que representa “um estado dentro do Estado” (Hobbes). Fazem parte de um tipo de “clube” com seus acordos expressos ou tácitos.

6. A facção criminosa ou espoliadora do dinheiro público (da população) constitui a espinha dorsal da nossa cleptocracia (cleptos = ladrão; cracia = governo). O Brasil, sem sombra de dúvida, é uma República Democrática Cleptocrata (que conta, preponderantemente, com um governo de ladrões, mas eleito pelo povo).

7.  Se os que predominantemente nos governam são, ademais de ladrões, incompetentes, então também somos uma cacocracia (= governo dos piores). Os países governados por muitos ladrões e pelos piores contam com instituições (econômicas, políticas, jurídicas e sociais) muito frágeis. Os honestos e os melhores muitas vezes chegam a sentir vergonha dessas qualidades (Rui Barbosa).

8. Governo para o povo. O governo “para o povo” completa a noção da democracia de qualidade. O que significa isso? Uma célebre frase de Bentham resume todo esse pensamento da democracia liberal: “A maior felicidade para o maior número possível dos habitantes”. Numa cleptocracia oligárquica, nada mais irreal que isso. Nossos governos cleptocratas cuidam dos seus interesses, por meio do clientelismo, do patrimonialismo e do favoritismo, regidos pelo afeto e pela “cordialidade” de que fala Sérgio Buarque de Holanda.

9. Todo regime democrático venal (corrupto), oligárquico, cleptocrata, cacocrata e antiliberal sempre corre risco de ruptura. Dois fantasmas habitam neste momento as mentes dos brasileiros motivadamente revoltados com nossos governos corruptos: golpe militar e oclocracia. No Planalto chegou pesquisa dizendo que 36% dos brasileiros desejam “intervenção militar”. O general Etchegoyen (ministro do governo) afirmou que “intervenção militar é assunto do século passado”. Mas fantasmas não morrem.

10.  Oclocracia, que é uma das três formas deturpadas de governabilidade (tirania, oligarquia e oclocracia), significa “governo das multidões, das massas” (Wikipedia). Os governos populistas, onde um demagogo carismático combate as “elites governantes”, pregando a “unidade” da nação e soluções fáceis para problemas complexos, convertem-se em oclocracia quando as instituições governam ao sabor das emocionalidades, dos medos e das perplexidades irracionais das multidões.

11. Sob o jugo delas o eleito (líder carismático) abandona a legalidade para se submeter à vontade suicida das massas. A oclocracia, em suma, pode ser definida como o abuso suicida que se instala em um governo eleito pelo povo; ela acontece quando a multidão, sem apego ao Estado de Direito implantado (às formas legais), se torna dona soberana dos destinos da nação, que passa a ser governada pela autofagia.

Luiz Flávio Gomes é jurista e professor. Fundador da rede de ensino LFG, preside o Instituto Avante Brasil. Foi promotor de justiça (1980 a 1983), juiz de direito (1983 a 1998) e advogado (1999 a 2001). 

 

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Um dos principais teóricos da comunicação brasileira faleceu na tarde desta quarta-feira (20), após sofrer um infarto fulminante. Segundo seu biógrafo, Sergio Matos, autor da obra O Guerreiro Midiático – Biografia de José Marques de Melo, o jornalista foi um homem “que se destaca pela capacidade de organizar, congregar e de ser também um grande agitador cultural, cuja experiência de vida e de realizador incansável serve de exemplo a todas as gerações”.

Natural de Palmeira dos Índios, em 1943, Melo mudou-se para a vizinha e também alagoana Santana do Ipanema, de onde saiu na adolescência para estudar em Maceió e no Recife. Formou-se em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal de Pernambuco, durante a década de 1960, antes de se transferir para São Paulo.

Após o golpe de 64 trabalhou em publicações de Alagoas, Pernambuco, São Paulo, Brasília, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira acadêmica ainda no Recife, em 1966, como assistente do professor Luiz Beltrão, no Instituto de Ciências da Informação da Universidade Católica de Pernambuco. No ano seguinte, já na capital paulista, fundou o Centro de Pesquisas da Comunicação Social, mantido pela Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, e foi docente-fundador da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), onde obteve os títulos de doutor em Ciências da Comunicação, livre-docente e professor catedrático de jornalismo.

Impedido durante anos de exercer a docência em universidades públicas brasileiras pelo regime militar, reassumiu sua cátedra na USP, após a Anistia de 1979. Em 1989, foi escolhido pela comunidade acadêmica para exercer o cargo de diretor da ECA, função ocupada até 1993, quando se aposentou na instituição.

José Marques de Melo foi o primeiro doutor em jornalismo titulado por universidade brasileira e fez seu pós-doutorado, com bolsa da Fapesp, nos Estados Unidos, onde realizou estudos avançados de comunicação com o respaldo acadêmico do MUCIA (Consórcio Universitário do Meio-Oeste, integrado pelas universidades de Wisconsin, Minesotta, Indiana, Illinois e Michigan), em 1973-1974. Desenvolveu também estudos na Espanha e, em 1992, foi nomeado Catedrático Unesco de Comunicação da Universidade Autônoma de Barcelona. Atuou ainda como pesquisador/professor visitante em diversas outras universidades estrangeiras, nos Estados Unidos, México, Argentina, Uruguai, Venezuela, Bolívia e Chile.

Entre seus principais livros – ele escreveu 38 obras, além de coordenar dezenas de coletâneas –, estão: Comunicação Social: Teoria e Pesquisa, Estudos de Jornalismo Comparado, Sociologia da Imprensa Brasileira, A Opinião no Jornalismo Brasileiro, Comunicação e Modernidade, Fontes para o Estudo da Comunicação e Teoria da Comunicação: Paradigmas Latino-Americanos. José Marques de Melo publicou mais de uma centena de artigos em periódicos científicos, nacionais e estrangeiros, bem como em jornais e revistas de grande circulação no Brasil e América Latina.

Em 1977, idealizou e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), entidade que nasceu semiclandestina e tornou-se a principal associação de pesquisadores em comunicação no país. Exerceu a presidência da entidade em três mandatos e, hoje, é seu presidente de honra e lidera seu Conselho Curador. José Marques de Melo idealizou também a Rede Alfredo de Carvalho – que, depois, se tornaria a Alcar (Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia) – e inspirou intelectualmente redes nacionais e internacionais, como Lusocom e Folkcom.

Fonte: Portal Fórum

Aqui no Piauí as duas Universidades divulgaram nota. 

UFPI

A Administração Superior da Universidade Federal do Piauí, o Programa de Pós-Graduação em Comunicação - PPGCOM/UFPI, o Curso de Comunicação Social desta IES, professores, estudantes, jornalistas e demais membros da comunidade universitária comunicam e lamentam a morte, na tarde desta quarta-feira, 20/06/2018, do Professor Doutor José Marques de Melo, em São Paulo (SP). Marques de Melo atualmente exercia o cargo de Diretor da Cátedra UNESCO de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, sediada na Universidade Metodista de São Paulo e era Presidente Curador da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom, entidade que idealizou e fundou em 1977.

Marques de Melo desenvolveu trabalhos com temas voltados para a ciência da comunicação, como o jornalismo brasileiro, gêneros jornalísticos, folkcomunicação e o pensamento comunicacional latino-americano. Foi um dos maiores nomes da pesquisa na área da Comunicação na América Latina, com muito respeito internacional.

Foi diretor do Departamento de Jornalismo da Escola de Comunicações Culturais, que depois se transformou na ECA/USP. Pesquisador 1A do CNPq, publicou 25 livros, organizou 73 coletâneas e mais de uma centena de artigos em periódicos científicos do país e do exterior.

Perseguido durante a Ditadura, respondeu a inquérito policial militar e somente em 2015 foi anistiado, recebendo pedido formal de desculpas do Estado Brasileiro.

A comunidade universitária respeitosamente presta condolências aos familiares, amigos e aos ex-orientandos do pesquisador no Piauí, Brasil e exterior.

UESPI

Os cursos de Comunicação Social e de Jornalismo da Universidade Estadual do Piauí - UESPI vem a público lamentar o falecimento, nesta quarta-feira (20) na cidade de São Paulo, do professor doutor José Marques de Melo, referência no âmbito da pesquisa em Comunicação na América Latina.

José Marques de Melo foi um pioneiro e um incentivador da pesquisa em Comunicação no Brasil, contribuindo efetivamente para a consolidação do campo. Pesquisador respeitado internacionalmente publicou 25 livros e organizou outras 75 obras e publicou mais de 100 de artigos em periódicos de diversos países.

Nascido em 15 de junho de 1943 em Palmeiras dos Índios, Alagoas, o Prof. Marques de Melo era jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco e foi, em 1973, o primeiro doutor em Comunicação a ser titulado por uma universidade brasileira. Em 1977, idealizou e foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação - Intercom, onde atuava como presidente de honra e membro do Conselho Curador. Atualmente, era Titular da Cátedra Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional na Universidade Metodista de São Paulo.

Foi o presidente da Comissão formada pelo Ministério da Educação para elaboração das Novas Diretrizes Curriculares dos cursos de Jornalismo no Brasil.

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A Copa do Mundo de futebol está em pleno andamento e enquanto ela prende a atenção dos brasileiros, como diz o Chico Buarque, tenebrosas transações acontecem.  

O plenário da Câmara dos Deputados pode votar hoje projeto que autoriza a Petrobras negociar ou transferir parte de seus direitos de exploração de petróleo do pré-sal na área cedida onerosamente pela União.

Atualmente, a legislação concede exclusividade à petrolífera no exercício das atividades de pesquisa e lavra de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos nessas áreas, e proíbe, expressamente, sua transferência.

Todas as organizações de trabalhadores em torno da Petrobras se posicionam contra o projeto. Petroleiros, engenheiros tem produzido vasto material explicando aos brasileiros como seu patrimônio tem sido lesado a olhos vistos. 

Aqui o depoimento de Guilherme Estrella, ex-diretor da Petrobras:

 

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FHC em momento de lucidez · 18/06/2018 - 11h17 | Última atualização em 18/06/2018 - 11h43

Fernando Henrique Cardoso tem razão: Lula e o PT são fatores de estabilidade no Brasil


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Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente do Brasil deu uma entrevista à revista Isto É. Joaquim de Carvalho analisou a fala de FHC para o site Diário do Centro do Mundo - o DCM. Veja: 

Na entrevista que deu à IstoÉ, Fernando Henrique Cardoso disse duas verdades: ele admitiu que pede dinheiro para grandes empresas e falou que, entre os cenários eleitorais, a vitória do PT garante a estabilidade.

“O risco vem do pólo à direita. As declarações do candidato Jair Bolsonaro nos assustam. Ele é autoritário. Tem feito declarações autoritárias. É preciso que o Brasil não tenha também um governo imprevisível e arbitrário. No caso do Ciro Gomes, eu não posso dizer que ele seja de direita ou de esquerda. Ele não é uma coisa, nem outra. Ele é mais errático, portanto, é imprevisível”, afirmou.

Disse ainda, sobre a proposta de buscar um consenso que exclua os extremistas:

“Temos que evitar uma volta ao passado. Eu não me refiro tanto ao lulopetismo, do risco do PT voltar a governar, porque a gente já tem experiência do que é o PT no poder. Não acredito que eles quebrem as regras e rumem para o viés autoritário. O risco vem do pólo à direita.”

Fernando Henrique completa hoje 87 anos e mantém a lucidez, com a característica pessoal que não veio com a idade: sua fala não guarda nenhuma coerência ideológica. Já teve um verniz de centro-esquerda, mas sua prática política sempre atendeu a interesses do grande capital. O que ninguém lhe nega é a capacidade de análise conjuntural — até pela experiência que teve, como professor e político — e aí se chega ao ponto em que ele verbaliza o entendimento de que o PT é hoje um fator de estabilidade.

Esse não é um entendimento próprio de FHC, mas das forças empresariais que pensam no Brasil além do curto prazo. Desde que começou a campanha de guerra para tirar Dilma do poder e depois prender Lula, essas mesmas forças buscaram um nome que pudesse garantir estabilidade e ignoraram que a estabilidade existia com Lula e Dilma. O que produziram? Nada, nenhum nome viável, embora tenham tentado muitos.

E, depois de toda tempestade, quem ficou de pé? Lula, com uma densidade política indestrutível. E por que indestrutível? Porque tem base social e porque é o resultado de uma obra concreta — um governo que incluiu os pobres no orçamento da União e e se voltou para políticas de redução da desigualdade social. Teve defeitos, claro, mas no essencial melhorou o Brasil.

A crise política que o país enfrenta não será superada se Lula for excluído, à força, do processo político. Não digo nem ser candidato — o que é desejo dos eleitores —, mas primeiramente ser libertado de um cárcere percebido como injusto — e de fato injusto. Depois, de maneira plena, participando do processo eleitoral. Lula, como líder do maior partido brasileiro, tem a oferecer que é mais importante para a economia e a vida em sociedade: previsibilidade.

Lula é, portanto, solução neste momento de crise, não um problema. Sem ele, o Brasil ficará à mercê de aventureiros e de aventuras.

Sobre a confissão de FHC de que pedia dinheiro a empresários para candidatos do seu partido, é preciso reconhecer que ele o fazia dentro das regras — combatidas pelo PT, pelo menos em público — de financiamento empresarial para as eleições.

Lula nunca pediu dinheiro a empresários, mas sabia que seu partido passava o chapéu, como todos os outros. Nunca pediu dinheiro a empresários certamente porque tem consciência de que isso tornaria menor a sua liderança. A vocação de Lula é política e, portanto, pela disputa de poder, não é negociar recursos.

Tanto ele quanto FHC sabem que nenhum empresário faz doação eleitoral pela cor dos olhos de quem pede. É um jogo de interesses. FHC diz que pediu dinheiro quando estava fora do poder e, portanto, não houve toma lá, dá cá. É preciso registrar que ele pediu para candidatos amigos e também para si próprio, na forma de doação para a fundação que leva seu nome. Mas não deve ter havido toma lá, dá cá mesmo. Não é assim que as coisas funcionam na política.

Toma lá, dá cá é para os políticos de várzea.

Na esfera mais elevada da política, a doação empresarial é o exercício da arte de permanecer próximo de quem influencia.

É a mesma coisa das empresas que tentaram vender um triplex a Lula ou reformaram o sítio do amigo que o ex-presidente frequentava. Lula também estava fora do poder — e, portanto, não podia haver toma lá, dá cá.

Mas quem ajudou a ambos queria que soubessem de sua proximidade com o ex-presidentes.

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Cartilha Diálogo Virtual 2.0 · 16/06/2018 - 15h28 | Última atualização em 16/06/2018 - 16h05

Citando caso de suicídio, Regina Sousa distribui cartilha que orienta alunos sobre uso da internet


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Ciberbullyng (tipo de violência praticada contra alguém através da internet ou de outras tecnologias relacionadas), sexting (refere-se a divulgação de conteúdos eróticos e sensuais através de celulares), aliciamento e uso excessivo da internet são alguns problemas que crianças e jovens podem acabar enfrentando no mundo virtual. Como lidar com a internet com segurança é o principal tema da cartilha Diálogo Virtual 2.0, produzida pela SaferNet Brasil, e impressa pela senadora Regina Sousa (PT-PI), presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado.

Os exemplares foram distribuídos para alunos da rede pública estadual nesta sexta-feira, 15, em Teresina, nas Unidades Escolares Padre Joaquim Nonato Gomes, no bairro Morada Nova, e Simões Filho, no bairro Cristo Rei.

“A internet possibilita um universo de coisas boas mas também de coisas muito ruins. Já tivemos inclusive casos de suicídio no Piauí após a publicação de fotos íntimas de uma garota - o que é muito grave. Precisamos fazer essa reflexão e ensinar nossos jovens a reconhecerem essas situações e, principalmente, como e a quem pedir ajuda”, declarou a senadora Regina Sousa.

A senadora sugeriu aos professores que façam uma discussão sobre a cartilha. “ Uma conversa com os meninos e meninas sobre o conteúdo da cartilha, a internet. Um bate-papo de uns 15 minutos seria interessante para os alunos.”

A iniciativa foi elogiada por professores e alunos. “É um debate muito atual. Todo mundo hoje usa a internet e precisa tomar cuidado para não ser vítima dessas situações”, declarou a aluna do 9º ano, Maria Clara, que aproveitou a oportunidade para entregar documento solicitando a conclusão das obras de reforma da escola que iniciaram há três anos e no momento estão paralisadas.

Fazer uso responsável das ferramentas que a internet oferece, respeitar a diversidade de cultura e opiniões, não disseminar na rede preconceitos de qualquer forma, buscar fontes confiáveis de pesquisa, preservar a privacidade e não reproduzir materiais de outros são algumas das dicas encontradas na cartilha. 

 

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Eleições 2018 · 15/06/2018 - 16h43 | Última atualização em 15/06/2018 - 19h45

Apesar da mídia, judiciário (lá), aliados (aqui), o povo determina: só dá Lula e Wellington Dias


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Há algum tempo o Brasil vive uma onda de deslegitimação da política. Essa ação humana é criminalizada diariamente e há setores específicos da sociedade que estão encarregados desta criminalização da política.

À frente de tudo está a mídia brasileira. Ou melhor conceituando, a mídia comercial. Mas ela não está só nesta jornada. Tem parceiros.

Usando palavras de Gustavo Conde: “a política não é uma instancia passível de aniquilação porque ela é a única via civilizatória para que as sociedades decidam o seu destino. Ela é incontornável. O ser humano fará política sempre, pois sem ela, o que resta é a barbárie.”

Abordo isso para em seguida falar de como anda o ânimo do brasileiro com a política e seus candidatos.

Essa semana o Datafolha, divulgou dados do que pensa o brasileiro sobre mídia e justiça. Vejamos:

Para 55,7% da população a Justiça no Brasil é (ruim ou péssima); 52,8% não confiam no Judiciário; e para 90,3% a Justiça brasileira não age de forma igual. Óbvio.

Diz também o Datafolha que apenas 16% da população confiam na mídia brasileira e que 82% não confiam absolutamente ou confiam muito pouco.

Lula

O ex-presidente Lula é figura de destaque na tentativa destes setores de eliminar a política. Nunca se deve esquecer da frustrada tentativa de se fazer de Luciano Huck, presidente do Brasil.

Mas todas as pesquisas, de todos os institutos, revelam a preferência do povo brasileiro por aquele que foi considerado o melhor presidente que este país já teve, mesmo com sua atual condição de preso e condenado.

O ex-presidente Lula continua imbatível, liderando toda pesquisa que o inclui como candidato.

Essa mesma mídia não destaca mas as pesquisas mostram além da inquestionável liderança de Lula a morte política de figuras sempre bem vistas pela mesma mídia como Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, FHC e Temer.

O povo tem consciência crítica do que aconteceu no Brasil, mas nem tudo esta resolvido.

Hoje está com 8 dias que o PT lançou a pré-candidatura de Lula a presidência, e qual foi a reação do comando central do golpe? Foi exigir das demais candidaturas que não assumam compromisso com o indulto de Lula. Porque isso?

Porque além de retirá-lo arbitrariamente do pleito deste ano é necessário invisibilizá-lo perante os brasileiros para que estes esqueçam os avanços e as mínimas conquistas civilizatórias dos 13 anos dos governos do Partido dos Trabalhadores.

No entanto, Lula é feito da confiança de milhões de pessoas e elas sabem que ele é inocente e vítima da indecente política brasileira. Mexeram com um gigante político que cresce a cada dia.

E no Piauí

Aqui no Piauí, Wellington Dias está muito à frente nos levantamentos realizados.

A liderança de Wellington é inquestionável, mesmo ouvindo-se os sofismas de seus adversários.

Essa força de Wellington Dias suscita algumas perguntas.

Ela é resultante apenas do que Wellington Dias já fez pelo Piauí enquanto figura pública?

Desta força de Wellington Dias, quanto se pode atribuir a seus aliados?

Desta força de Wellington Dias, quanto se pode atribuir a seu Partido – o PT?

Com tanta força assim, Wellington Dias deve temer seus aliados e ceder nacos de poder para mantê-los atraídos?

Este blogueiro crava respostas para cada uma destas interrogações. Mas para dar uma dica de quais sejam as respostas deixo aqui uma sugestão de chapa majoritária para Wellington Dias sacramentar nos próximos dias.

Governador: Wellington Dias

Vice: Regina Sousa

Senador 1: Ciro Nogueira ou Margarete Coelho

Senador 2: Marcelo Castro ou Themístocles Filho

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A história se repete · 12/06/2018 - 20h03 | Última atualização em 13/06/2018 - 08h14

No passado houve a caça a Juscelino Kubitschek , agora, o caçado pelos que mandam no Brasil é Lula


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Que os mais jovens consigam fazer a associação entre os dias de hoje e uma história que já aconteceu na Brasil.

Que os de mais idade se conscientizem que a história pode voltar a se repetir. 

Um belo trabalho do jornalista Paulo Moreira Leite, no Brasil 247

            Lembrando caçada a JK, perseguição a Lula prepara novo 64

Nada mais exasperante do que a falsa perplexidade de políticos e acadêmicos que reconhecem a gravidade da crise mas fingem ignorar que a única saída real  passa pela liberdade de Lula e seu retorno de pleno direito à campanha presidencial de 2018.

As pesquisas eleitorais informam a quem quer ser informado que, cinco décadas depois do golpe de 64, o país se encontra numa encruzilhada semelhante àquela que produziu uma ditadura de 21 anos.

Temos os movimentos evidentes de uma ditadura -- ou pós-democracia -- em marcha. Como há 54 anos, há uma alternativa de preservação democrática.

Em 1964, este nome era Juscelino Kubitschek, favorito disparado em eleições marcadas para 1965. Quando assinou a cassação de JK, usando como pretexto acusações jamais demonstradas de corrupção – coincidência importante, vamos combinar -- o presidente-ditador Castello Branco escancarou a natureza do regime a caminho. Não havia lugar para o moderado e conciliador JK. 

A intervenção militar que iria durar um ano prolongou-se durou 21 e a providência seguinte do primeiro ditador foi esticar o próprio mandato. A conclusão é conhecida.  A eleição presidencial de 1965 só foi ocorrer em 1989, quando os principais personagens do período descansavam no cemitério.      

Se é inevitável encontrar pontos de contatos entre a situação de JK ontem e a de Lula, hoje, é necessário reconhecer que só na ficção científica uma história pode ser escrita antes dos fatos. Mas em 2018 é difícil negar uma certa evolução semelhante no movimento das pessoas e das coisas.  

Ponto culminante de uma perseguição jurídico-midiática que teve início nas denúncias da AP 470, agravada por uma articulação de inegável caráter golpista que derrubou Dilma, os dois meses e uma semana de prisão de Lula em Curitiba, tiveram duas consequências previsíveis.

A primeira foi abrir caminho a Jair Bolsonaro, dando ao fascismo uma presença que jamais obteve em 129 anos de República, nem mesmo sob a ditadura de 64.

A segunda consequência foi completar a destruição pública dos dois grandes partidos da democratização, PMDB e PSDB.  

Construídas na fronteira entre a conciliação e a resistência ao regime dos generais, lideranças respeitáveis como Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, Franco Montoro e Mário Covas, jamais atuaram pela organização independente dos trabalhadores e da população mais pobre.

Nem fizeram da luta contra a desigualdade ou pela soberania nacional sua prioridade. Tinham outras prioridades, outros aliados, outra visão de mundo, outro projeto. 

Mesmo assim, foram responsáveis pela condução de uma transição que permitiu a confecção da mais democrática Constituição de nossa história, que  reconheceu, mais do que qualquer outra, a imensa dívida de nossas instituições com a maioria explorada e oprimida da população brasileira.  

Tornaram-se parte importante do período histórico que produziu a liderança de Lula e seus aliados mais ou menos a esquerda, que abriram caminho para mudanças e inovações que o mundo inteiro reconhece e a maioria dos brasileiros não esquece. 

Ao ingressar, a partir de 2014, numa conspiração de caráter criminoso contra a democracia – muito mais destrutiva do que os simples “arranhões” admitidos pela eterna auto-indulgência de Fernando Henrique Cardoso -- os herdeiros do PMDB e do PSDB traíram o respeito de quem, entre 1985 e 2003, lhes deu legitimidade e votos para permanecer à frente do Estado brasileiro, sede de uma das dez maiores economias do planeta.

Numa revirada histórica, mudaram de lado. Abandonaram as melhores companhias do palanque das Diretas-Já pela aliança com  sobreviventes sombrios das cavernas da ditadura e dos porões da tortura, como se veria na festa de obscenidade e cinismo na qual, com ajuda de Bolsonaro, Dilma Rousseff foi afastada do cargo para ser substituída por Temer, Cunha & Cia.    

Por essa razão, na campanha presidencial pagam o preço de quem, pelo ataque a democracia, ousou empobrecer os mais pobres e enfraquecer os mais fracos. Tornaram-se incapazes de manter qualquer liderança real junto às grandes fatias do eleitorado que poderiam dar alguma vitamina a seus candidatos. Sequer são capazes de conversar com povo, que não quer saber de suas mensagens.   

Em busca de um truque, tentaram inventar um candidato “novo” nos laboratórios da TV ou na galeria de heróis disponíveis do judiciário. Mas a esperteza mostrou-se manjada demais para uma população cada vez mais desconfiada.

Agora, depois que a Lava Jato que eles tanto estimularam obrigou Aécio e Serra a sobreviver num regime de semi-clandestinidade e mantém a Policia Federal em ronda permanente no Jaburu, a certeza de um fracasso irremediável ronda a campanha de Geraldo Alckmin. A candidatura do recém-convertido ao PMDB Henrique Meirelles sequer existe. É aluguel do aluguel do aluguel em nome do entreguismo mais desavergonhado.  

Desse ponto de vista, não há nem pode haver surpresa nenhuma.

Apenas o resultado inevitável de uma opção absurda e insana pelo retorno ao poder através da destruição dos pactos de convivência na diferença – e mesmo na diversidade feroz – que são indispensáveis a todo regime democrático. É um pacto pelos escombros. 

Se poderia haver algum candidato a JK-2018 nos partidos que faziam oposição a Dilma e ao PT, todos foram incinerados pelo fogo que queimou as caravelas constitucionais.

Adivinhe quem sobrou? Lula. É até uma questão de honestidade intelectual.

Mantendo-se leal a uma história vitoriosa, Lula é o único que cresce, aquele que é maior do que sua turma. Como JK, que crescia do centro para a esquerda, Lula cresce da esquerda para o centro.  

Não há quem faça isso e não há, em lugar nenhum do mundo, arquitetura para estabilizar uma democracia, em particular aquelas que carregam uma herança social pesada e urgente.

Por isso Lula é duas vezes maior do que Bolsonaro, três vezes maior que Marina Silva, cinco vezes maior do que Alckmin ou Ciro.  

Sabemos que, apesar da vantagem imensa anunciada nas pesquisas, que apontam seu favoritismo nos dois turnos, em todos os cenários, sua presença na campanha não é nem pode ser vista como garantia de vitória. Sabemos que – felizmente -- isso não existe antes da contagem dos votos.

Mas será uma garantia de sobrevivência da democracia, da possibilidade uma história diferente naquele país que entregou JK e perdeu a liberdade graças a uma aliança de espertalhões sem voto com militares que há muito tempo se articulavam com Washington e com a CIA.

Dois anos depois de 64, não custa lembrar: os mesmos espertalhões iluminados que atendiam pelo nome de Carlos Lacerda, Adhemar de Barros e tantos outros pediam apoio de JK e João Goulart numa Frente Ampla pela democracia, movimento que não levou a lugar nenhum mas deixou claro para onde o país nunca deveria ter ido.

Meio século depois, ninguém tem o direito de fingir surpresa nem poderá dizer que não sabia de nada. Alguma dúvida?

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Feminicídio e política · 11/06/2018 - 12h47 | Última atualização em 11/06/2018 - 17h35

"Os homens matam mulheres porque precisam sempre provar que são machos", diz Marcia Tiburi


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Márcia Tiburi é uma artista plástica, professora de Filosofia e escritora brasileira. Escreve livros e, também, para jornais e revistas especializados, assim como para a grande imprensa. É professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Sábado passado ela esteve em Teresina participando do SALIPI.

Na ocasião, tive a oportunidade de entrevista-la:

Minha primeira pergunta foi: ‘Aqui no Piauí, só em 2018 já ocorreram mais de 22 assassinatos de mulheres, destes cerca de 10 foram feminicídio. Como explicar que em tempos que deveriam ser modernos, tanto homens matam mulheres?

 

 

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Carta de Lula ao povo · 08/06/2018 - 23h02

Manifesto ao Povo Brasileiro, por Luiz Inácio Lula da Silva


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"Há dois meses estou preso, injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública. 

Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e netas, minha bisneta, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para me impedir de conviver com minha grande família: o povo brasileiro. Isso é o que mais me angustia, pois sei que, do lado de fora, a cada dia mais e mais famílias voltam a viver nas ruas, abandonadas pelo estado que deveria protegê-las.

De onde me encontro, quero renovar a mensagem de fé no Brasil e em nosso povo. Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, no meu governo, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as enormes pressões do capital internacional e de seus representantes no País. Juntos, reduzimos a secular doença da desigualdade social que marcou a formação do Brasil: o genocídio dos indígenas, a escravidão dos negros e a exploração dos trabalhadores da cidade e do campo.

Combatemos sem tréguas as injustiças. De cabeça erguida, chegamos a ser considerados o povo mais otimista do mundo. Aprofundamos nossa democracia e por isso conquistamos protagonismo internacional, com a criação da Unasul, da Celac, dos BRICS e a nossa relação solidária com os países africanos. Nossa voz foi ouvida no G-8 e nos mais importantes fóruns mundiais.

Tenho certeza que podemos reconstruir este País e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando.

Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre a nossa classe trabalhadora, assim como não me conformo com minha situação. 

Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca fui dono, nunca tive a posse, nunca passei uma noite no tal apartamento do Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois demonstrei minha inocência no processo e eles não conseguiram apresentar a prova do crime de que me acusam. 

Até hoje me pergunto: onde está a prova?

Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por Moro e pelo TRF-4 como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo. 

Não cultivo ódio ou rancor, mas duvido que meus algozes possam dormir com a consciência tranquila.

Contra todas as injustiças, tenho o direito constitucional de recorrer em liberdade, mas esse direito me tem sido negado, até agora, pelo único motivo de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso me considero um preso político em meu país. 

Quando ficou claro que iriam me prender à força, sem crime nem provas, decidi ficar no Brasil e enfrentar meus algozes. Sei do meu lugar na história e sei qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Tenho certeza de que a Justiça fará prevalecer a verdade.

Nas caravanas que fiz recentemente pelo Brasil, vi a esperança nos olhos das pessoas. E também vi a angústia de quem está sofrendo com a volta da fome e do desemprego, a desnutrição, o abandono escolar, os direitos roubados aos trabalhadores, a destruição das políticas de inclusão social constitucionalmente garantidas e agora negadas na prática.

É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República.  

Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de integração latino-americana.

Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002, não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direito dos eleitores de votar em quem melhor os representa.

Tive muitas candidaturas em minha trajetória, mas esta é diferente: é o compromisso da minha vida. Quem teve o privilégio de ver o Brasil avançar em benefício dos mais pobres, depois de séculos de exclusão e abandono, não pode se omitir na hora mais difícil para a nossa gente. 

Sei que minha candidatura representa a esperança, e vamos levá-la até as últimas consequências, porque temos ao nosso lado a força do povo. 

Temos o direito de sonhar novamente, depois do pesadelo que nos foi imposto pelo golpe de 2016. 

Mentiram para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita.  Mentiram que o país iria melhorar se o PT saísse do governo; que haveria mais empregos e mais desenvolvimento. Mentiram para impor o programa derrotado nas urnas em 2014. Mentiram para destruir o projeto de erradicação da miséria que colocamos em curso a partir do meu governo. Mentiram para entregar as riquezas nacionais e favorecer os detentores do poder econômico e financeiro, numa escandalosa traição à vontade do povo, manifestada em 2002, 2006, 2010 e 2014, de modo claro e inequívoco. 

Está chegando a hora da verdade.

Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível construir um Brasil melhor para o nosso povo. Provamos que o País pode crescer, em benefício de todos, quando o governo coloca os trabalhadores e os mais pobres no centro das atenções, e não se torna escravo dos interesses dos ricos e poderosos. E provamos que somente a inclusão de milhões de pobres pode fazer a economia crescer e se recuperar. 

Governamos para o povo e não para o mercado. É o contrário do que faz o governo dos nossosadversários, a serviço dos financistas e das multinacionais, que suprimiu direitos históricos dos trabalhadores, reduziu o salário real, cortou os investimentos em saúde e educação e está destruindo programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronaf, Luz Pra Todos, Prouni e Fies, entre tantas ações voltadas para a justiça social.

Sonho ser presidente do Brasil para acabar com o sofrimento de quem não tem mais dinheiro para comprar o botijão de gás, que voltou a usar a lenha para cozinhar ou, pior ainda, usam álcool e se tornam vítimas de graves acidentes e queimaduras. Este é um dos mais cruéis retrocessos provocados pela política de destruição da Petrobrás e da soberania nacional, conduzida pelos entreguistas do PSDB que apoiaram o golpe de 2016.  

A Petrobrás não foi criada para gerar ganhos para os especuladores de Wall Street, em Nova Iorque, mas para garantir a autossuficiência de petróleo no Brasil, a preços compatíveis com a economia popular. A Petrobrás tem de voltar a ser brasileira. Podem estar certos que nós vamos acabar com essa história de vender seus ativos. Ela não será mais refém das multinacionais do petróleo. Voltará a exercer papel estratégico no desenvolvimento do País, inclusive no direcionamento dos recursos do pré-sal para a educação, nosso passaporte para o futuro.

Podem estar certos também de que impediremos a privatização da Eletrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa, o esvaziamento do BNDES e de todos os instrumentos de que o País dispõe para promover o desenvolvimento e o bem-estar social. 

Sonho ser o presidente de um País em que o julgador preste mais atenção à Constituição e menos às manchetes dos jornais. 

Em que o estado de direito seja a regra, sem medidas de exceção. 

Sonho com um país em que a democracia prevaleça sobre o arbítrio, o monopólio da mídia, o preconceito e a discriminação.

Sonho ser o presidente de um País em que todos tenham direitos e ninguém tenha privilégios. 

Um País em que todos possam fazer novamente três refeições por dia; em que as crianças possam frequentar a escola, em que todos tenham direito ao trabalho com salário digno e proteção da lei. Um país em que todo trabalhador rural volte a ter acesso à terra para produzir, com financiamento e assistência técnica. 

Um país em que as pessoas voltem a ter confiança no presente e esperança no futuro. E que por isso mesmo volte a ser respeitado internacionalmente, volte a promover a integração latino-americana e a cooperação com a África, e que exerça uma posição soberana nos diálogos internacionais sobre o comércio e o meio ambiente, pela paz e a amizade entre os povos.

Nós sabemos qual é o caminho para concretizar esses sonhos. Hoje ele passa pela realização de eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas, sem regras de exceção para impedir apenas determinado candidato. 

Só assim teremos um governo com legitimidade para enfrentar os grandes desafios, que poderá dialogar com todos os setores da nação respaldado pelo voto popular. É a esta missão que me proponho ao aceitar a candidatura presidencial pelo Partido dos Trabalhadores.

Já mostramos que é possível fazer um governo de pacificação nacional, em que o Brasil caminhe ao encontro dos brasileiros, especialmente dos mais pobres e dos trabalhadores.

Fiz um governo em que os pobres foram incluídos no orçamento da União, com mais distribuição de renda e menos fome; com mais saúde e menos mortalidade infantil; com mais respeito e afirmação dos direitos das mulheres, dos negros e à diversidade, e com menos violência; com mais educação em todos os níveis e menos crianças fora da escola; com mais acesso às universidades e ao ensino técnico e menos jovens excluídos do futuro; com mais habitação popular e menos conflitos de ocupações nas cidades; com mais assentamentos e distribuição de terras e menos conflitos de ocupações no campo; com mais respeito às populações indígenas e quilombolas, com mais ganhos salariais e garantia dos direitos dos trabalhadores, com mais diálogo com os sindicatos, movimentos sociais e organizações empresarias e menos conflitos sociais. 

Foi um tempo de paz e prosperidade, como nunca antes tivemos na história.

Acredito, do fundo do coração, que o Brasil pode voltar a ser feliz. E pode avançar muito mais do que conquistamos juntos, quando o governo era do povo.

Para alcançar este objetivo, temos de unir as forçasdemocráticas de todo o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada.

Daqui onde estou, com a solidariedade e as energias que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo,posso assegurar que continuarei trabalhando para transformar nossos sonhos em realidade. E assim vou me preparando, com fé em Deus e muita confiança,para o dia do reencontro com o querido povo brasileiro.

E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar.

Até breve, minha gente

Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva o Povo Brasileiro!

Luiz Inácio Lula da Silva

Curitiba, 8 de junho de 2018"

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Evento em Minas Gerais · 08/06/2018 - 19h14 | Última atualização em 08/06/2018 - 20h10

PT faz o lançamento da pré-candidatura de Lula à presidencia da República


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Acompanhe ao vivo o lançamento da pré-candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, desde Contagem, Minas Gerais

 

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O PT lança amanhã a candidatura de Lula a presidência da República. Hoje, o partido apresentou também um jingle desta fase da pré-campanha: 

 

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Lula candidato · 07/06/2018 - 19h03 | Última atualização em 07/06/2018 - 22h42

Partido dos Trabalhadores lança candidatura de Lula à presidência nesta sexta em Minas Gerais


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O Partido dos Trabalhadores lança nesta sexta-feira (8) a pré-candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da República, na cidade de Contagem, Minas Gerais. Lula, considerado em pesquisas o melhor presidente da história do Brasil, tenta concorrer ao terceiro mandato e se mantém em primeiro lugar em todas as pesquisas, ganhando em todos os cenários no segundo turno.

A ex-presidenta Dilma Rousseff, a presidenta do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffmann, o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, os líderes das bancadas no Senado, Lindbergh Farias, e na Câmara, Paulo Pimenta, senadores, deputados federais e estaduais, governadores e prefeitos estarão presentes no ato, com milhares de pessoas e transmissão ao vivo pela internet.

O encontro será a partir das 18 horas, no Actuall Hotel, na Rodovia Fernão Dias, 3.443, bairro Jardim Riacho das Pedras, em Contagem. A presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, fará uma coletiva de imprensa, às 15h30, no Actuall Hotel.

Fonte: Portal Fórum 

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Chapão ou chapa pura ? · 05/06/2018 - 12h52 | Última atualização em 05/06/2018 - 16h38

Em carta a Marcelo Castro, Antônio José usa argumentos do emedebista e defende chapa pura


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              CARTA ABERTA AO DEPUTADO MARCELO CASTRO

Teresina, 1º de junho de 2018.

Caro Marcelo,

Pensei em lhe escrever esta carta logo que recebi no meu whatsapp, enviado por Você, o vídeo de sua entrevista no Programa Agora da TV Meio Norte em 15/05/18. Na entrevista, são divulgadas as reivindicações do (P)MDB, como condição para participar da coligação liderada pelo governador Wellington Dias: indicação do candidato a vice- governador (com explicitação do nome) e chapa única (chapão) para deputado estadual e federal. Como o debate reacendeu agora, essa carta ganha nova oportunidade.

Sei que, como presidente estadual do (P)MDB, as posições que Você anuncia não correspondem necessariamente a suas opiniões pessoais. Isso é normal e legítimo na vida das entidades onde as decisões são colegiadas.

Tenho grande apreço por Você. Seu voto coerente e corajoso contra o impeachment de Dilma, só fez aumentar esse apreço. E sei que muita gente do PT tem esse mesmo sentimento.

Não existe preconceito contra o (P)MDB ou outros partidos nas posições que defendo. Aliás, acho positiva a participação de outros partidos na composição da chapa majoritária. A divergência é em relação às coligações para cargos proporcionais.

A vedação à coligações proporcionais está aprovada em lei para vigorar a partir de 2020. A Emenda Constitucional Nº 97, de 4 de outubro de 2017 incorporou a vedação de coligações e a cláusula de desempenho (ou de barreira) e depois uma lei criou o fundo de campanha. Estas propostas estavam em seu Parecer sobre a Emenda à Constituição nº 182 de 2007, apresentado anteriormente e torpedeado por Eduardo Cunha. Minha divergência com Você nesse ponto não é de conteúdo, mas de procedimento. Defendo – e a maioria do PT do Piauí tem defendido – a antecipação do uso dessa norma corretíssima da vedação de coligações proporcionais.

Seu Parecer está muito bem feito. Permita-me, pois, fazer uso abundante de suas palavras; ademais, trata-se de um documento público.

Você contextualiza bem a questão, logo no início do Voto do Relator: “O debate sobre a necessidade de uma Reforma Política é recorrente no Congresso Nacional. Prova disso é a usual constituição de comissões especiais para debater o que se tem chamado de “a mãe de todas as reformas”.”

Marcelo, estou apenas propondo que comecemos logo a praticar e façamos avançar a Reforma Política.

Do “preciso diagnóstico do quadro”, que “pode ser descrito com razoável objetividade”, destaco algumas das dez características da situação: “c) partidos frágeis, sem coesão interna, pouco ou nada ideológicos e programáticos; d) transferência de votos entre candidatos de maneira que não é clara para o eleitor (vota em João” e elege “Pedro”); e) eleições “hiperpersonalizadas”, dissociadas de uma clara lógica partidária; f) número excessivo de partidos políticos representados no Congresso Nacional; h) disputa eleitoral entre candidatos do mesmo partido (“luta fratricida”).”

E Você conclui de maneira contundente: “Feito o diagnóstico, a questão que se impõe é: quais as medidas terapêuticas adequadas para solucionar tais mazelas?” Como médico, você sabe mais do que eu que demorar na aplicação das medidas terapêuticas pode agravar a situação do paciente. Vamos combater logo e na prática, as tais mazelas.

Sobre a vedação de coligações proporcionais Você afirma: “a modificação relacionada à vedação de coligações assumirá grande importância, uma vez que, por si só, poderá representar um significativo avanço na reestruturação do quadro partidário brasileiro... se trata de medida que, uma vez aprovada pela Câmara, já apresentará todas as condições jurídicas para ser promulgada isoladamente como emenda constitucional desde logo, destacando-se de outros pontos da reforma...”

Gostei de sua formulação: com a vedação de coligações proporcionais evitamos que o eleitor vote em Pedro e eleja Paulo, vote em Francisco e eleja João, vote em Ione e eleja Iara!

Adiante, ao tratar da a cláusula de barreira e das federações partidárias, Você reafirma com força um princípio importante: “No contexto de aperfeiçoamento do caótico sistema partidário que ora experimentamos em nosso País... é imprescindível que se criem instrumentos que favoreçam o alinhamento programático das legendas... (que) deverá obedecer a uma lógica programática, e não apenas eleitoral...”

É isso, Marcelo. Na boa Política, o tático deve estar ligado ao estratégico. Os dois aspectos precisam ser considerados. Para o PT do Piauí a chapa específica para estadual e federal, é não só um gesto político pró-reforma; é também a tática mais adequada eleitoralmente, nas eleições de outubro.

Reafirmo que as coligações cabem em torno da chapa majoritária e na formação dos governos de coalizão. E não sou contra a participação do (P)MDB no governo liderado por Wellington Dias do PT. Com certeza, num futuro governo, em caso se reeleição, ele manterá a prática que sempre teve de garantir a participação de todos os partidos da base.

Desculpe, Marcelo, mas uma pergunta não quer calar: essa prática recorrente de participar de um governo e na última hora se retirar não será uma das “mazelas do caótico sistema partidário”? Sua postura no episódio do impeachment foi digna; Você tinha sido Ministro do Governo Dilma até poucos dias antes. Por isso, sempre o defendo nas discussões no PT: você pode chamar o Marcelo Castro de tudo, menos de golpista ou oportunista.

Vamos continuar juntos. A Reforma Política precisa avançar; vários pontos do seu Parecer precisam ser rediscutidos, votados e aprovados, logo no início da legislatura que se inicia em fevereiro de 2019.

 

Um abraço sincero

Antonio José Medeiros

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Política é a arte da conversa.

Política não se faz com o fígado.

Política é como nuvem, ora está assim, ora de outra forma.

Além destas platitudes,

Além do golpe da Ponte para o Futuro,

De um vice que conspirou até a derrubada da titular,

Além de terem ‘garroteado’ governos estaduais que não foram 100% aliados,

Além do teto para saúde e educação,

Além da reforma trabalhista,

Além da aviltação da Petrobras,

Tem que se suportar ouvir:

“... sai desta merda deste Partido, Wellington...”

“...Assis Carvalho...vagabundo...”

“...O PT quer botar é essa boneca de pano...”

E imaginar que o trabalho do Partido do Trabalhadores, muito provavelmente, entregará o governo do Piauí aos parasitas da política brasileira daqui a 3 anos.

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Eleições 2018 · 02/06/2018 - 15h54 | Última atualização em 03/06/2018 - 09h55

Petistas do Piauí, esqueçam Dilma Rousseff, esqueçam Regina Sousa, esqueçam o golpe, virem a página


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O governador Wellington Dias falou hoje com exclusividade ao jornal O Dia.

Na verdade ele usou seu ex-secretário de governo, Merlong Solano, para dar alguns recados ao PT.

Durante toda a longa entrevista não se percebe Merlong Solano contestando em nenhum momento teses dos partidos ditos “aliados” do PT. Ao contrário, fez afagos ao Progressista, de Ciro Nogueira.

A principal mensagem de Wellington Dias, externada por Merlong Solano, é que o PT não levará o que pede.

Segundo a entrevista, Wellington Dias/Merlong Solano, questionam até a candidatura ao Senado da petista Regina Sousa.  São palavras da reportagem: “Definido que ele é o candidato a reeleição e que em aliança estratégica, o Progressistas tem o direito de indicar Ciro Nogueira ao Senado, fica essa questão do senador e a vice. O governador vai estabelecer um diálogo e chegar a um arranjo político que se não agradar a todos, pelo menos não provocará deserções.”

Como assim: o Progressistas tem o direito de indicar Ciro Nogueira e o PT não tem o de indicar Regina Sousa? Além de beijar as mãos de Dilma Rousseff num dia, e traí-la no outro, que mais fez Ciro Nogueira?

Merlong Solano não precisa responder por Wellington Dias. Ele mesmo fez isso noutra entrevista, desta vez ao UOL e sem intermediários. Lá, Wellington Dias ainda contribui para desqualificar o significado de líder. Disse ele: “... esse mesmo líder (Ciro Nogueira) declarou cerca de dois anos atrás que o candidato dele à Presidência é o Lula. Digo isso para você entender que nem ele se fixou naquela votação (impeachment), e eu também não. Teve a votação? Teve. A votação passou... Tem que virar a página. De forma muito tranquila. Em primeiro lugar tenho que pensar na minha responsabilidade com o meu estado.”

Petistas do Piauí, esqueçam Dilma Rousseff, esqueçam Regina Sousa, esqueçam o golpe, virem a página.

Com relação à chapa pura para as disputas proporcionais o porta voz Merlong Solano embora sem fazer referência à disputa para a Câmara Federal deixou entreaberta uma possibilidade para a disputa para a Assembléia Legislativa desde que o PT abra mão da disputa pelo Senado com o nome de Regina Sousa.  “Daí que eu digo que o PT vai ter que escolher, prefere a vice, a vaga de senadora, a chapa pura, no meu modo de ver, ninguém terá tudo que quer para a constituição do arranjo final que levará a reeleição do governador Wellington Dias. Alguém terá que fazer concessão."

Na longa entrevista, faltou Merlong Solano dizer que concessões farão os ditos partidos aliados que além de botarem a faca na garganta do governador com relação à chapa eleitoral ainda levam nacos enormes do governo estadual e de acessórios que giram em torno do Karnak.

P.S. 1 Trecho de matéria publicada em 08 de março de 2018 pelo Correio Braziliense: Outro que sinalizou apoio a candidatura de Rodrigo Maia (DEM) a presidência da República foi o presidente do PP, senador Ciro Nogueira. Conforme ele, Maia reune qualidades essenciais de um político, entre elas o cumprimento dos acordos assumidos e a serenidade em dialogar com diversas legendas. “Acreditamos no potencial da candidatura crescer. Se isso acontecer vamos com ele”, detalhou. 

P.S. 2 Enquanto o governador e o ex-secretário se preocupam com "exigências" do PT, o MDB segue na sua especialidade através dos audios "vazados" do Roncali: fazer chantagem política/eleitoral.  

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Caminhoneiros rejeitam a Globo · 01/06/2018 - 12h53 | Última atualização em 01/06/2018 - 13h10

"Globo Lixo", essa foi a grande palavra de ordem do movimento dos caminhoneiros, veja em 20 videos


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Em alguns momentos a sociedade brasileira se rebela contra o comportamento da imprensa frente a determinados casos.

Foi assim por exemplo na morte de Getúlio Vargas. Na ocasião, o presidente era objeto de um ódio coletivo que se propagava sem limites. A imprensa – TV, rádios e jornais – mais do que se aliar à irracionalidade, foi a porta-voz deste ódio. Getúlio Vargas sofreu campanha incessante segunda a qual seu governo era “um mar de lama” – um mar de corrupção. No entanto, após o suicídio de Getúlio, os veículos de imprensa, artífices do golpe foram também golpeados pela população ensandecida. A “Tribuna da Imprensa” de Lacerda foi empastelada. A redação de ‘O Globo’ foi atacada, carros do jornal foram destruídos, o ‘Jornal do Commercio’ teve sua oficina invadida, vários dos 17 jornais foram alvos da massa.

De forma menos intensa que no período getulista, a categoria dos metalúrgicos do ABC paulista se rebelou contra a Rede Globo nas históricas greves do fim dos anos 70, início dos anos 80. Os liderados por Lula, já cansados da manipulação da notícia nas telas da Rede Globo, revoltaram-se contra a emissora e viraram carros que levavam equipes de reportagem a São Bernardo do Campo e a partir daí popularizou-se o “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

Ter parte da população contra seu trabalho é usual para a Rede Globo. Mas a recente mobilização de caminhoneiros trouxe novidades. A violência da categoria para com os reportes globais foi marcante. As novas mídias (principalmente whats ap) não permitem mais à Globo controlar a narrativa.

Fato é que a mobilização caminhoneira (sem uma imagem de greve da CUT – adversária declarada da Globo) promoveu um derretimento da grande TV do Brasil. O PT, a CUT e outros movimentos populares já tinham desconstruído parte da imagem da Globo. Os caminhoneiros acentuaram a situação.

É lamentável ver colegas de profissão expostos ao ridículo – e algumas vezes à fúria perigosa. Alguns não tem opção, a empresa Globo é o seu ganha pão e estão lá a cumprir ordens de chefes de redação. Outros, tem até opção de viver bem sem o salário da Globo mas acreditam piamente que a linha editorial da empresa está correta. Não à toa tem jornalista da Rede Globo que chama o fundador do império global de “jornalista Roberto Marinho”. Ora, ele não era jornalista, era patrão!

A seguir uma coletania de vídeos da recente mobilização de caminhoneiros que envolveram repórteres globais. São vídeos de diversos pontos do Brasil que demonstram que a Globo continua sendo a maior TV mas não controla mais a narrativa dos fatos brasileiros.

 

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A vida dos caminhoneiros já foi tema de novela, filme, serie, músicas, programas especializados...enfim!

Não é difícil também encontrar um parente e/ou amigo que é ou já foi da estrada.

Mas a categoria hoje é reconhecida pela greve que parou e marcou o Brasil.

Do lado do governo marcou porque desnudou o Rei. Todos já sabiam mas era preciso algo prático para mostrar a incapacidade do governo de governar. Com a greve dos caminhões isto ficou mais do que evidente. Falta de liderança, de comando, trapalhadas mil e tentativas do legislativo, do judiciário e do exército de comandar ações próprias do Executivo. E ainda tem quem garanta que as instituições brasileiras funcionam.

Marcou também porque escancarou a política de entrega patrimônio, de Pedro Parente/Michel Temer. Hoje, o óleo brasileiro e a empresa criada para beneficiá-lo, são bens estrangeiros.

Do lado do pensamento da esquerda, marcou porque ela ficou a ver navios (e não caminhões). Um bate cabeças tremendo para caracterizar o movimento como legítimo de trabalhadores ou comandado por patrões. Depois das manifestações de 2013 e da greve dos caminhoneiros - movimentos articulados pela internet - a esquerda não pode continuar apostando todas as suas fichas nas organizações tradicionais. O país se mobiliza/manifesta pelo whats ap. Que fique a lição.

Mas o que o movimento mais marcou, sem dúvida nenhuma, foi o caminhoneiro brasileiro. Hoje, ele sabe da sua força e capacidade. Mas ficam algumas perguntas para aqueles que seguram no volante dos brutos:

*Você caminhoneiro, não pensou reivindicar o direito de dormir numa pousada ou num hotel descente?

*Como está sua saúde ocupacional? Porque ela não faz parte da pauta de reivindicações?

*Quando um caminhoneiro morre na estrada, quem paga o enterro, a família ou a empresa?

*O tempo de carga e descarga também não deveria fazer parte da pauta dos caminhoneiros?

*Você entra na transportadora ou aguarda do lado de fora enquanto chega a hora da carga/descarga? Isso importa?

*Você tinha direito a aposentadoria especial e perdeu em 1998. Foi justo? Não desejam mais uma aposentadoria assim?

*Nas rodovias ‘pedagiadas’ você tem ponto de apoio ?

*Reduzir o diesel/pedágio vai mesmo resolver sua vida ou dos patrões?

Torcendo para que um dia os caminhoneiros saibam quão forte e importante são!

 

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Encontro Blogueiros · 28/05/2018 - 07h25 | Última atualização em 28/05/2018 - 10h47

Em encontro de blogueiros, deputado Jean Wyllys diz que eleição de 2018 pode até não acontecer


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Terminou ontem a sexta edição do Encontro Nacional de Blogueiros e Ativistas Digitais. Cerca de 180 pessoas participaram do evento representando 17 estados brasileiros. Um dos palestrantes foi o deputado federal Jean Wyllys, do PSOL. Na oportunidade ele falou, com exclusividade, para o blog. O coordenador do Barão de Itararé, órgão organizador do evento, Altamiro Borges, também falou ao blog fazendo uma avaliação do Encontro. Confira os dois depoimentos. 

A professora Rosangela Sousa, da UFPI, participou do Encontro e escreveu uma poesia

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Em Sampa blogueir@s estão no 6º  Encontrar

No evento ocorre um belo compartilhar

Onde estou fico a me emocionar

Por grandes iniciativas testemunhar.

 

Dentre estas permitam-me destacar

A batalha do Coletivo do Rimar

Para o direito à cidade reivindicar

E um cotidiano de exclusão modificar.

 

A Uneafro também convém aplaudir

Por se dedicar à tarefa de incluir

E os Direitos Humanos encampar

Para a juventude se desenvolver, avançar.

 

À organização do evento urge saudar

Por com mesa singular nos contemplar

Numa tentativa de a blogueir@s sugerir

Novas pautas para os mesmos inserir.

 

Por fim, parabéns vimos lhes apresentar

Pela rica militância a lhes movimentar

E com a mesma nos provocar, estimular

Desejando ser como vocês: podem se orgulhar.

 

                      (São Paulo, 26.05.18)

 

 

 

 

 

 

 

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Lula está magoado! · 26/05/2018 - 22h34 | Última atualização em 30/05/2018 - 23h28

O jornalista Mino Carta pergunta: por que Ciro Gomes não denuncia o assassinato político de Lula?


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Mino Carta, editor da revista Carta Capital é um mestre do jornalismo brasileiro. Tem que ser reverenciado sempre. Hoje, num daqueles texto de extrema lucidez ele fala das relações Ciro Gomes - Lula. Acompanhe: 

"Sou amigo velho de Ciro Gomes e do irmão, o ex-governador Cid. Estiveram ambos à mesa do lançamento do meu penúltimo livro, O Brasil, em 2013. Ciro cuidou de me apresentar ao público de Fortaleza, de forma afetuosa, ao se superar em generosidade. Considero sua candidatura à Presidência da República além de legítima, baseada em uma atuação política coerente na ideologia e irrepreensível moralmente.
Inúmeras vezes CartaCapital apoiou-o em s eus lances políticos e o teve por longo tempo entre seus mais preciosos colunistas. Não posso aprovar, entretanto, seu comportamento em relação ao ex-presidente Lula. Meu excelente companheiro André Barroca!, ao analisar a pré-candidatura de Ciro Gomes, observa que a inspiração em boa parte vem do desempenho de Leonel Brizola, candidato em 1989. O líder do PDT, de quem a reforma partidária do general Golbery surrupiara a sigla que por direito lhe pertencia, PTB, criticava o adversário Lula e seu PT, ao acusá-los de não representarem a autêntica esquerda. Foi Brizola quem apelidou Lula de “Sapo Barbudo”. Outros eram os tempos, contudo. Começava a chamada redemocratização.

À época, a despeito das acusações, a plataforma do PT era bem mais avermelhada do que se deu em seguida com o crescimento do partido. Brizola, no entanto, enxergava em Lula um quadro em formação, ainda atado às lições de negociação apreendidas na qualidade de presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, e partia à conquista de um território que entendia exclusivamente seu. Mesmo assim, Lula foi para o segundo turno, derrotado ao cabo por uma história hedionda, destas que só no Brasil podem prosperar, a da filha Lurian, nascida de uma relação mantida quando viúvo. Inestimável a contribuição da Globo. O próprio Roberto Marinho manipulou o debate final entre o líder petista e o “Caçador de Marajás”, para alegria de Veja e dos editoriais dos jornalões. O Sapo Barbudo punha medo.

Hoje vivemos o estado de exceção precipitado por um golpe de Estado perpetrado, antes de mais nada, para alijar de vez Lula da disputa eleitoral, condenado a 12 anos e um mês de prisão sem a mais pálida sombra de provas. Se o ex-presidente cometeu erros políticos depois da reeleição de Dilma Rousseff, se demorou demais para reagir, nada disso cancela a sacrossanta verdade factual: o único líder brasileiro de dimensão nacional é a grande vítima de uma manobra tipicamente verde-amarela, impensável em um país civilizado e democrático. Resultado: sem Lula, a eleição, se houver, é fraude. E o próprio Brasil está enjaulado, embora, aparentemente, não se dê conta de sua deplorável situação.

Ciro Gomes sabe perfeitamente disso tudo, daí a minha certeza de que não é hora de bater no ex-presidente, o qual, aliás, sempre teve pelo seu ex-ministro notável apreço. Daí a mágoa funda que colhe Lula neste exato instante em relação a quem prezava. A recusa de Gleisi Hoffmann a qualquer conversa com o presidenciável do PDT nasce de um desabafo do líder aprisionado. Dirá Ciro que pretendeu ser sincero, ao se referir à inconveniência da candidatura de Lula, declarada há tempo, antes da condenação. Hoje soa, porém, como se um pedido de graça tivesse sido atendido pelos inquisidores de Curitiba e Porto Alegre com a bênção de uma corte que se diz alta, enquanto fica abaixo do nível do mar.

Nesta moldura cabem certas andanças do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, disposto a se reunir com Ciro e Bresser-Pereira no escritório do professor Delfim Netto, para definir “um programa de centro-esquerda”. Trata-se de um interessante desafio à minha manquitolante imaginação. Mas, confesso, gostaria muito de saber o que o preso de Curitiba pensa disso tudo. Quanto ao amigo Ciro, em nada diminuiria sua candidatura denunciar o assassínio político de Lula, imolado no altar da casa-grande. Pelo contrário, a reforçaria na defesa do Estado Democrático de Direito, demolido pelo golpe de 2016."

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Por Joaquim de Carvalho, no Diário do Centro do Mundo 

Em uma de suas derradeiras ações antes de ser preso, Lula lançou o livro que tem título que é a razão da força com que enfrenta estes dias tenebrosos: “A verdade vencerá”.

O ex-presidente fala dos processos a que responde e da condenação por causa do triplex — sem nenhuma prova.

Fala também do clima de ódio incendiou a parte da população manipulada pela elite — elite do atraso, como define o sociólogo Jessé Souza.

Cedo ou tarde, a farsa se desfaz.

A paralisação dos caminhoneiros é parte desse movimento que faz nascer, às vezes de maneira dolorosa, a verdade.

O pretexto para derrubar Dilma Rousseff foi a Petrobras. Nos governos do PT, a empresa controlada pelo governo federal ostentou os números mais vigorosos de sua história.

Tanto foi assim que, em 2010, a empresa lançou, com enorme êxito, ações no mercado mundial, com auditoria que ostentavam seu padrão de excelência assinada por instituições muito conhecidas e, vá lá, respeitadas no mercado financeiro, como JP Morgan e Credit Suisse.

A Petrobras, depois de descobrir a maior reserva de petróleo do século XXI, a do pré-sal, se tornou o motivo principal que fez de Dilma Rousseff uma das líderes mundiais mais espionadas pelo serviço de inteligência dos Estados Unidos.

A quem quiser saber mais a respeito, recomendo o filme “Snowden — Herói ou Traidor”, de Oliver Stone, sobre o especialista em TI que vazou os dados sobre a espionagem.

O Brasil, por conta da vitalidade da Petrobras, foi o país mais espionado, à frente da China e Rússia.

Mas uma Range Rover, comprada pelo dono de um posto de gasolina em Brasília, mudou o rumo da história.

A Range Rover era um presente (ou propina) do doleiro Alberto Youssef a Paulo Roberto Costa, que tinha sido diretor da Petrobras — não era mais.

O dono do posto, Carlos Chater, era da cadeia de doleiros de Youssef e movimentou empresas de fachada para adquirir o carro em nome de Paulo Roberto. Foi por causa desse posto que a operação é chamada Lava Jato.

Assim, a pretexto de defender a Petrobras, policiais federais e os procuradores da república de Curitiba, sob a liderança de Sergio Moro, começaram a destruí-la. Ou, vá lá, apequená-la.

Tem gente que acha que Dilma Rousseff era o alvo, mas, se olharmos mais atentamente, se verá que não era ela. Dilma estava no caminho.

Tem gente que acha que o alvo era Lula, mas, da mesma forma, se olharmos com cuidado, se verá que não. Ele também estava no caminho.

E muito menos Temer, beneficiário político deste movimento que é muito mais abrangente, é o alvo.

Ele está no caminho, depois que a presidência da república, roubada dos brasileiros, lhe caiu no colo.

O Brasil, que estava no caminho de se tornar uma potência, está sob ataque.

É uma guerra, e o exército inimigo veste toga e aparece como herói no Jornal Nacional e nas páginas da velha imprensa.

Os caminhões parados nas estradas são como tanques, agindo sem que as instituições brasileiras se disponham a detê-los.

É uma arma letal, pois, quando o pai de família chegar ao McDonald’s e descobrir que não há pão para o Big Mac do filho, ele vai gritar por algo, pela ajuda de alguém.

E o inimigo estará na porta, sorrindo, oferecendo a solução para o seu filho ter o sanduíche. E o bobo acreditará que é para o bem dele.

Há eleições marcadas para outubro, sem que a direita tenha um candidato viável.

Já a esquerda, com seu principal líder trancado na cadeia, vê luz no horizonte.

Essa direita arriscará colocar o poder em disputa, depois do trabalho que deu para construir a farsa da Lava Jato?

Há uma batalha em curso. E o Brasil não pode perder mais esta.

Em 2013, aproveitando o protesto legítimo e popular por causa de 20 centavos, os donos de uma pauta conservadora ganharam as ruas, com a ajuda dos caminhões.

De novo agora, com a gasolina sendo vendida a 10 reais, tem gente querendo trancar o Brasil, de novo com a ajuda dos caminhões.

O preço do diesel é só pretexto.

A esquerda não precisa desses caminhões para varrer Temer do Planalto.

.x.x.x.

Estranha, muita estranha, a pressa com que Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, se apressou para incluir na legislação a redução de  tributos sobre combustíveis. O aumento desses tributos tinha sido um desastre, fruto de quem não tinha política para fazer o Brasil voltar a crescer, mas essa pressa de Maia cheia mal.

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Jesus Rodrigues, propôs, nesta segunda-feira (21), ações específicas junto ao MPF, TCU e CGU, com o objetivo de ser investigada a destinação de recursos por ele alcançados, através de emendas parlamentares propostas durante seu mandado de Deputado Federal (2010 a 2015), que ajudariam no desenvolvimento de municípios piauienses.

As emendas parlamentares do ex-deputado federal visavam melhorias nas cidades de Piripiri, Campo Maior e José de Freitas. Contemplavam duas fábricas de polpa de frutas, uma em Piripiri e outra em José de Freitas, além de um kit patrol (trator) para essas cidades e a sua população. 

Sua denúncia junto aos órgãos públicos de investigação visa perceber recursos atrasados, no importe de R$ 1.700.000, 00, os quais deveriam ter sido aplicados nos referidos municípios.

Agora em 2018, Jesus Rodrigues, é pré-candidato ao Senado pelo PSol 

.

 

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Do professor Luis Felipe Miguel, no Facebook 

Acho apropriada a estratégia do PT de manter a candidatura de Lula até o fim. A cada nova pesquisa eleitoral, fica mais evidente que, sem Lula, a legitimidade da eleição de outubro está ferida de morte. A manutenção da candidatura de Lula é a mais eloquente denúncia do Estado de exceção a que estamos submetidos.

A radicalidade desta defesa contrasta, porém, com todo o resto da coreografia eleitoral do PT, que insiste nas práticas dos últimos anos, vendo a eleição como um xadrez desconectado dos conflitos políticos fundamentais, pronto a se aliar com quem passe pela frente. Por vezes, sacrificando até seus melhores quadros.* A pressão pela retirada da candidatura de Marília Arraes em Pernambuco, uma candidatura favorita ao governo, para dar apoio à reeleição de Paulo Câmara, é o exemplo mais dramático.

Defender o direito de Lula se candidatar é prioridade para qualquer democrata. Mas erra feio a parte da militância do PT que julga que optar por qualquer outro candidato é uma “traição”. A exigência de que o nome de Lula conste na urna é exatamente para permitir que o eleitorado disponha de efetiva possibilidade de escolha.

Da mesma forma, é legítimo que Ciro Gomes faça as movimentações que faz para ampliar seu arco de alianças e aproveitar a occasione para se firmar entre os candidatos a serem levados a sério. Mas não é razoável que parte dos ciristas conclua que, como seu candidato é hoje o que melhor pontua entre os de esquerda (na ausência de Lula, convém sempre lembrar), é obrigatório que todos o apoiem.

Ciro tenta ser o Lula da era pós-Lula, mas sem o lastro social do líder petista. Não é e nunca foi um caminho para a esquerda brasileira. A meu ver, apoiá-lo representa abdicar da construção deste caminho, em nome de um possibilismo focado na eleição.

Por tudo isso, penso que Guilherme Boulos é a melhor opção para outubro. Ele encarna sem rodeios os valores ético-políticos da esquerda e está pronto para a fazer a disputa por eles. Sabe se comunicar e politiza o debate. Tem a preocupação de confederar as diferentes agendas emancipatórias, sem ignorar que o grande desafio é superar o capitalismo. Sua candidatura contribui para repensar o projeto da esquerda para o Brasil e as formas de lutar para realizá-lo. Boulos o candidato para quem sabe que a política não começa na urna, nem termina na apuração.

* Grifo meu 

 

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