Se formaria em 2019 · 25/11/2018 - 17h29 | Última atualização em 25/11/2018 - 18h03

Rayron era membro da maçonaria, órfão de mãe e fazia residência médica no HUT


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A morte de Rayron Holanda, vítima de um assalto na Avenida Miguel Rosa, interrompeu uma história de garra e de muitos sonhos, dentre eles, o de se tornar um médico reconhecido e bem sucedido. Aluno do oitavo período de Medicina, na Universidade Federal do Piauí, fazia residência no Hospital de Urgência de Teresina.

Órfão de mãe e de origem humilde, Rayron nasceu em Elesbão Veloso, cidade que fica a 165 km da capital, para onde veio com o desejo de transformar a sua vida através do estudo.

Primogênito, ele se formaria já no próximo ano. A aprovação em Medicina, no ano de 2015, foi a concretização de um sonho, o verdadeiro orgulho do pai Raimundo Holanda. Ingressou na Universidade Federal do Piauí com a nota de 785,86 pontos no ENEM.

Foi no ensino fundamental que Rayron descobriu a sua paixão pela área da saúde, e foi graças ao esforço e dedicação, estudando cerca de 15 horas por dia, que finalmente conseguiu a tão esperada aprovação. Atualmente, o jovem estava morando com o irmão em uma quitinete próximo do local onde sua vida foi tirada precocemente, de forma covarde, por causa de um celular.

O estudante fazia parte da maçonaria, ele participava da Ordem DeMolay; “Eu e ele somos demolays, então a gente se conheceu através da Ordem DeMolay há uns três anos atrás, ele já cursava Medicina no período”, disse um amigo que conversou com o 180graus nesta manhã, no IML, mas preferiu não se identificar.

Rayron era um bom estudante, competente em tudo que fazia. No momento do assalto ele estava voltando do plantão do HUT.

“Era um excelente aluno, futuro promissor como médico, já estava próximo de concluir seu curso, e fomos surpreendidos com esse evento de hoje, com esse fato lamentável, que mostra em que nível está a insegurança em nosso estado, e em nosso país, precisamos ter uma ação das autoridades que possamos reverter essa situação, ele foi mais um caso e se não tivermos uma providência enérgica, muitos outros aconteceram infelizmente, mas quero aqui representar os nossos sentimentos à família e dizer que no que depender da UFPI, estaremos dando todos apoio à família”, lamentou José Arimatéia Lopes, reitor da UFPI, que rapidamente falou ao 180 quando esteve no Instituto Médico Legal para prestar solidariedade e assistência à família.

Ajuda nas redes sociais

Sabendo da origem humilde de Rayron, muitos amigos chegaram a se mobilizar nas redes sociais para ajudar nas custas de velório e sepultamento. Recursos que foram rapidamente angariados, tamanha a solidariedade daqueles que se revoltaram com mais uma morte injusta. O enterro será em sua cidade natal, Elesbão Veloso (PI), para onde foi levado ainda neste domingo (25). A previsão é que chegue ao município somente às 18h.

Manifestações de carinho e revolta

Mesmo quem não conhecia o estudante usou as redes sociais para manifestar solidariedade à família, pedir punição aos responsáveis, ofertar orações e também para homenagear a sua brilhante carreira acadêmica. Uma das mensagens veio do colégio CEV, onde Rayron se preparou para o vestibular. 

Nota também publicada pela administração do Hospital de Urgência, destacando, mais uma vez, a dedicação do rapaz ao trabalho na área de saúde, mesmo que ainda como estudante. "Rayron foi um bolsista dedicado e sempre muito zeloso no cumprimento de suas obrigações. Deixamos nossas mais sinceras condolências à família e amigos por esta inestimável perda", traz o texto publicado no Facebook.

Apreensão do suspeito

O adolescente suspeito de matar Rayron foi apreendido no final da manhã de hoje por uma guarnição da Força Tática. "[O estudante] foi pego de surpresa (...) segundo ele [suspeito], o rapaz foi pra cima dele, ele tava com o dedo no gatilho e disparou. Mas é a versão dele. A gente acredita que ele atirou no rapaz só por maldade, por que o rapaz não quis entregar o celular", relatou o Capitão Sousa Marques, da Polícia Militar.

Testemunhas que estavam na estação de ônibus deram à polícia informações que levaram à apreensão do menor. "É astuto, a gente já sabe as manhas dele, ele tinha se escondido em cima do teto e a Homicídios não conseguiu encontrar ele, mas eu já sabia, tinha feito a prisão [apreensão] dele em outros momentos, sabia que ele estava em cima do teto, dei o bote certo", conta o militar ao detalhar a operação que culminou na apreensão do menor.

Joatan Gonçalves, investigador do 6° Distrito Policial, informou que este não é o primeiro homicídio do qual o adolescente é suspeito de envolvimento. O primeiro teria ocorrido há cerca de um mês, e o outro há 15 dias, quando o menor relatou ter tido o apoio da namorada para apreender fuga.

As investigações serão conduzidas pela Delegacia de Homicídios. A polícia trabalha com a hipótese de que mais pessoas estejam envolvidas no crime, que teriam dado apoio ao adolescente na fuga. A arma usada para matar Antônio Rayron Soares não foi ainda localizada.


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