Mais de cinco pares de gêmeos · 18/10/2019 - 15h50 | Última atualização em 18/10/2019 - 16h32

Mulher tem 40 anos e 38 filhos. Entenda a causa de tanta fertilidade


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Mariam Nabatanzi, 40, de Uganda, no continente africano, teve 38 filhos. Sua primeira gravidez, de gêmeos, foi aos 12 anos. Depois, ela teve mais cinco pares de gêmeos, quatro casos de trigêmeos e três outros de quadrigêmeos, segundo o jornal britânico The Daily Mirror. Neste ano, ela passou por uma cirurgia para impedir que tenha mais filhos. A reportagem é do R7.

    Foto: Reprodução/Facebook de Mariam Nabatanzi

A ginecologista e obstetra, Karina Tafner, médica-assistente do Ambulatório de Reprodução Assistida da Santa Casa, em São Paulo, explica que isso acontece por uma predisposição genética que torna mais de um óvulo disponível a cada ciclo menstrual - normalmente a mulher produz apenas um óvulo por mês.

"A ovulação é estimulada pelo chamado hormônio folículo estimulante (FSH), que é produzido pela hipófise, no cérebro. A mulher libera um grupo de folículos, precursores dos óvulos, todos os dias. Quando esse hormônio é liberado, o folículo que tiver mais receptores o recebe e se desenvolve para a espera do espermatozóide", afirma.

Eventualmente, dois folículos podem se desenvolver no mesmo ciclo. Se houver fecundação, a mulher poderá ter gêmeos diferentes - provenientes de dois óvulos. Karina afirma que existem duas situações em que a probabilidade de isso acontecer é maior.

“Quando a mulher têm uma predisposição genética, normalmente já tem gêmeos na família, e no final da vida reprodutiva, perto da menopausa. Nesse período, os óvulos ficam mais resistentes ao FSH, então o corpo aumenta a quantidade do hormônio liberado por ciclo. Com maior quantidade de FSH, há o risco de ovular de dois óvulos”, diz.

A reportagem do The Daily Mirror menciona que Mariam possui ovários maiores que o habitual. Karina afirma que isso não tem relação com a fertilidade. Segundo ela, é normal que os ovários diminuam conforme a mulher se aproxima da menopausa. “Ovários menores significam menos capacidade reprodutiva, mas o contrário não quer dizer o mesmo”, aponta.

Formação de óvulos

A ginecologista explica que todos os óvulos de uma mulher são formados quando ela ainda está na barriga. Por volta da 20ª semana de gestação, o feto já tem todas as células reprodutivas formadas. O número varia entre 6 e 7 milhões. Durante a vida, os folículos são liberados, mas apenas um amadurece e forma um óvulo por ciclo - os demais desaparecem.

No nascimento, o bebê possui de 1 a 2 milhões de folículos. Até o início da fase reprodutiva, a menina perde de 300 a 500 folículos por dia, chegando na puberdade com cerca de 400 mil. A partir dos 35 anos, a mulher começa a perder sua capacidade reprodutiva, até que a reserva de óvulos se esgota, que é quando se inicia a menopausa.

A ginecologista diz que ter gêmeos não aumenta nem diminui a probabilidade de que isso aconteça novamente. A predisposição genética é a mesma durante a vida inteira. O mesmo vale para quando a mulher tem a primeira gravidez. Isso não aumenta a chance de ela engravidar novamente; confirma, apenas, que não é uma mulher com problemas de infertilidade.

Segundo a médica, ter predisposição genética para ter gêmeos não significa que a mulher terá duas ou mais ovulações em todos os ciclos, apenas que isso acontece com maior frequência. Além disso, nem todos os óvulos têm bom potencial reprodutivo. “Depois dos 35 anos, os óvulos que restam no corpo da mulher já estão velhos, o que aumenta a chance de abortamento por alteração cromossômica, que é a maior causa de abortamento”, afirma.

Métodos contraceptivos

Karina aponta três formas de contracepção: as hormonais, as não hormonais e as definitivas. As hormonais utilizam a progesterona e estrógeno, na maior parte das vezes combinados, para inibir a produção de FSH e por isso a ovulação não ocorre.

Dentre as opções estão a pílula anticoncepcional, o anel vaginal, o adesivo, a injeção e o dispositivo intra-uterino (DIU) que, além da sua funcionalidade comum, libera progesterona no organismo como uma forma de proteção adicional, explica a médica.

A pílula do dia seguinte também é um método hormonal, mas possui um funcionamento diferente. Em vez de inibir a ovulação, altera as características do ambiente do endométrio, trompas e muco vaginal, tornando o local menos receptivo para a fecundação. Quando tomada até no máximo 24 horas depois da relação sexual, esse método tem 70% de eficácia, diz Karina.

Dentre os métodos não hormonais estão o preservativo feminino e masculino, o diafragma e o DIU de cobre. A ginecologista afirma que os três primeiros são métodos de barreira, que bloqueiam a passagem do espermatozoide impedindo a fecundação. O DIU funciona de maneira parecida com a pílula do dia seguinte, porém com mais eficácia. Ele age alterando o ambiente do sistema reprodutor feminino e tem durabilidade de 5 a 10 anos.

O método definitivo para mulheres é a laqueadura - que Marian teria feito. “A mulher pode tirar a trompa ou cortar um pedacinho e costurar. A escolha vai depender do profissional. A maioria não opta pela retirada, uma vez que, caso a mulher se arrependa, não é possível fazer a reversão,” finaliza.

 

 

 

 

 

 

 

 


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