Julgamento em Teresina · 04/03/2020 - 17h35 | Última atualização em 05/03/2020 - 06h57

Salve Rainha: Moaci pede perdão, Jader emociona e promotor fala em homicídio


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    Reprodução TV Meio Norte

Teve início nesta quarta-feira (04/03) o julgamento de  Moaci Moura da Silva Júnior acusado de causar, em 2016, o acidente que vitimou fatalmente Júnior Araújo e Bruno Queiroz e lesionar Jader Damasceno. As três vítimas faziam parte do coletivo Salve Rainha.

No Tribunal Popular do Júri, realizado em Teresina, são ouvidas quatro testemunhas de defesa e quatro de acusação. Não há previsão para término do julgamento.

Depoimento de Jader emociona
O depoimento de Jader Damasceno, que sobreviveu ao acidente, emocionou os presentes. 

    Reprodução TV Meio Norte

"Eu tenho paralisia facial, traumatismo craniano, traumatismo torácico, esfacelamento da coxa direita, da canela direita, leve afundamento da caixa craniana, perda parcial da minha audição, perda parcial da minha visão, eu desenvolvi crises de pânico e todo dia eu convivo com isso, tenho que fazer curativo no meu olho várias vezes por dias, pois faço tratamento para um possível transplante de córnea, tenho que cuidar minimante do meu olho, eu caminho, eu sinto dor, eu durmo, eu sinto dor. Sou um suicida potencial, falo isso porque eu tenho que me lembrar toda hora, ficar muito atento, para que eu não vire mais um dado desta cidade... Eu estou pagando por uma escolha dele, que seja agora a hora dele pagar pelas dele", disse Jader em entrevista.

Moaci pede perdão
Em seu depoimento, Moaci disse que invadiu o sinal vermelho por medo de ser assaltado. Com voz de choro, ele pediu desculpas aos pai das vítimas e a Jader. O acusado afirmou que não era sua intenção matar ninguém, que aquilo poderia acontecer qualquer pessoa. Durante o julgamento, a imprensa foi proibida de registrar imagens do acusado.

    Reprodução TV Cidade Verde

Moaci negou que estivesse embriagado e que estava confuso por causa da colisão. Ele já tinha passagem pela polícia por dirigir embriagado. O teste de alcoolemia acuso consumo de álcool e em seus primeiros depoimentos ele confirmou que havia ingerido bebida alcoólica.

Promotor faz avaliação
Em entrevista à TV Meio Norte, o promotor Ubiraci Rocha fez uma avaliação dos momentos iniciais dos depoimentos das testemunhas.

"Nossa avaliação é extremamente positiva. Primeiro porque todos os depoimentos colhidos pelas testemunhas arroladas pelo Ministério Público, foram satisfatórias, elas relatam exatamente aquilo que já disseram no outro momento processual, e por ocasião também de oitiva para inquérito da autoridade policial", disse.

Moaci Junior
Moaci Junior 

'Testemunha de beatificação'
O promotor também comentou sobre a estratégia da defesa de Moaci para tentar amenizar o caso.

"A testemunha que aqui foi ouvida pela defesa é aquelo que a gente chama, no jargão jurídico, de testemunha de beatificação, é aquela testemunha que não viu o fato, não viu nada, vem ao fórum apenas para fazer bem do acusado, mas os exames periciais, inclusive o exame de alcoolemia, mostra que o acusado estava sob efeito de álcool, inclusive ingeriu bebida alcoólica num nível grave, isso naturalmente somado ao fato de desenvolver velocidade em um veículo num via urbana com mais de 100 km como a perícia informa e constata, e outros fatores leva a acreditar e é isso que nós vamos defender de que não se trata de um crime de trânsito, mas um crime de homicídio cometido no trânsito, que são duas coisas totalmente distintas", afirmou.

Júnior Araújo, Bruno Queiroz e Jader Damasceno
Júnior Araújo, Bruno Queiroz e Jader Damasceno 

Penas
"As penas em relação aos homicídios variam de 6 a 20 anos de prisão cada uma delas, tem a lesão corporal de natureza grave, que vai até cinco anos, e outra, por se evadir do local, podendo prestar socorro às vítimas, essas penas todas é que será estabelecida para eles", concluiu o promotor.

 


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